Quem matou Kennedy?

Mais de 60% dos americanos ainda não acreditam que Lee Harvey Oswald tenha atuado sozinho, e a decisão de Trump de ceder às pressões da CIA, do FBI e da NSA e manter o sigilo de mais de 30 mil documentos colocou ainda mais lenha na fogueira

Passados mais de 54 anos, o assassinato de  John Kennedy continua sendo um dos episódios mais marcantes da história recente dos Estados Unidos, alvo de uma infindável lista de especulações. Mais de 60% dos americanos ainda não acreditam que Lee Harvey Oswald tenha atuado sozinho, e a decisão de Trump de ceder às pressões da CIA, do FBI e da NSA e manter o sigilo de mais de 30 mil documentos colocou ainda mais lenha na fogueira.

Os arquivos liberados até momento acrescentam pouco ao que já se sabia sobre o assassinato. No entanto, há um documento particularmente interessante: um memorando revela a preocupação de J. Edgar Hoover, então diretor do FBI, em consolidar na opinião pública a ideia de Oswald como um “lobo solitário”. As ausências também levantam suspeitas. Um dos documentos mais esperados, um testemunho do chefe de contra inteligência da CIA, James Angleton, não foi divulgado; a transcrição de um depoimento de 1975 de Richard Helms, legendário chefe da CIA, é abruptamente censurada quando Helms é questionado sobre a possibilidade de Oswald ser um agente do aparato de inteligência; e um arquivo completo sobre o próprio Oswald desapareceu misteriosamente.

Mas o que é ainda mais fascinante é perceber como esses documentos jogam nova luz no modus operandi da CIA. Há de tudo: campanhas de difamação, propostas de ataques terroristas, planos de assassinato. Um documento, datado de apenas três semanas antes do assassinato de Martin Luther King, tenta liga-lo à várias personalidades comunistas, além de conter insinuações sobre a vida pessoal dele, incluindo supostos casos extraconjugais. Em uma tentativa de forçar uma nova invasão após o fiasco da Baía dos Porcos, os militares chegaram a sugerir, entre outras coisas, o uso de bombas para afundar um barco de refugiados cubanos e o uso de armas biológicas para destruir plantações em Cuba. A cooperação entre a CIA e os dissidentes cubanos era tanta, que os agentes chegaram a criar uma tabela de recompensas para cada liderança cubana que fosse ou assassinada, ou entregue às autoridades estadunidenses (muito simbolicamente, são oferecidos dois centavos de dólares pela cabeça de Fidel). Aliás, as conspirações para assassinar líderes estrangeiros emergem com frequência nos documentos. Fidel encabeça a lista, mas também há provas de que dezenas de milhares de dólares foram pagos por atividades, suprimentos e armas para grupos anticomunistas na República Dominicana, Congo e Vietnã. Há também evidências de que pelo menos três ex-presidentes mexicanos foram parte de uma rede de espionagem instalada pela CIA no México.

As tentativas das agências de inteligência e vigilância de manter detalhes dessas operações em sigilo parecem indicar o conteúdo altamente sensível de alguns desses arquivos. Mas também indicam que parte desses documentos são bastante embaraçosos para a imagem dessas agências – como os arquivos relacionados ao escândalo de Watergate –, o que faz crer que os arquivos ainda classificados são muito mais importantes do que os que foram recentemente liberados. Ainda assim, os arquivos já à disposição revelam como o aparato do “estado profundo” pode agir sem qualquer tipo de controle, tendo à disposição recursos praticamente infindáveis – e como isso é daninho à democracia.

Um comentário

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Péricles Pegado Cortez

21/11/2017 - 21h08

Leiam Legados de Cinzas – A historia secreta da CIA – TIM Winer Premio Pulitzer 2002 jornalista credencia por 40 anos junto a CIA, na pagina 90 relato documentado da participação da CIa e do governo americano, com base nos documentos Top Secret liberados pelo EUA. Os golpistas, coxinha e patinhos deviam ler. Não é teoria da conspiração não, macacada! Acordem!

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