Equador considera pedir mediação para caso Assange

O fundador do Wikileaks está exilado na embaixada do Equador em Londres desde 2012

O governo do Equador cogita pedir uma mediação para definir a situação de Julian Assange, criador do Wikileaks, asilado na embaxada equatoriana em Londres desde 2012.

De acordo com a AFP, a chanceler do país sul-americano, María Fernanda Espinosa, afirmou que a mediação pode ser feita por um terceiro país ou uma personalidade. “Nenhuma solução será conseguida sem a cooperação internacional e sem a cooperação do Reino Unido, que se mostrou interessado em buscar uma saída”, disse Espinosa.

O presidente do Equador, Lenin Moreno, um mês após ser eleito, rompeu com o antecessor Rafael Correa e declarou que Assange é um “hacker”: “Isso é algo que a gente rejeita, e eu pessoalmente rejeito. Mas eu respeito a situação dele, que exige respeito pelos seus direitos humanos, mas também pedimos que ele respeite a situação na qual se encontra”. O presidente também disse que Assange não deveria interferir na política interna do Equador ou de outros países.

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O fundador do Wikileaks se refugiou em 19 de junho de 2012 na sede diplomática equatoriana para evitar sua extradição para a Suécia para ser interrogado por delitos sexuais que ele nega. A investigação foi arquivada em meio de 2017.

Assange assegura que o pedido sueco é uma manobra para que ele seja entregue aos Estados Unidos, onde teme ser condenado por ter vazado em 2010 cerca de 500.000 documentos confidenciais.

Exilados em embaixadas

Assange, no entanto, não é o primeiro caso de alguém que passou tanto tempo em uma legação diplomática sem poder sequer colocar os pés na rua. Há pelo menos dois casos célebres de situações semelhantes à do criador do Wikileaks.

Perseguido pelo ditador Manuel Odría, em outubro de 1948 o político peruano Victor Raúl Haya de la Torre, fundador da poderosa APRA – Aliança Popular Revolucionária Americana –, entrou na embaixada colombiana em Lima e pediu asilo político, prontamente concedido pelo governo de Bogotá. Ante a decisão do general Odría de não lhe conceder o salvo-conduto para deixar o país, Haya de la Torre não teve alternativa senão passar cinco anos dentro da embaixada.

Situação ainda mais dramática seria vivida pelo cardeal húngaro Jozsef Mindszenty. Após sete anos na prisão, o religioso, um fervoroso anticomunista, foi colocado em liberdade durante a revolta popular de 1956. Com a retomada do controle do país pelos comunistas, dez dias depois, Mindszenty pediu asilo na embaixada dos Estados Unidos em Budapeste – de onde só sairia 15 anos depois, em 1971.

Um comentário

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MILTON TEMER

10/01/2018 - 22h45

Temo pelo destino de Assenge diante da guinada ideológica cada vez mais evidente do sucessor de Rafael Correa.

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