Erik Prince, fundador da Blackwater, quer privatizar a crise migratória na Líbia

Diversas vezes acusado por violação dos direitos humanos, o empresário sugere policiamento privado para deter o fluxo migratório.

Erik Prince, fundador da empresa privada de segurança militar Blackwater, está trabalhando em uma solução para restaurar a estabilidade na Líbia e mitigar a crise dos refugiados. Próximo da administração de Donald Trump e com planos para concorrer como senador de Wyoming pelo Partido Republicano, Prince disse que a Frontier Services Group, um braço da Blackwater, conseguiria facilmente identificar, prender e repatriar as centenas de milhares de imigrantes africanos que buscam entrar na Europa através da Líbia.   De acordo com o empresário, a proposta envolve uma fração menor do preço que a União Europeia gasta com seus barcos de busca por botes de imigrantes no Mediterrâneo: “O tráfico de seres humanos do Sudão, Chade e Nigéria é um processo industrial, para detê-lo é necessário criar uma polícia de fronteira líbia ao longo da fronteira sul”, disse para o jornal italiano Corriere della Sera.   Prince também afirmou que seu plano é mais “humano e profissional” que os programas atualmente utilizados pela UE para deter os fluxos migratórios. Programas que funcionam, em grande medida, graças a milícias líbias que capturam imigrantes ilegais antes de chegarem à costa e são acusadas de praticarem estupros, espancamentos e trabalho forçado. A Organização das Nações Unidas e outros grupos que defendem os direitos humanos condenaram e classificaram esses programas como desumanos.   É provável que a administração de Trump aprove qualquer proposta que venha de Prince – que contribuiu com 250 mil dólares para a campanha do presidente dos EUA. A irmã do empresário, Betsy DeVosm, é hoje a secretária de Educação de seu governo.   O mercenário mais conhecido do mundo, Prince, enfrentou uma extensa investigação sobre seu próprio registro de violações dos direitos humanos. Empregados da Blackwater foram acusados de matar 14 civis iraquianos em 2007 após abrirem fogo contra uma multidão em Bagdá enquanto escoltavam um comboio do governo dos EUA. Prince enfrentou uma investigação do Congresso, mas nunca foi condenado.

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