Ibrahim Alzeben, embaixador da Palestina: “Trump coloca a região em perigo incalculável”

Contrariando a recomendação de diversas lideranças mundiais, inclusive países aliados, Trump levou adiante o reconhecimento de Jerusalém como a capital israelense. A paz no Oriente Médio está em risco; tanto a ANP como Hamas reagiram e Israel já faz bombardeios como resposta. Ao Nocaute, o embaixador da Palestina em Brasília faz uma avaliação deste cenário.

Imagens Lula Marques

Esta decisão por parte do senhor presidente dos Estados Unidos, consideramos que é uma decisão irresponsável que coloca toda a região em um confronto de incalculáveis resultados e consequências.

Os EUA estão tomando praticamente uma atitude aliada ao estado de Israel, apoiando a ocupação e todas as atitudes contra o direito internacional. Não estão atuando à altura da superpotência que são. Os EUA, como membro do Conselho de Segurança, são responsáveis pela paz e pela segurança. A atitude que estão tomando está arriscando essa paz e estão apoiando um país que ocupa e viola o direito internacional.

Obviamente, confiamos que ninguém vai seguir esta postura contra o direito internacional.

Os EUA não podem ir contra o consenso internacional. Se olharmos nas últimas 48 horas, a reação internacional, um líder, um presidente deve também considerar as reações internacionais. Não pode atuar dessa maneira, contrariando o mundo inteiro.

Acredito que os Estados Unidos têm a palavra e o próprio presidente Trump deve se retratar e retroceder e deve atuar à altura de sua responsabilidade como membro do Conselho de Segurança e também deve ser guardião da paz. Com essa atitude, está atuando de uma maneira que deixa de ser patrocinador da paz e se coloca como aliado da ocupação.

Está realmente passando um período de incalculáveis consequências perigosas. Está colocando toda aquela região em pé de guerra, está alimentando um conflito inter-religioso porque no momento que desafio quase 4 bilhões de fiéis muçulmanos e cristãos, está levando esse conflito político ao terreno de um conflito religioso. Esperamos e confiamos que essa atitude seja revogada e pense à altura do que corresponde como presidente dos EUA, a maior superpotência do mundo.

Tudo é possível, não somente uma intifada. A reação do mundo árabe, islâmico, cristão, da comunidade internacional no geral, pode dar qualquer outro nome. Pode ser intifada, pode ser rebelião, pode ser desgosto. De toda maneira, não nos conformamos com essa decisão e nos negamos a seguir ou aceitá-la.

Os EUA podem definir o que quiserem dentro de suas fronteiras, mas não podem ameaçar e não podem burlar nossos interesses e direitos.

Esperamos que tome uma decisão que ponha fim e obrigue os EUA e o presidente Trump a retrocederem e deixarem que ambas as partes em um processo de paz definam a situação não só de Jerusalém, mas do próprio processo de paz que deve concluir com dois estados para dois povos.

Obviamente os EUA são membro pleno e permanente do Conselho de Segurança e muito possivelmente vão usar o direito ao veto. Mas vamos seguir lutando com toda a comunidade internacional para que a paz seja uma realidade naquela área entre palestinos e israelenses.

Essa medida arbitrária dos EUA e unilateral não favorece a paz. Favorece ao que o senhor está chamando de intifada, conflitos e derramamento de sangue.

A comunidade internacional está frente a frente pela primeira vez. É uma atitude irresponsável e a comunidade internacional deve trabalhar de mãos dadas, em conjunto, para evitar um confronto internacional, evitar a levar a humanidade inteira àquelas nefastas épocas da Idade Média na qual os conflitos eram religiosos. O conflito no Oriente Médio e o conflito entre Israel e Palestina não é religioso, mas político, territorial e deve concluir com a criação do estado da Palestina, que já é reconhecido pela maioria da comunidade internacional. É uma responsabilidade internacional portanto confiamos que a comunidade internacional vai contribuir para por fim a esse conflito, sob a base do direito, sob a base das resoluções da ONU e não da vontade do presidente dos EUA.

 

Palestinos em protesto à decisão de Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel:

Um comentário

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Regina Maria de Souza

10/12/2017 - 07h25

Minha solidariedade aos palestinos e ao povo árabe em geral. Os israelenses não apenas sofreram o holocausto (minha solidariedade a eles por isso) mas também absurdamente perpetram-no contra o povo palestino.
Mais absurdo, porém, é que as chamadas pequenas igrejas evangélicas (melhor seria dizê-las neojudaicas porque apenas citam o velho Testamento e se dão nomes daqueles patriarcas) apoiam a invasão de Jerusalém e – óbvio – o genocídio que derivará dessa violação de tratados internacionais. Nada menos cristão que isso!

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