Guantánamo: uma vergonha para a humanidade

Campo de detenção de Guantánamo completa 16 anos nesta semana.

Nessa semana, o campo de detenção de Guantánamo completa 16 anos. Criado por George W. Bush no âmbito da chamada “guerra ao terror”, Guantánamo é um buraco negro jurídico. Classificados como “combatentes ilegais” (e, portanto, fora do âmbito das Convenções de Genebra), os detentos passam anos sem nem ao menos ter acesso a um advogado, quanto menos a um processo legal justo. Devido a uma série de decisões judiciais na década de 1990, Bush acreditava que Guantánamo estava além do alcance da Constituição e dos tribunais estadunidenses, o que permitiria manter essas pessoas presas aí indefinidamente – ou, pelo menos, até que a tal “guerra ao terror” acabasse. Mais de 800 pessoas já foram detidas e torturadas em Guantánamo. Entre essas, ao menos 15 eram crianças de 14, 15, 16 anos. As denúncias de prisões arbitrárias e de abusos físicos e psicológicos são constantes.

Em 2009, Obama prometeu que fecharia a prisão de Guantánamo em um ano. Falhou não só em cumprir essa promessa, como também em desmontar o quadro legal que a sustenta, abrindo espaço para que seu sucessor possa manter – e até revigorar – o centro de torturas. Durante a campanha, Trump prometeu retomar técnicas de tortura já banidas, e seu atual chefe de gabinete, John Kelly, que dirigiu Guantánamo de 2012 até 2016, é um fervoroso defensor de sua manutenção.
Guantánamo não é só uma afronta à soberania e ao povo cubano. Guantánamo é uma afronta ao direito internacional. É um claro vestígio do colonialismo. É uma lembrança diária do imperialismo estadunidense, das consequências de guerras desmedidas contra inimigos inventados. É uma vergonha para toda a humanidade.

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