Cuidado, muito cuidado com a Human Rights Watch.

Alex Main, de Washington DC. Por Aline Piva

 

Human Rights Watch é uma organização que pelo menos tem fama de ser independente nos meios, nos grandes meios, e, bem, nós temos visto que tem tomado essas posições críticas contra muitos governos, e entre eles o governo dos Estados Unidos. Mas, o que vemos é que, pelo menos na parte de estabilização que se chama o Programa das Américas, onde José Miguel Vivanco é o principal responsável, nós temos visto uma atitude e uma linha que acredito que é bem clara, e há que reconhecê-la, e já faz muito tempo. E nessa linha nós temos visto uma crítica muito forte a governos de esquerda na região, e principalmente Venezuela, e isso já desde muito tempo. E uma certa complacência com os governos mais de direita. Então sempre falando de direitos humanos, o enfoque é sempre muito em direitos políticos.

Acho que é interessante notar que nos últimos dias do processo de impeachment contra Dilma, um defensor de direitos humanos radicado neste país, que se chama José Miguel Vivanco, foi ao Brasil e comentou sobre a situação política interna do país. Era um momento-chave e ele fez umas declarações à imprensa, onde basicamente disse que não havia golpe, que não havia acontecido nenhum tipo de golpe, com esse processo de impeachment, e que, na verdade, era um processo muito limpo, muito apegado à Constituição e, também, que o Brasil poderia ser considerado como um grande exemplo para o mundo em matéria de democracia e de luta contra a corrupção, etc. Então, claro, essas declarações creio que causaram muito ruído na imprensa no Brasil e vieram nesse momento crítico, quando havia debate, se pode ver como uma certa intromissão nos assuntos internos do país, e, uma tentativa muito clara de influir sobre o debate que estava ocorrendo, e também uma resposta a muitos grupos de direitos humanos, grupos da sociedade civil de todas as partes, não somente do Brasil, mas muitos daqui dos Estados Unidos. Que haviam emitido declarações dizendo que sim, que consideravam que era um golpe o que estava ocorrendo no processo contra Dilma Rousseff. E, além disso, os congressistas desse país, inclusive o senador Bernie Sanders, o candidato presidencial. Então seria também como uma tentativa para contrapor um pouco este tipo de declaração que vinha do exterior. E é claro, houve muitíssima cobertura nos grandes meios, meios de direita do Brasil, foi muito oportuno. E creio que o que há que notar também é que essas declarações eram finalmente muito semelhantes a declarações que temos visto de diferentes porta-vozes da administração de Obama, onde sempre diziam “nós consideramos que estão fazendo muito bem no Brasil, que estão respeitando um processo constitucional”. Além de que, gente de muito alto nível do governo dos Estados Unidos, como o secretário de Estado John Kerry que já se havia reunido com o ministro de Relações Exteriores do Brasil, eu diria ministro de facto, José Serra, umas semanas antes. Então eu acho que valeria a pena se perguntar um pouco sobre quem é José Miguel Vivanco, qual é essa organização que ele representa – se chama Human Rights Watch.

 

Vivanco e a HRW só têm olhos para os governos de esquerda

Sobre a Venezuela nós podemos falar em uma verdadeira campanha contra o governo, que começou muito cedo, pouco tempo depois do golpe de Estado de 2002, que removeu do poder o presidente daquela época Hugo Chávez durante dois dias e regressou ao poder. Human Rights Watch não se mobilizou realmente nesse momento, apesar de ter sido muito óbvio que era um golpe militar, depois de pouco tempo. E depois de certa maneira apoiou a oposição, essa mesma oposição que havia executado o golpe um pouco antes. No momento da greve petroleira, ao final de 2002, princípio de 2003, e foi interessante ver que Human Rights Watch tomou a defesa das pessoas que estavam em greve, quando há que se notar que não foi uma greve operária, com reivindicações trabalhistas de nenhum tipo, foi na realidade uma greve para acabar com o governo, de maneira antidemocrática, uma campanha de desestabilização muito clara, aonde a intenção era paralisar a indústria petroleira da Venezuela, que, com certeza, é chave para a economia do país. E isso provocou uma profunda depressão, muita miséria humana, muitos problemas de direitos humanos, podemos dizer. Mas ao invés de comentar sobre essas violações que foram cometidas pela oposição, a Human Rights Watch, sob a direção de Vivanco, se colocou a defender as pessoas que estavam em greve, era uma greve política, contra o governo, não era uma greve do tipo operária, acho que isso tem que ser notado, é importante. E bem, com o tempo vimos em muitas instâncias diferentes críticas muito fortes, ataques muito fortes contra o governo da Venezuela, onde até pode ser que haviam casos de abusos de direitos humanos reais, mas onde há um tratamento desproporcional, em comparação ao tratamento dado à Colômbia, por exemplo, que tem problemas de direitos humanos muitíssimo mais graves que na Venezuela, ou também comparando ao Haiti, onde depois do golpe de Estado que aconteceu em 2004 mataram milhares de pessoas, apoiando o presidente que havia sido retirado do país no golpe de Estado. Creio que podemos ver que Human Rights Watch e o Programa das Américas segue em uma campanha contra os movimentos de esquerda e também segue atacando a Venezuela de maneira indireta, bem direta e indireta. No caso da visita de Vivanco ao Brasil ele anunciou claramente que ele está muito contente com a atuação de José Serra e sua decisão de atacar a Venezuela e que esteve lá basicamente para apoiar Serra nessa posição. E acredito que, para terminar, um pouco para explicar de onde pode vir esse problema. Bem, dentro da Human Rights Watch, é uma ONG muito grande, com muitíssimo dinheiro, um orçamento muito grande. Esse orçamento vem em grande parte de grandes corporações, de fundações vinculadas a grandes corporações, principalmente nos Estados Unidos, mas em outras partes também. No comitê de diretores, de assessores, desculpe, há pessoas como George Soros, e outras pessoas muito vinculadas à Wall Street, o centro financeiro dos Estados Unidos, e também vemos que há várias pessoas, tanto nesta junta de assessores como dentro do staff, dos empregados de Human Rights Watch, que passaram tempo no governo dos Estados Unidos. Um que esteve por muito tempo exercendo um papel-chave aqui em Washington se chama Tom Malinowski. Ele esteve durante um tempo na administração de Clinton, inclusive dentro do Conselho Nacional de Segurança, e logo entre 2001 e 2013 esteve na Human Rights Watch, depois de 2013 ele regressou ao Departamento de Estado na administração de Obama. E, bem, então há pessoas assim, há vínculos muito estreitos com o governo dos Estados Unidos, e eu acredito que isso seja muito problemático, e acredito que explica, pelo menos em parte, a atuação de José Miguel Vivanco, e creio que é preciso ir vendo melhor de onde vem o financiamento e quem conforma organizações de direitos humanos muito grandes, como a Human Rights Watch. Acredito que é um dever cidadão buscar saber talvez o que há por trás das declarações de organizações como o Human Rights Watch.

4 Comentários

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Inácio Doria

01/10/2016 - 16h58

Salvo engano essa hrw foi fundada na época do presidente dos EUA J. Carter eesposa Rosalyn e com. o apoio das igrejas protestantes dos EUA quando esse país ja estavam se esforçando para se descolar dos militares brasileiros , àquela altura do campeonato atolados em denúncia de tortura assassinato e corrupção , nos anos 80. Dedo grosso e smartphone “antigo” difícil pesquisar!

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Marcelo Pedro de Arruda

01/10/2016 - 15h01

Bastante esclarecedor o depoimento. Nesta semana uma advogada da HRW deu entrevista no Jornal da Gazeta da TV Gazeta de São Paulo, não obstante se posicionar contrariamente ao que desembargadores do TJ-SP decidiram sobre o massacre do Carandiru, achei o posicionamento dela, logo o da HRW, muito “quadradinho”, muito 4por4, parecia coisa pré-fabricada, soou “fake”.
Em relação ao chileno o sr. Vivanco, é interessante que ele seja espécie de porta-voz da questão dos Direitos Humanos divulgado pelo Instituto Millenium. Precisa dizem mais alguma coisa?

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Luiz

01/10/2016 - 09h10

lobos em pele de cordeiro!

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Alice Henne

30/09/2016 - 20h53

Nunca fui com as fuças destas ONGs, sobretudo as internacionais. Não assino nada, não dou dinheiro. Todas elas servem a algum interesse.
Abraços!

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