Ricardo Darín foi destaque na Mostra Internacional de Cinema de SP.

Em seu novo thriller político, Santiago Mitre, diretor premiado em Cannes em 2015, lança na Mostra Internacional produção estrelada pelo ator Ricardo Darín, protagonista de uma trama que envolve os principais dos principais países latino-americanos, que buscam ditar novos rumos para as Américas.

 

Bom, eu tinha prometido falar sobre os destaques da mostra internacional de cinema em São Paulo, que terminou nesta semana.Pensando melhor, é dificil fazer um balanço de uma mostra que conta com 200 filmes em cartaz, em lugares diferente. É humanamente impossível assistir pelo menos metade disso. Vi alguns filmes e por sorte eu asisti coisas interessantes, principalmente do cinema latino.

 

Da Argentina veio o novo filme do Ricardo Darín, um filme do Santiago Mitre, que se chama ”A Cordilheira” . Nesse filme, Darín, interpretando o presidente da Argentina, vai para o Chile participar de uma reunião de cúpula com outras lideranças da América Latina.   

 

Essa obra, que conta com vários elementos de um thriller político, nos mostra o protagonismo do Brasil em uma reunião de integração regional onde é discutido a criação de uma empresa conjunta, uma empresa de petróleo. Os personagens estão entrando em um território perigoso como vimos acontecer no Brasil com o Pré-Sal. Como os olhos dos estrangeiros cresceram pra cá e, não por acaso, o ambiente político daqui passou a interessar a muita gente lá de fora.

 

Essa reunião tem a proposta de discutir, entre as principais lideranças latino-americans, como seria essa empresa regional, uma potência regional, no mercado de petróleo, retratando um presidente que vai sofrer todos os tipos de pressões e lobbies externos, contrariados com a criação dessa empresa. Os conchavos são apresentados. O México olhando com desconfiança para o Brasil, as pessoas chamando o presidente da Argentina para conversar nos bastidores. E, principalmente, a influência dos Estados Unidos, que não são chamados para participar dessa reunião mas estão presentes o tempo todo. Os EUA enviam mensageiros, emissários e lobistas para ganhar os votos dessas lideranças e esse presidente interpretado pelo Darín vai ficar entre o limite de suas convicções, e das pressões que dos interesses estrangeiros contrariados nesta reunião.

 

O filme transita entre um drama político e um drama pessoal pois esse presidente também está passando por uma situação delicada em sua vida. Sua filha está entrando em colapso emocional e ele quer ajudá-la, quer tê-la por perto.

 

Bastante sombrio, o filme se mostra quase de terror. Ele é todo filmado nas sombras,  chega perto do preto e branco. Com tomadas feitas sempre do alto, ele nos dá a sensação do que são essas relações de poder que te levam ao topo e a qualquer momento podemos cair. Nesse filme, o tempo todo, a gente imagina que alguém vai cair, que alguma coisa vai explodir, que algo vai detonar, são as bases que permitem que essas pessoas negociem do alto dessa cordilheira.

 

Esse é um filme que mostra como funciona os bastidores da política. Sua proposta é indagar como seria é uma reunião de cúpula quando as pessoas não estão sendo filmadas, quando se perde o aspecto teatral do líder de governo que se encontra longe das câmeras. Como essa pessoas são enquanto sujeitos normais.

 

Esse político de província, de repente, vira o presidente da Argentina. Ou seja, o filme mostra um sujeito comum diante de pressões de todos os lados, inclusive das grandes nações. Que é, em parte, a própria trajetória do ator Ricardo Darín.

 

Se você for explicar qual é o segredo desse ator, o mais conhecido do cinema argentino – amigos até brincam que ele é um viral do cinema argentino, você vai assistir um filme lá está o Ricardo Darín. E por que as pessoas gostam dele? Ele não é exatamente um galã, ele não vive no olimpo de hollywood, ele não é uma pessoa vista como inacessível, que tem uma beleza admirável e nem tem um caráter de vilão, ele não faz um tipo. Ele é exatamente isso, um sujeito comum que as pessoas se identificam. Principalmente nos filme do Juan José Campanella, com os quais ele fez os grandes trabalhos de sua carreira. “O Mesmo Amora a Mesma Chuva”, “O Filho da Noiva”, enfim. Filmes que a gente vê ali um personagem vacilante, quase bobão, um sujeito que pisa na bola, que muitas vezes é um mau namorado, um mau profissional, um mau amigo, ele pisa na bola mas é um sujeito que tem que arcar com aquelas atitudes, aí ele chora, ele vê os erros que comete na vida e a gente acaba chorando junto porque seus personagens conseguem passar essa tristeza. Ele tem um olhar triste de alguém que está sempre a ponto de explodir. A gente se identifica com ele.

 

O filme brinca um pouco com isso. É ‘um presidente interpretado pelo Darín. Um sujeito comum que vira um grande líder, e como é isso tudo? É um sujeito insosso? Ele brilha, ele tem o carisma dos outros presidentes? O que você espera de um líder além de carisma. O tempo todo esse personagem está sendo pressionado por essas razões. É uma pessoa que tem dificuldade de legitimar, de justificar, a própria popularidade.

 

Então, é um filme que tem todos esses elementos e pra quem gosta de teorias da conspiração, que não são tão teóricas assim, é um filme ótimo pra gente sair do cinema com a cabeça desgraçada.

A gente sabe como os interesses externos, aqui no Brasil, foram determinantes para nossas crises internas também.

2 Comentários

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valdir freire

04/11/2017 - 17h49

Discordo da critica em relação ao ator Darin e seu personagem. Darin é um excepcional ator tanto no cinema como no teatro. Ele faz o bom moço e o bandido, o inteligente e o ignorante, o triste e o alegre com a mesma intensidade.Ele pode ser uma pessoa detestável como no filme o”O conto chinês” ou ser uma pessoa totalmente naif, como na peça ateatral “Art”. Quanto ao personagem de “Cordilheira”, Darin não leva a filha para a cordilheira para ter sua companhia. O presidente leva a filha para matar o genro. É um personagem do mal neste filme.

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