Parem de reclamar das pessoas! O problema é o sistema

A gente vai ter que começar do começo. Qual é o começo? O começo é: era uma vez pessoas, então fez-se a propriedade privada.

Vamos falar a verdade? O problema não são as pessoas. Vamos parar com isso? Enquanto a gente ficar caçando um indivíduo e você ficar colocando toda a culpa do mundo no Lula, ou toda a culpa no Aécio, ou toda a culpa no Moro ou em qualquer que seja, não vai adiantar.

A gente não vai caminhar, a gente não vai andar. A gente vai ficar replicando pós-verdade, sejam as verdades da Globo, ou sejam as notícias manipuladas dos sites de notícias falsas da esquerda. Vamos parar de ser ingênuos: dos dois lados tem manipulação, e a gente está perdido no meio disso, sem saber o que é verdade ou não.

Vamos voltar para as raízes. O que é que a gente tem que de fato olhar que está acontecendo e que a gente tem que combater.

A gente tem que combater uma política e um sistema judiciário que estão pautados pela economia. Mas não uma economia que visa à redistribuição de renda, ou visa a diminuir a desigualdade social. É uma economia que atende aos interesses das grandes empresas, das grandes coorporações, das pessoas que sempre mandaram no mundo. Não vou ser nem tão radical – que sempre mandaram no Brasil.

O Brasil está sempre sendo conduzido pela mesma oligarquia econômica. É muito provável que a gente passe os próximos 20 anos reclamando, ou refazendo o que a gente não deveria ter parado de fazer, que é combater as grandes corporações. Conscientizar todo mundo de que o problema é este.

A gente tem uma tarefa um pouco mais difícil porque a gente avançou alguns anos no individualismo e no neoliberalismo, mas não é impossível.

Parar de personalizar a corrupção, seja no Aécio, seja no Lula, seja no Moro ou seja em qualquer um e olhar para o sistema.

Senão, a gente vai tirar essas pessoas e o sistema vai continuar corrupto, porque vão vir outras pessoas, igualmente corruptas porque o sistema que faz elas chegarem lá já é corrompido na sua fonte. Então, ou a gente começa da base, ou a gente não vai ter para onde ir.

A gente não vai conseguir se mexer, a gente vai conseguir reclamar, ficar vendo privatizarem o nosso país, ficar vendo tirar os nossos direitos e a gente só vai poder ficar falando “Ah, também, eu bem que avisei que eu votei em ‘tananã’ – preencha seu candidato”. Para, gente, parece aquela motoquinha do “eu te disse, não disse?”, daquele desenho dos anos 80.

Quem não se convenceu até agora que a gente tomou um golpe não será convencido. Se a pessoa acha que não é golpe, ela vai continuar achando que não é golpe. Tem gente que achou que não era golpe em 1964. Nós não vamos convencer essas pessoas.

A gente vai ter que começar do começo. Qual é o começo? O começo é: era uma vez pessoas, então fez-se a propriedade privada. Vai ter que ser isto. A gente vai ter que começar do zero. Porque senão, vai ser só mais dois cegos furando o olho um do outro.

4 Comentários

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getulio

06/07/2017 - 07h06

Bater na mesma tecla: gnorância reina!

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C.Poivre

05/07/2017 - 19h05

Alemães dão o exemplo para o mundo e protestam contra o sistema:

https://www.youtube.com/watch?v=HbXo_0xuFB0

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Zelito Sampaio

05/07/2017 - 13h16

Ótimo vídeo , segue um artigo na mesma linha
http://www.escoladegoverno.org.br/artigos/5340-a-nostalgia-monarquica-e-a-cidadania-ativa

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Adelia Sylvia Penna Ramos

05/07/2017 - 13h05

terrivelmente lúcida!

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