Moro reconhece que os recibos de Lula são verdadeiros

Ao afirmar que os recibos apresentados pela defesa de Lula "não são materialmente falsos", Moro quis dizer apenas uma coisa: os recibos são verdadeiros. Mas pontificou, sapateando sobre o idioma de Camões: “Quanto à suposta falsidade ideológica dos recibos, depende a questão da resolução de várias questões..."

O juiz Sérgio Moro afirmou, em despacho desta quinta-feira (07), que os recibos apresentados pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comprovar pagamento de aluguel do apartamento de São Bernardo do Campo “não são materialmente falsos”.

Quanto à falsidade ideológica levantada pelo MPF, Moro ressaltou que só irá decidir ao concluir a sentença. Ainda não há data para isso ocorrer.

“Quanto à suposta falsidade ideológica dos recibos, depende a questão da resolução de várias questões de fatos na ação penal, se dinheiro da Odebrecht de fato custeou a aquisição do apartamento, se Glaucos da Costamarques foi ou não utilizado como pessoa interposta e quem falta com a verdade acerca do pagamento ou não dos aluguéis, Glaucos da Costamarques ou o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva?”, escreveu no despacho.

Na ação penal, o Ministério Público Federal (MPF) acusa o ex-presidente de receber vantagens indevidas oriundas de fraudes em contratos da Petrobras e o apartamento seria uma delas. Para a força-tarefa da Lava Jato, Lula seria o verdadeiro dono do apartamento vizinho ao dele. Glaucos da Costamarques,  também réu no processo e proprietário do imóvel, seria um “laranja”, de acordo com a acusação.

 

Defesa

Em setembro do ano passado, os advogados de Lula entregaram cópias dos recibos, mas o MPF pediu que a veracidade dos documentos fosse verificada.

Em nota, a defesa do ex-presidente Lula ressaltou que “a decisão confirma o que sempre foi afirmado pela defesa: os recibos foram emitidos e assinados pelo proprietário do imóvel alugado à D. Marisa, o Sr. Glaucos da Costamarques”. E continua “a improcedência das alegações do Ministério Público também deve ser reconhecida em relação à própria ação penal. O Sr. Costamarques afirma que é o proprietário do apartamento que foi alugado à D. Marisa e que o imóvel foi adquirido com recursos próprios, sem qualquer relação com a Petrobras”.

“Essas declarações de Costamarques se somam a diversos outros elementos do processo que comprovam que Lula não praticou qualquer ato para beneficiar empreiteiras no período em que exerceu o cargo de Presidente da República e tampouco recebeu a propriedade de imóveis comprados com valores provenientes de contratos firmados pela Petrobras”, acrescentou o advogado Cristiano Zanin Martins.

 

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