BocaLivre: quais as melhores e as piores cervejas pra se beber no Brasil

Em bate-papo com Carlos Alberto Dória, colunista do Nocaute, a sommelier de cerveja Bia Amorim revela boas dicas para se apreciar as melhores cervejas do Brasil. Bia é especialista em cervejas artesanais e criou sua própria cerveja.

Dória: Nós estamos aqui hoje com a Bia Amorim, conhecida nas redes sociais como a Bia Sommelier. Ela fez hotelaria no Senac, com especialização em cerveja, sommelier de cerveja, e nós vamos conversar exatamente sobre cervejas. Bia, o brasileiro bebe muita cerveja?

Bia: O brasileiro bebe bastante cerveja, acho que ainda ele não aprendeu o quão bem ele pode beber, mas ele já bebe bastante.

Dória: Em quantidade expressiva mundialmente?

Bia: É uma quantidade expressiva. A gente como consumo per capta não somos os maiores, mas já estamos chegando lá. Nós somos o terceiro maior produtor de cerveja no mundo.

Dória: O que é uma boa cerveja? O que é uma cerveja ruim?

Bia: Tem uma questão do que é uma boa cerveja pra você hoje, em termos de onde você está, com quem você está e o quanto você pode pagar por essa cerveja. Acho que uma boa cerveja é uma cerveja que vai trazer pra gente algo que é relaxar, é descontração. É uma cerveja que se ela não tem defeitos, ela não estraga o seu momento. É uma boa cerveja.

Dória: Agora um ponto importante que acho que você colocou, é a questão do preço né? As boas cervejas hoje são caras, as ditas artesanais são caras, e as cervejas populares você vê em qualquer bar assim, anunciando sempre mais barato, um dois centavos mais barato. Há uma concorrência muito grande.

Bia: A questão da cerveja, do preço da cerveja, é ainda algo que a gente está trabalhando. Primeiro que paga-se muito imposto na cerveja, mais da metade do preço que a gente paga em uma cerveja é de imposto, então temos essa questão. A segunda questão é que a maior parte dos produtos, a matéria-prima que a gente adiciona na cerveja, ou seja, os ingredientes são quase todos importados, basicamente a gente tem quatro ingredientes: água, malte, lúpulo e levedura.

Água, a gente tem. Malte, a gente só tem parte do malte que a gente usa. O restante a gente tem que importar. Lúpulo não se fabrica no Brasil, então todo lúpulo utilizado na cerveja a gente precisa importar. E a levedura, está sendo trabalhado uma levedura brasileira mas a gente não tem assim com força, então a gente também tem que importar a levedura.

Juntando tudo isso o preço da cerveja é formulado e acaba ficando caro. Se a gente for considerar uma cerveja artesanal os custos não são tão diluídos. Então, pouca produção um produto mais caro, grande produções um produto mais barato.

A gente tem que tomar muito cuidado com essa questão de cerveja boa é uma cerveja cara. Se não a gente vai elitizar a cerveja, assim como a gente elitizou o vinho. Digo a gente a história elitizou o vinho. A cerveja não é pra ser um produto elitizado, é pra ser um produto de mais fácil acesso. Então a cerveja hoje está mais cara, mas ela também está melhor.

Dória: Então você acha que o xixi de gato é uma virtude?

Bia: (risos) Não, não acho que o xixi de gato é uma virtude.

Dória: O cara chega no bar, encosta e toma um engradado de cerveja de xixi de gato, na verdade esta é uma forma esquisita de se apropriar do álcool. Era melhor ele tomar uma cachaça, não?

Bia: Então, aí a gente tem que entender como é que o álcool entra na vida da pessoa. Qual que é o propósito? É tomar uma cerveja em que você vai apreciar? Olha que cerveja aromática, isso é um lúpulo, isso aqui tem um maltado. Se você está buscando pelo malte, e você está tomando uma cerveja mainstream, você não vai encontrar. Se o cara está tomando como um alento, como um fôlego pro dia a dia, aquela cerveja que depois do trabalho é a forma dele fugir um pouco do cansaço, dos problemas. O cara não quer saber se tem milho, se tem arroz, o que é malte, o que é cevada, o que é lúpulo. Ele quer o álcool.

Dória: Quer que bata né?

Bia: E aí a cerveja mainstream é o que ele precisa. Ela não traz tantas informações sensoriais, ela é uma cerveja muito mais aguada. Ou seja, ele pode manter ali o exercício, um esporte, que a cachaça, por exemplo, talvez não dê pra ele, que é o levantamento de copo né? A gente podia pedir uma cerveja.

Dória: Sim, por favor.

Você tem contraposto aí a cerveja mainstream e a cerveja artesanal né? Então, vamos ver, vamos tentar essa cerveja que está mais na área gourmet. Que está na moda, que é a cerveja cheia de aroma, cheia de sabores e que virou uma moda. Nós estamos aqui numa brasserie que é em termos parisienses aonde se toma cerveja também, não é? Uma casa como essa, essa brasserie não seria pensada dez, quinze anos antes. Então, essa moda de tomar cerveja artesanal, eu tenho a impressão que isso briga mais com o vinho do que com a velha cerveja industrial. O comportamento que se exige para tomar a cerveja artesanal é de uma formação mais sofisticada, de identificar sabores, aromas, como você bem disse. Não é fácil tomar cerveja artesanal, não é? Agora eu te pergunto o que é uma cerveja artesanal?

Bia: Saúde né? Primeiro.

O que a gente chama de cerveja artesanal hoje, que a gente toma nos bares, essa cerveja que tem crescido, ela não é uma cerveja de artesão. Ela é considerada artesanal pelos processos, ou seja, ela segue uma ordem dos processos sem alterar a questão natural deles. A fermentação, as leveduras, que são quem realmente trabalham numa cervejaria. São as leveduras que vão comer os açúcares do mosto e transformar isso em álcool.

O processo da levedura continua sendo artesanal no sentido que ela vai trabalhar ali no tempo dela, os ingredientes também, são pensados em ingredientes de qualidade, não trocando os ingredientes por ingredientes mais baratos.

A cerveja artesanal não é a cerveja que quer baratear, é a cerveja que quer entregar um produto de qualidade.

Dória: A Bia, não por acaso, é da capital da cerveja, ela é de Ribeiro Preto. Bia, Ribeiro Preto tem a fama do Pingüim, um bar da melhor cerveja Brahma que era né?

Bia: Antártica.

Dória: Antártica, perdão. E que hoje foi vendido etc, e teve a fama também da cerveja Colorado né? Que foi comprado pela Ambev. Você teme pelo futuro da Colorado?

Bia: Começando pelo Pingüim. O Pingüim acho que tem oitenta anos né? Fez a fama em cima de um chopp muito fresco, que apesar de um chopp muito industrial, que é uma fábrica muito grande lá em Ribeiro, ele era tão fresco e bem tirado, naquela choppeira com gelo, enorme, linda, que ele criou ali um mito. Em que as pessoas, em uma cidade vulcânica que nem Ribeiro Preto que meia-noite está fazendo vinte e seis graus, têm uma sede é muito grande. Então o Pingüim se colocou muito bem na cidade.

A gente tem uma água muito boa. Por conta da fama da cidade, a Colorado, que foi fundada por um carioca, foi para Ribeirão Preto e aí foi aos pouquinhos, ao longo dos anos se colocando no mercado nacional. É uma das primeiras cervejarias que a gente considera artesanal no Brasil, e aí é comprado pela Ambev que é uma grande.

O que acontece? Na minha opinião, a Colorado hoje vai conseguir pelas mãos da Ambev chegar em muito mais lugares. A gente espera só que não perca essa alma de pequena empresa. O que é difícil né? Quando a indústria chega a gente perde um pouco o que a gente chama de essência. Mas acho interessante, acho que acaba chegando com um preço muito mais favorável. Então a gente sai um pouco da cerveja artesanal cara, para chegar a uma cerveja artesanal que seja mais acessível.

Dória: Quer dizer tem uma pedagogia aí, que você acha que vem junto com a compra da cervejaria pela Ambev.

Bia: É o que a gente espera, que a indústria não transforme uma pequena fábrica em algo sem valor algum em termos sensoriais e de conceitos.

Dória: Agora você olha para a câmera da verdade, e diga qual a melhor cerveja do Brasil? E qual a pior cerveja do Brasil?

Bia: (risos) A pior cerveja sinceramente deve ser a Antártica sub 0, eles filtram tanto aquilo, que fica um negócio aguado, não sei, não é bom.

A melhor cerveja eu costumo dizer que é aquela que é feita mais próxima à você, ou seja, em Ribeiro Preto, que é onde eu vivo. A melhor cerveja é aquela que eu posso tomar mais fresca. Diria que hoje, pra mim, a melhor cerveja que tem em Ribeirão é a cervejaria Pratinha, que faz uma cerveja muito fresca, muito boa. Tecnicamente muito bem feita, mas ela é muito pequeninha ainda né? Então acaba sendo um pouco injusto eu falar que a melhor cerveja do Brasil inteiro, é uma cerveja que é muito indisponível para as pessoas, mas é a melhor cerveja. (risos)

Obrigada Dória.

Dória: Eu quem agradeço.

6 Comentários

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Márcio Ribeiro de Abreu

26/10/2017 - 17h25

O cara não sabe nada de cerveja só falou merda

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GERSI CARLOS FERNANDES

12/03/2017 - 03h34

MUITO PAPO FURADO SEM OBJETIVO. A CIDADE E´ RIBEIRÃO PRETO

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Leitor cansado

24/12/2016 - 18h22

Duro de ler essa transcrição, bem melhor ter filmado, simples e evitava pagar quem transcreveu tudo isso. Por fim, li até o final para saber qual a opinião dá melhor cerveja e ela fala Pratinha, aff. Sobre a Antarctica sub zero é ruim mesmo, mas é baratissima, o povão no MS tem tomado muito dela e a Conti. Abraços.

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GILVAN

24/12/2016 - 12h48

Gostaria que tivessem discutido mais a questão dos cereais maltados X não maltados. Fica para outra conversa de balcão com a linda mestre cervejeira.

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Cláudio Pereira

24/12/2016 - 04h29

Na transcrição do papo, que tal tirar os fáticos, né? Porque fica muito chato ler com um monte de “né”, né? Ou então, transcrevam também até as gargalhadas, né? Assim como as gaguejadas, repetições, né? Porque assim vai ficar mais fiel, né? Desce mais uma bem gelada, tá?

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    leitor

    24/12/2016 - 12h00

    Cara chato da p*rra, né?

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