A África celebra a memória de Chris Hani, revolucionário assassinado há 24 anos

Chris Hani foi assassinado em 15 de abril de 1993 por um imigrante polonês de extrema direita. E é certo que o imigrante polonês que assassinou Chris Hani já está em liberdade. Por Leslie Salgado

 

Por Leslie Salgado

 

Nestes dias de abril os sul-africanos comemoraram um novo aniversário do assassinato de um dos lideres anti-appartheid mais importantes da nação. Menos conhecido fora das fronteiras da Africa, mas no interior do continente, sim, é bem conhecido. Estou falando de Chris Hani.

Chris Hani foi assassinado em 15 de abril de 1993 por um imigrante polonês de extrema direita. E como consequência do assassinato de Chris Hani, foi também condenado à prisão um membro do parlamento eleito pelo então Partido Conservador. E é certo que o imigrante polonês que assassinou Chris Hani já está em liberdade.

E a vida de Chris Hani, o legado de Chris Hani foi especialmente recordado este ano por uma situação política que vive o país.

Chris Hani é recordado por ter tido também uma posição crítica no interior do ANC, Congresso Nacional Africano. Chris Hani era membro da ala armada, do braço armado do Congresso Nacional Africano.

De 1991 a 1993 foi líder do Partido Comunista Sul Africano, quando foi assassinado, como eu já lhes disse.

Um dos documentos mais importantes da vida de Chris Hani e que é seu legado, é o Memorandum de Chris Hani. E precisamente, é o documento, dizem os estudiosos, é o documento mais importante do ANC, do Congresso Nacional Africano. Documento elaborado no ano de 1969, e é um documento no qual pela primeira vez o ANC dá uma visão geral, uma visão global para o enfrentamento do apartheid.

Isso é considerado um de seus legados mais importantes. Mas quando se revisam suas declarações, parte dos seus pensamentos, há elementos que surpreendem, porque para essa época que vivemos hoje provavelmente seja mais frequente, mais comum, mas nesse momento era um pensamento bastante avançado. Por exemplo, sua intenção de incorporar a noção de gênero à luta anti-apartheid. Inclusive conversações suas com membros do MK, membros femininos do MK sobre esse tema particular, suas posições e preocupações sobre esse tema.

São alguns pontos em que se dá conta que esse era também um homem de um pensamento avançado para essa época.

E também é recordado por sua posição firme, posição radical, sempre em defesa dos mais humildes, sempre em defesa dos pobres. É por isso que se encontra entre muitos sul africanos um carinho natural, um respeito natural para com Chris Hani. Se diz que é considerado o sucessor idôneo, o sucessor natural de Nelson Mandela.

Na situação que vive a África do Sul, que também vive o mundo, de enfrentamento ideológico, de enfrentamento mais que ideológico, também militar, de ameaça à defesa da vida dos seres humanos, a vida de Chris Hani é uma inspiração. E foi um homem que se destacou entre toda uma geração de homens e mulheres sul africanos que consagraram suas vidas a lutar contra o apartheid.

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