Temer é acusado de comprar votos para se livrar da denúncia na Câmara

Presidente estaria usando emendas para convencer os deputados indecisos a rejeitar a denúncia contra ele; Bolsonaro, Aécio e Cristovam Buarque são os parlamentares que lideram a lista de beneficiados

O Poder Executivo liberou R$ 4,2 bilhões em emendas no mês de junho de 2017. O número é quatro vezes maior do que a soma do valor liberado entre janeiro e maio de 2017, cerca de R$ 1 bilhão, segundo um levantamento feito pela agência de notícias Reuters. Para os deputados federais Paulo Pimenta (PT-RS), Wadih Damous (PT-RJ) e Paulo Teixeira (PT-SP), trata-se de uma estratégia do presidente Michel Temer para comprar votos dos indecisos na Câmara, escapar da investigação e se manter no cargo até 2018.

Os deputados formalizarão a denúncia junto à Procuradoria-Geral da República na quarta-feira (5/7).

Wadih, Pimenta e Teixeira (Foto: PT na Câmara)

“Justamente na data em que a CCJ da Câmara dá início ao processo contra Temer, ele passa o dia recebendo deputados indecisos. Está evidente que ele está usando a máquina do governo para comprar votos e fazer chantagens e pressão sobre parlamentares”, afirma Paulo Pimenta.

Na reportagem sobre as emendas, a Reuters escreve: “A liberação de emendas é um dos mecanismos mais tradicionais que os governos lançam mão para garantir a fidelidade da base aliada”.

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Denunciado por corrupção passiva pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Temer precisa garantir que o apoio à autorização para o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar se recebe a acusação criminal contra ele não chegue aos 342 votos necessários.

Quem recebeu mais

O deputado mais beneficiado pelas emendas é Jair Bolsonaro (PSC-RJ), com 18,5 milhões de reais no primeiro semestre de 2017. Entre os senadores, Aécio Neves (PSDB-MG), com 18,4 milhões de reais no mesmo período.

Com 17,7 milhões de reais, o terceiro lugar em pagamento de emendas é o senador Cristovam Buarque (DF), do PPS, partido que chegou a pedir a renúncia do presidente e ensaiar um abandono da base após as delações da JBS, mas recuou e segue aliado ao governo com o objetivo de aprovar as reformas trabalhista e previdenciária.

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O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), eventual substituto de Temer em caso de afastamento do cargo se a denúncia for recebida, foi o 26º da lista, com 14,1 milhões de reais em emendas.

Segundo apurou o jornal O Globo , a maioria dos deputados (197) ainda não declarou como vai votar e 74 dizem estar indecisos.

Um comentário

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José Eduardo Garcia de Souza

05/07/2017 - 14h09

Além de bufões e mentirosos compulsivos, Paulo PImenta e Wadih Damous parecem ter memória altamente seletiva já que “esquecem-se” de quando Lula “acampou” em hotel de Brasília oferecendo o que fosse a deputados para impedir o impeachent da ex-presidente Dilma…

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