Pastor Ariovaldo Ramos: todo o mundo civilizado ficou chocado com a tragédia que se abateu sobre a jovem adolescente argentina.

Um ato monstruoso, como este, denuncia toda a nossa noção de civilização, toda a nossa crença de que somos civilizados.


O povo do antigo testamento, diante de uma grande tragédia, onde inocentes eram mortos, ou alguma catástrofe alcançava um povo, tinha o hábito de rasgar as vestes, e de se cobrir de pano de saco, e, então, lamentar profundamente o acontecido.

Essa atitude, não só levava a avaliar a extensão da angústia, mas, também, a pensar na solução para o resgate dos abatidos, quando possível.
Recentemente, todo o mundo civilizado, foi chocado com a tragédia que se abateu sobre a jovem adolescente argentina, que foi cruelmente assassinada após estupro inominável.
Este, é um dos momentos em que deveríamos revisitar a postura de angústia tomada pelo povo do antigo testamento. Um ato monstruoso, como este, denuncia toda a nossa noção de civilização, toda a nossa crença de que somos civilizados.
Mas, o mais angustiante, é que cenas como esta se repetem diariamente, vitimando mulheres de todas as idades e de todas as procedências ao redor do mundo.
Talvez, não tenha a plástica horripilante desta. Mas quem pode avaliar o horror que se abate sobre uma mulher que é violada, desrespeitada na sua integridade, e lançada na vala comum do machismo, que, de alguma maneira, atribui alguma responsabilidade à mulher por ter sido atacada?
Até quando vamos conviver com tais barbaridades, sem nos darmos conta de que não estamos diante de uma sucessão de crimes, mas, presenciando de forma cada vez mais grotesca, a manifestação de uma cultura, a chamada cultura do estupro?
Até quando faremos de conta, de que não sabemos que cultura é uma questão de educação, e de educação de berço e de base?
Recentemente, no Brasil, tivemos uma longa discussão sobre se no ensino de base deveríamos tratar de fobias sociais, voltadas um grupo minoritário vítima de tais fobias.
Quando vamos começar a levar a sério a necessidade de educação das crianças, em relação ao direito das meninas?
Quando vamos começar a reconhecer que temos um problema cultural que precisa ser atacado na sua gravidade, qual seja, o reconhecimento da mulher como sujeito de direito.
Alguém dirá que isto é o óbvio, e está contemplado universalmente. Mas, os fatos dizem o contrário. E este é um fenômeno com características transculturais.
Essa não deve uma luta apenas das mulheres, tem de ser uma luta da espécie humana pela recuperação da noção de humanidade, da noção da igualdade e da unidade humanas.
Nosso luto vem do verbo lutar!’

 

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