As eleições no Brasil podem consolidar a volta do progressismo na América Latina

Acompanhando Dilma em sua viagem aos Estados Unidos, o sociólogo e cientista político Emir Sader, falou com a correspondente do Nocaute em Washington, Aline Piva.

 

 

Por Emir Sader

 

Depois de um longo período de avanços e conquistas na América Latina a direita recuperou a iniciativa e conseguiu alguns triunfos. Na Venezuela, na Argentina, no Brasil, na Bolívia. Mas agora nós entramos praticamente em uma nova etapa. Com a vitória do candidato da Alianza PAIS no Equador. Com um perspectiva muito provável do Evo voltar a ser candidato e se eleger na Bolívia, com uma disputa dura no Brasil, mas que pode levar o Lula voltar a ser presidente do país. E com uma eleição mexicana onde quem quer que ganhe vai ter que se voltar para a América Latina já que os Estados Unidos fecharam a porta na cara deles. Então, nós temos um ano e meio mais ou menos em que vai se decidir o futuro da América Latina, inclusive no caso da Venezuela que está diretamente ligada a correlação de forças existente no continente.

 

Há uma coalizão de direita, conservadora que aumenta a pressão, o cerco contra a Venezuela e vai depender, inclusive, a relação de forças das eleições brasileiras. No caso de uma vitória do Lula, certamente se desloca de novo o eixo progressista de maneira favorável. Se os conservadores se consolidam o cerco não só sobre a Venezuela, sobre o Equador e sobre a Bolívia devem aumentar. O Brasil é decisivo não só pelo peso que tem, mas porque é o elo mais frágil do neoliberalismo na América Latina. É um governo que não foi eleito, que não tem apoio nenhum e uma oposição que tem um candidato forte e uma unidade popular para eventualmente conseguir derrotar esse governo ano que vem e voltar a dirigir o Brasil com as consequências todas para a América Latina.

 

Estados Unidos e Grã-Bretanha que dirigiram o bloco imperialista durante mais de um século, estão em crise de alguma maneira. Estão retirando-se de alguma forma da globalização neoliberal como ela existiu até agora. O que deixa um espaço de orfandade, especialmente para a Europa, mas em geral para o conjunto do bloco ocidental. O que favorece o avanço na direção de um mundo multipolar. Um peso maior da Rússia, da China, dos BRICS e dos países latino-americanos que com uma consciência de unidade interna de importância dos processos de integração nacional possam fortalecer também a dinâmica sul-sul.

4 Comentários

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Alan Silva

23/04/2017 - 05h35

“Um peso maior da Rússia, da China”……Cruzes! Ditaduras….como pode o PT, que lutou pelaa “diretas já” se encantar com ditaduras.

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Alan

19/04/2017 - 21h58

Acho a análise boa mas me parece que ela peca por desconsiderar dois aspectos importantes, na minha singela opinião:
I – O ascenso de Lula ao poder em 2018 está condicionada a possibilidade de uma eleição, já que com este congresso acuado pela Lava-Jato esperamos todos os monstros da caixa de pandora aberta com o impeachment. Além disso, não bastará um novo governo de coalizão com as mesmas forças que tocaram o golpe. Um novo governo, para conseguir ser progressista, desfazer os profundos danos aos direitos sociais e a soberania nacional, deve ter como base a população politizada e mobilizada, capaz de sustentar um projeto nacional de desenvolvimento. Caso contrário, seja Lula ou outro candidato, permanecerá refém da negociação do menos pior e a manutenção dos entraves colocados pelo golpismo ao desenvolvimento.
II – Os EUA, me parece, não deseja desocupar seu posto de potência e já vem a algum tempo realizando ações de espionagem e intervenção, em graus diversos, em vários países do mundo. Desde a invasão militar no Afeganistão e Iraque, até a implantação de rebeldes armados na Síria e Líbano; e militantes liberais financiados como aconteceu no Brasil e na América Latina. É uma iniciativa que não demonstra sinais de enfraquecimento, vide o ataque à Síria e a escalada do tom com a Coréia do norte. A Rússia e a China pretendem defender a America Latina de novo golpes?

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Cleide Portella

19/04/2017 - 19h18

Espero que com as eleições em 2018 tenhamos novamente uma democracia progressista e respeitada, pois não é possível que aceitemos este golpe retrógrado e entreguista!

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ELISABET NASCIMENTO

19/04/2017 - 18h14

ELEIÇÕES EM 2018. COM A ELEIÇÃO DE LULA, O BRASIL VOLTARÁ A SER RESPEITADO NO MUNDO. COM LULA, O ESTADO DE DIREITO VOLTA A EXISTIR NO BRASIL.

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