Celso Amorim fala da Embraer, Venezuela e da campanha “Eleição sem Lula é fraude”.

Ex-chanceler e ex-ministro da Defesa, o diplomata Celso Amorim estreia no Nocaute tratando de três temas candentes: o significado da anunciada venda da Embraer para a Boeing, a delirante proposta de invasão da Venezuela e a campanha “Eleição sem Lula é fraude”, que já angariou mais de cem mil assinaturas.

Hoje é um assunto muito importante que eu quero mencionar e que está nas páginas dos jornais, que é a associação, a chamada associação entre a Boeing e a Embraer. Trata-se naturalmente de uma associação que envolve a grande empresa brasileira, financiada e sustentada pelo poder público brasileiro desde o seu início.

A Embraer produz aviões comerciais, mas também aviões militares, e que conquistou o mundo. É uma marca brasileira, talvez a única marca brasileira numa área de tecnologia avançada, que nós dispomos presente como grande produto no mundo.

E é uma área estratégica para defesa. Eu fui ministro da Defesa, sei disso. Sei das dificuldades de obter, por exemplo, softwares, algo que se chama código fonte, que é a sua capacidade de mexer no sistema de armas. E é muito difícil você imaginar que se houver essa associação, a parte militar vai ficar totalmente separada da parte civil. Porque na própria evolução da Embraer, o AMX, que foi feito em parceria com a Itália, foi muito útil para desenvolver os jatos regionais. A mesma coisa acontecerá no futuro, com relação ao cargueiro e outros, o KC 390 em relação a outros possíveis produtos.

Então eu fico muito preocupado. Isso sem falar nos prejuízos que isso causaria para nossa autonomia defensiva. Todos sabemos das restrições que as empresas norte-americanas fazem ou mesmo sofrem em função de decisões do Congresso dos EUA. Tivemos muitas experiências nesse sentido, inclusive dificuldade de vender o nosso super tucano, que ainda usa certos softwares norte-americanos.

Outro assunto que eu quero mencionar, porque é muito atual, é o da Venezuela. Acaba de sair mais um artigo de um ex-ministro, Hausmann, venezuelano, pedindo a intervenção militar na Venezuela. Isso é gravíssimo. Eu sei que obviamente o governo brasileiro, mesmo esse governo atual, não vai concordar. Mas é de uma enorme gravidade, sobretudo quando você junto isso com uma declaração feita pelo presidente Trump há uns quatro meses, dizendo que não excluía a possibilidade de intervenção militar na Venezuela.

Então quando isso acontece, independentemente da opinião que se possa ter dos acertos e erros do governo venezuelano, o que está em jogo não é só a Venezuela, é toda América do Sul, é o Brasil. Então temos que claramente e de maneira contundente nos opor a essa ideia estapafúrdia desse ex-ministro que quer fazer um retrocesso de 20 anos na história da América do Sul.

E finalmente eu queria mencionar, porque é algo muito importante e que por coincidência caiu nas minhas mãos ser o iniciador e até certo ponto o inspirador, não diria coordenador: o manifesto “Eleição sem Lula é fraude”. Ele já está com mais de 120 mil assinaturas, tem apoios de personalidades internacionais como Noam Chomsky, Yánis Varoufákis, e de brasileiros como Chico Buarque, Beth Carvalho, muitas outras pessoas.

Mas o que eu quero frisar é que tem também o apoio da Manuela D’Ávila e do Guilherme Boulos, o que demonstra claramente que é um manifesto suprapartidário. Não é um manifesto para a defesa do Lula. É claro que envolve o Lula porque é ele que está sendo atacado no momento. É um manifesto em defesa da democracia no Brasil, do processo democrático, do direito do povo brasileiro e não de uma autocracia qualquer escolher quem será o presidente do Brasil. Por isso eu convoco a todos os ouvintes também subscreverem o manifesto.

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