Gilmar Mendes em Washington: crônica de uma fraude anunciada?

Em visita a Washington, o ministro defendeu a adoção do semipresidencialismo e apontou para uma provável cassação das candidaturas de Lula e Bolsonaro.

 

Não é de hoje que diversos analistas vêm apontando para possibilidade de que as eleições do próximo ano no Brasil sejam um mero instrumento para garantir a continuidade do golpe de Estado que destituiu a presidenta Dilma. E Gilmar Mendes, o atual presidente do TSE, parece disposto a convencer até os mais céticos de que as eleições de 2018 têm tudo para ser pouco mais do que um simulacro de democracia.

Em visita a Washington, o ministro defendeu a adoção do semipresidencialismo e apontou para uma provável cassação das candidaturas de Lula e Bolsonaro. Mendes afirmou, ainda, que o TSE formou um “comitê de gestão da internet no Brasil”, composto, entre outros, pelo Exército e pela Polícia Federal, para supostamente monitorar páginas que divulguem “fake news”. O ministro, no entanto, não se deu ao trabalho de esclarecer quem serão os alvos desse monitoramento, nem o que ele considera “fake news”.

Mas Gilmar Mendes não veio à DC somente para dar declarações polêmicas. Na manhã dessa segunda-feira, o ministro reuniu-se com Luis Almagro, o infame secretário-geral da OEA, para assinar um convênio para observação das eleições de 2018 – algo inédito na história do país. Na quarta, Gilmar faz uma palestra no Brazil Institute do Wilson Center, uma espécie de filial do Instituto FHC dirigida por Paulo Sotero – aquele que aparece rindo da piada racista de William Waack, e que classifica o golpe contra Dilma Rousseff como uma “evolução esperançosa da crise da nação”. Ao que tudo indica, a fala do ministro será uma defesa, de antemão, da idoneidade do sistema eleitoral brasileiro – algo que ele vem fazendo com bastante frequência por aqui, desde pelo menos meados de 2016.

É no mínimo curioso que as primeiras eleições presidenciais depois da destituição de Dilma sejam também as primeiras a contarem com a observação da OEA, justamente em um momento em que assistimos essa organização mover mundos e fundos para derrubar o governo democraticamente eleito de Nicolás Maduro, enquanto ao mesmo tempo guarda uma obsequiosa distância das convulsões em Honduras. Porque Gilmar Mendes vem com cada vez mais frequência à Washington defender a lisura do nosso sistema eleitoral? É possível esperar que um processo seja democrático quando o presidente da máxima autoridade eleitoral do país afirma que está trabalhando ativamente para impedir a candidatura que desponta nas pesquisas? Ou estaria Gilmar Mendes já construindo a narrativa para naturalizar uma eventual fraude nas eleições de 2018?

Um comentário

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Marques

13/12/2017 - 07h48

Girmar, o jurista de Diamantino, tem a malandragem do tamanho dos beiços ; não dá ponto sem nó ! Podem apostar, atira verde prá colher maduro !!!

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