Pastor Ariovaldo Ramos: a palavra, a imagem, a comunicação, a intenção. Estes temas são absolutamente complexos e convergentes.

Toda sociedade vive da palavra. Se a palavra é usada para o engano e a manipulação a sociedade se esboroa...

 

A palavra, a imagem, a comunicação, a intenção.

Estes temas são absolutamente complexos e convergentes.

Me remetem ao irmão de Jesus de Nazaré, Tiago, presbítero da Igreja em Jerusalem, que ensinou sobre como a palavra pode ser o grande instrumento do engano.

Isso é muito complicado para a fé cristã, pois, esta afirma que tudo foi criado a partir da palavra.

 

E, de fato, a sociedade é urdida pela palavra.

 

Toda sociedade vive da palavra. Se a palavra é, portanto, deliberadamente, usada para o engano e a manipulação, a sociedade se esboroa, e passa a ser serva dos articuladores da mentira.

 

De modo que a palavra nos é sagrada.

 

Acontece, porém, que a palavra é serva, porque a palavra não fala, a palavra é dita.

E é dita de muitas formas, entre elas, por meio da imagem, que é uma comunicação que acredita que o receptor vai entender quando vir, e claro, vai entender o que se quer que seja entendido.

Por detrás de toda a comunicação está uma intenção.

Não são poucos os que se debruçaram a chamar-nos a atenção para isso.

 

Mcluhan, por exemplo, nos disse que o meio é a mensagem, o que nos chama a atenção não apenas para o que foi dito, mas, como foi dito e por que meio.

Orwell (pseudonimo de Arthur Blair) nos alertou para a novilingua, a forma como o “grande irmão”, o estado absoluto, reinventa a palavra com o intento de manipular o povo ignaro para seus propósitos autoritários.

Keyes, mais recentemente, nos despertou para o que está sendo chamado de pós-verdade, o uso da comunicação que incrimina de forma eficaz, sem necessidade de comprovação, graças a maneira como é formulada.

 

Hoje, no Brasil, temos vivido essa realidade da manipulação de forma impressionante, a palavra dita, não tem mais o peso da credibilidade.

O tempo todo temos de nos debruçar sobre o que nos dizem os meios de comunicação, principalmente, os grandes e mais efetivos meios de acesso à massa, uma vez que a informação, pura e simples, não está mais no horizonte do veiculo, em questão.

 

Isto é de malignidade sem par, pois, coloca tudo e todos, o tempo todo, sob suspeição , porque propõe um padrão para qualquer comunicação, o da intenção maculada pelo projeto de poder.

Mas, pior do que esse desvio, é quando ele deixa de ser um desvio, e passa a ser uma norma utilizada por aqueles que deveriam ser os fieis da balança da credibilidade.

 

No caso do Brasil, falamos do judiciário, que parece ter deixado de ser o fiel, para se tornar mais uma fonte comprometida da comunicação de massa.

Isto coloca sob suspeição posturas, decisões e métodos.

 

Quando um juiz decide que o fim de um acordo que beneficiava trabalhadores, imediatamente, os deixa a deriva, pois, o direito conquistado passa a deixar de valer; quando o TRF diz que no que deveria ser a aplicação da lei, cabe o uso da exceção, que, como deve ser sempre lembrado, por ser exceção pode ser qualquer ato; quando um político, mesmo o mais odiado, é preso de forma espetaculosa; não sabemos mais o que está acontecendo, e, pior, que recado está embutido no conjunto do ato, ou seja, não sabemos mais sobre a intenção do judiciário.

 

O judiciário que deveria ser o ajuizador, parece, ter-se tornado em mais um agente da novilingua ou da pós-verdade, dada a mensagem inerente aos meios que passou a utilizar.

Nosso luto, vem do verbo lutar.

 

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