Movimentos sociais da ALBA se reúnem na Colômbia

O tema da Segunda Assembleia Continental dos movimentos sociais para a ALBA (Alternativa Bolivariana para os Povos de Nossa América) foi “Pela paz e a soberania popular em nossa América”. O encontro aconteceu entre os dias 01 e 04 dezembro em Silvania. Por Aline Piva

Vídeo 1
I Encontro de Mulheres e Feminismos da ALBA Movimentos

 

 

Nalu Faria (marcha mundial das mulheres): Meu nome é Nalu Faria sou da marcha mundial das mulheres, do Brasil. Nós estamos aqui perto de Bogotá, em Silvania. Na segunda assembleia dos movimentos ALBA. Mas antes a gente esteve em Bogotá, no primeiro encontro feminista de mulheres de movimentos ALBA. Esse encontro foi um marco para nós porque a articulação do movimento ALBA desde da sua fundação se declara anti-patriarcal, que a gente entende que a luta anti-patriarcal, está conectada com a luta anti-capitalista, anti-racista, pela liberdade sexual. Então, o encontro foi um momento de aprofundar este debate, de aprofundar como é que nós mulheres que somos da ALBA estamos vendo o contexto, como que nós estávamos vendo as articulações das mulheres dos movimentos feministas da América Latina. Também um momento extremamente importante para aprofundar, no conjunto das delegadas esse tema do feminismo, que tem uma repercussão imediata aqui na segunda assembleia. Porque o tema foi extremamente discutido, em todos os grupos de discussão, em todas oficinas, em todos os temas, apareceu elementos vinculando o feminismo ao debate da economia popular, da formação da comunicação, e de todos outros temas que estamos trabalhando aqui. Então assim, a gente considera que foi realmente um marco nesse aprofundamento político do debate feminista, desse compromisso que a gente quer que os conjuntos dos movimentos e o conjunto da articulação dos movimentos ALBA incorpore a perspectiva feminista e que não é só ver as mulheres como um setor ou como um tema mas é pensar, assim como a gente pensa as mudanças que nós queremos do ponto de vista da classe trabalhadora, a gente pensar também as mudanças, as práticas, as propostas, a linguagem, a comunicação, a formação, tudo que nós fazemos dentro de uma perspectiva da igualdade entre homens e mulheres, dentro de uma perspectiva da superação da divisão sexual do trabalho e de tudo que significa as práticas patriarcais. Que acaba colocando privilégios masculinos e um processo de inferiorização das mulheres, assim que, nós consideramos que foi um avanço e que as mulheres estão realmente cumprindo…(não é uma boa palavra) mas que as mulheres estão sendo protagonista nesse processo, e nós sabemos que só assim a gente pode avançar, a partir desse processo de auto organização e de protagonismo das mulheres.

No encontro de feminismo de mulheres da ALBA, a gente também tirou um pequeno calendário, início de calendário de lutas que nós mulheres como mulheres aqui desta articulação, queremos participar, e que a gente também vai apresentar na assembleia final, e a gente já definiu duas datas: uma participar na ação da marcha mundial das mulheres que será no dia 24 de abril, que é um dia de 24 horas de solidariedade feminista, é uma ação mundial da marcha, onde vai ser trabalhado a questão da luta contra a precarização de trabalho. E o dia 24 de abril, foi escolhido em função de ter sido um dia que alguns anos atrás, caiu aquele edifício de Rana Plaza, onde morreram centenas de mulheres que trabalhavam em condições muito precárias da indústria têxtil. E a outra data que nós tiramos também a partir de uma articulação que vem da Argentina, da luta contra a violência, contra feminicídio nenhuma a menos, vivas nos queremos! E a proposta é fazer no 3 de junho que é a data onde se iniciou essa mobilização na argentina há dois anos atrás, que a gente faça um dia continental de luta contra a violência, contra os feminicídios nenhuma a menos, viva nos queremos!

link para a declaração final do encontro: http://www.albamovimientos.org/2016/11/nuestramerica-declaracion-primer-encuentro-continental-de-mujeres-y-feministas-de-alba-movimientos/

 

Vídeo 2

Minustah e imperialismo no Haiti

 

O povo haitiano é um povo que conquistou sua independência, a preço de sangue, em 1804, e nunca nós nos preparamos para ter uma força de ocupação. Com a chegada da Minustah – tem que ser dito, o “conflito”, como eles chamam, no Haiti é a luta para combater a ditadura, os ladrões do dinheiro do Estado. Por isso, depois da saída de Jean Bertrand Aristide, os norte-americanos, com a cumplicidade do Brasil com Lula, e sob o chapéu da ONU, formaram uma força de ocupação. Uma força de ocupação que não é uma força que é a favor dos interesses dos povos, dos pobres, do povo haitiano em geral.

É uma força que está a serviço da burguesia que são donos de hotéis, e praias, e muitas coisas. No Haiti, há uma palavra que se chama “turistas”, porque quando chegam no Haiti não fazem nada. Eles vão à praia, buscando mulheres e fazem violências contra as mulheres, contra os jovens… Há muitas coisas. Por isso, a presença da Minustah é um tipo de militarização contra o povo haitiano, que defende seu direito de querer outra vida. Por isso, lutamos faz muito tempo pela saída da Minustah.

Todo ano, na ONU, o Conselho de Segurança da ONU dá um ano mais. A pergunta dos haitianos – como o porta-voz dos haitianos e dos lutadores – é quando se vai a Minustah? Por isso necessitamos o apoio de ALBA, das organizações populares, a sociedade civil, que quer o bem-estar social. E o bem-estar social para o povo haitiano é a saída da Minustah. E a Minustah comete muitos crimes no Haiti. No norte, no sul, oeste, em todos os lados do Haiti.

A Minustah é um câncer para o povo haitiano. A presença da Minustah é uma coisa ruim para o povo haitiano. Faz muito tempo, nós, membros das organizações camponesas, populares, sindicais, exigimos a saída da tropa de ocupação no Haiti. Por isso, houveram eleições no Haiti em que a direita teve sorte para chegar ao poder. Se a direita chegar ao poder, vai manter para sempre a Minustah – a direita extrema. Por isso, agora mesmo em que estamos falando, há protestos e manifestações no Haiti. Porque, com esse poder, a vida dos pobres vai ser pior. E, a Minustah está lá justamente para proteger os ricos, não estão a serviço dos pobres.

 

Vídeo 3

Poder popular e organização das comunas na Venezuela

 

Rafael – O movimento popular de Venezuela, através da organização das comunas, das organizações comunitárias, passa por um processo bem interessante, apoiado na legislação e apoiado no respaldo que desde o Estado se dá à organização popular, e é fundamental para entender o novo Estado que nós estamos impulsionando, que é um Estado comunitário, comunal, onde o poder reside no povo. E é diferente do antigo Estado burguês, onde o poder reside no governo e nas estruturas de poder de empresas privadas, igrejas, meios de comunicação. De maneira que essa experiência política, social que nós levamos a cabo na Venezuela, onde se estão organizando as comunas, as cidades comunais, os conselhos comunais, e múltiplas organizações do poder popular em torno dos territórios, da identidade cultural e social, em torno da organização econômica e produtiva, é fundamental para entender o novo processo que está vivendo o povo. Essa é parte da nossa posição política.

 

Sandra – Sim, eu creio que é importantíssimo a organização dos movimentos sociais. Para nós, é importante o fortalecimento de todos os movimentos sociais, porque eles são a alternativa para rompermos com todo o processo burocrático, com todo o processo do Estado burguês, com todo o processo capitalista, que é o que o nosso comandante sempre nos dava como lineamento, sempre nos dizia: “o objetivo é romper todas essas estruturas e começar a fazer novas estruturas”. E isso só pode ser feito pelo movimento social, pelas organizações de base, as organizações territoriais. E isso nos tem dado a razão. O momento político e econômico que estamos vivendo na Venezuela nos tem demonstrado que esse é o caminho. Quando já todas as realizações sociais, vemos alternativa por autogestão, quando vemos que podemos produzir, quando vemos que podemos consumir menos… Então é quando dizemos, “devemos fortalecer os movimentos sociais”. Eu creio que nosso comandante tinha claro isso. Foi um grande mestre, e não só o viu desde Venezuela, sempre nos disse, “a alternativa é que comece a articular com diferentes movimentos em todo o continente”. Então bem, essa é uma grande tarefa que nos deixou e eu acredito que ALBA Movimentos Sociais é o espaço para executar tudo isso.

 

Rafael – Há um princípio básico. Nós temos um princípio que é a participação protagonista na tomada de decisões. Ou seja, fundamentalmente, a democracia mudou dessa democracia representativa para uma democracia direta, a democracia protagonista, de maneira tal que se você vai a um bairrio, no bairrio podemos ter o seguinte: uma diversidade cultural – nós temos sempre pessoas de todos os países –, sem embargo, com essa identidade cultural diversa, nós vamos construindo as organizações do poder popular e a participação das pessoas em torno às suas problemáticas, suas necessidades, seus sonhos, suas esperanças, e todos eles chegam desse setor com essa mochila cheia de sonhos. É aí que nós estamos construindo o Estado popular, no bairrio, no campo, em cada um dos setores.

 

Nenhum Comentário

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do NOCAUTE. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Deixe uma resposta

Recomendadas