Tacla Durán: “Procuradores ameaçaram minha família para conseguir delação”.

Os deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Wadih Damous (PT-RJ) divulgaram o áudio da entrevista que fizeram com o ex-advogado da Odebrecht.

Os deputados Paulo Pimenta e Wadih Damous, integrantes da CPI da JBS, foram a Madri, Espanha, e ouviram o ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Durán, processado pela Operação Lava Jato por lavagem de dinheiro.

O áudio foi protocolado na CPI e Durán será ouvido pelos parlamentares por teleconferência.

Na entrevista, ele diz  que foi constrangido pelos procuradores da Lava Jato a fazer delação premiada. Para isso, os agentes teriam ameaçado incluir a irmã do advogado nas investigações.

Durán diz que as tentativas de delação seguem um padrão de selecionar fatos “do ponto de vista da verdade que a operação quer construir”:

  • No meu caso, como eu trabalhei muito com a Odebrecht no exterior, eu tinha uma situação de ter mais informação do exterior, isso também nunca foi do interesse deles. O interesse deles é voltado ao Brasil, e principalmente voltado a políticos.

O advogado afirma também que o Ministério Público aceitou documentos falsos, como extratos apresentados pela Odebrecht durante a delação, supostamente emitidos pelo Menl Bank.

A transcrição da íntegra foi feita pelos sites DCM e GGN e segue abaixo:

 

A TRANSCRIÇÃO DO ÁUDIO

 

Nós estamos aqui em Madri. Eu, deputado Paulo Pimenta, deputado Wadih Damous, juntamente com o Dr. Rodrigo Tacla Durán, e seu advogado, Emílio Naranjo, para buscarmos uma série de informações relativas a questões relevantes sobre a conjuntura do Brasil, que têm sido recorrentes objeto da atenção da imprensa, do País, a partir de informações prestadas pelo advogado Rodrigo Tacla Durán.

 

QUEM É RODRIGO TACLA DURÁN

 

Deputado Wadih: Rodrigo, os procuradores da chamada Operação Lava Jato sustentam que o senhor, na verdade, não atuava como advogado, o senhor não prestava serviço de advocacia à empresa Odebrechet, que seriam serviços de lavagem de dinheiro. O senhor pode esclarecer esta afirmação para nós? O senhor efetivamente prestava serviço de advocacia para a empresa Odebrecht?

 

Tacla Durán: Sim, eu trabalhei como advogado da Odebrecht de 2011 a 2016, é público que eles solicitaram a banco a abertura de conta para pagar meus honorários. E eu estou, inclusive, hoje respondendo a um processo de ética no Tribunal de Ética da OAB de São Paulo, justamente em razão de suposta violação de sigilo profissional. Isso não aconteceria se eu não tivesse trabalhado, de fato, como advogado da empresa.

 

Damous: O senhor recebia honorários da empresa pela prestação de serviços advocatícios?

 

Tacla Durán: Correto.

 

Damous: Esses honorários eram declarados para o imposto de renda brasileiro?

 

Tacla Durán: Todos. Todo o meu patrimônio no Brasil e no exterior foram declarados à Receita, inclusive os honorários que eu recebia da Odebrecht no exterior. Tanto é verdade que, depois de dois anos de fiscalização, eu não fui multado, não tive nenhuma sanção da Receita Federal.

 

Pimenta: Consta dos registros contáveis da construtora Norberto Odebredht pagamentos mensais de aproximadamente 10 mil reais ao seu escritório. Que pagamentos são esses?

 

Tacla Durán: Esse pagamento de valor aproximado de 10 mil reais não foi pago ao meu escritório, foi pago à minha pessoa física. Ele consta da minha declaração de imposto de renda pessoa física. E na verdade se trata de recebimentos de aluguéis, uma vez que eu alugava um apartamento de minha propriedade em São Paulo, para uso de seu Hilberto Silva, que era custeado, pago, pela Odebrecht.

 

Damous: Quem é Hilberto Silva?

Tacla Durán – Hilberto Silva era diretor da Odebrecht, diretor que coordenava o Departamento de Operações Estruturadas, meu superior hierárquico.

 

Pimenta: O apartamento que o senhor Hilberto Silva alugava em São Paulo, a empresa Odebrecht alugava diretamente do senhor?

 

Tacla Durán: Sim. Por isso, as acusações que me fazem, de doleiro, etc., não têm o menor cabimento porque jamais você iria alugar o apartamento do seu doleiro.

 

Pimenta: Evidentemente que esse pagamento, por si só, revela uma relação formal pública entre a empresa Odebrecht e a pessoa física do senhor.

 

Tacla Durán: Sim.

 

Pimenta: É atribuída ao senhor a propriedade de doze empresas. Essas empresas controladas, ou de propriedade do senhor, o senhor confirma a existência de todas essas empresas?

 

Tacla Durán: A existência sim, nem todas são de minha propriedade. Isso já foi, inclusive, esclarecido, porque a Odebrecht… Essas doze empresas foram declaradas pelo sr. Vinícius Borin.

 

Damous: Quem é o senhor Vinícius Borin?

 

Tacla Durán: Vinícius Borin foi um testa de ferro da Odebrecht como acionista do Meinl Bank Antígua. Ele declarou que havia doze empresas de minha propriedade. Na realidade, não são doze, são seis.

 

Damous: Quais são?

 

Tacla Durán: As minhas empresas são Vivosant Corporation, que não é offshore, é uma empresa espanhola, cuja tributação é inclusive mais cara que a do Brasil. A GVTEL, idem, é uma empresa espanhola, não é offshore, a Ocean, a Cumberland, a Bonarda, e a Nevada, e Discovery.

 

Damous: As demais não são suas.

 

Tacla Durán: Não são minhas. A Vivosant é uma empresa holding, está aqui o manual, as demais são subsidiárias delas. Estão declaradas tanto no imposto de renda pessoa física quanto da CBE (Capitais Brasileiros no Exterior) do Banco Central Brasileiro.

 

Pimenta: As demais empresas o senhor reconhece?

 

Tacla: Essas outras empresas são de pessoas ligadas ao Meinl Bank.

 

Pimenta: Nicolas James Baker?.

Tacla: Nicolas James Baker é genro do Thimoty Lee. Thimoty Lee é amigo do Luiz França, um dos acionistas do Meinl Bank, inglês. Thimoty foi, ou é, testa de ferro das empresas offshore da Odebrecht. O Thimoty é inclusive proprietário do domínio web do Meinl Bank Antígua.

 

Pimenta: Importante que a gente consiga obter mais informações do Meinl Bank Antígua. O Meinl Bank é um banco que já existia nas Antígua. Ele já prestava serviços para a Odebrecht antes da mudança de seu nome, do banco?

 

Tacla: Eu não tenho conhecimento para te falar isso com precisão porque, nessa ocasião, eu não trabalhava para a Odebrecht. Mas entendo que não. Essa relação começou a partir da aquisição do banco.

 

Pimenta: Como se deu esse processo de aquisição do banco?

 

Tacla: Eu soube, já trabalhando na defesa, que foi comprado pelo Luiz França, pelo Vinícius Borin Marco Bilinski, Olívio Rodrigues, e pelo Luiz Eduardo Soares e Fernando Migliaccio, esses dois já vinculados diretamente à Odebrecht e, então, eles não apareciam no quadro de acionistas do banco. E, ao meu ver, e eu fiquei sabendo, a Odebrecht sequer sabia que eles eram sócios desse banco.

 

Pimenta: Foi adquirido um banco em Antígua para operar internacionalmente para a Odebrecht e parte dos acionistas desse banco era de executivos da própria Odebrecht…

 

Tacla: Sim, correto. Na verdade, esse time, esses seis nomes que estamos falando, eles operam aí juntos há muitos anos. Antes do Meinl Bank, eles trabalhavam via Antígua Overseas Bank (AOB), que era o mesmo sistema. Esse banco teve um problema de liquidez e foi o que levou eles a adquirir um novo banco. Inclusive essa relação desses seis personagens veio de antes do AOB, prestando serviços para inúmeras empresas, bancos, para a Odebrecht. Uma relação de mais de dez anos aí. Eles são sócios. Eles são funcionários da Odebrecht os dois, os outros não, prestam serviço para a Odebrecht em razão dos dois, mas na verdade eles têm um negócios à parte, em sociedade.

 

EXTRATOS MONTADOS

 

Pimenta – Parte deles são delatores da Odebrecht?

 

Tacla: Os dois: Fernando Migliaccio e Luiz Eduardo Soares.

 

Pimenta: Os extratos apresentados pela Odebrecht na sustentação das delações, emitidos pelo Meinl Bank…

 

Tacla: Não, não foram emitidos pelo Menl Bank. Aqueles extratos não são do padrão do banco. Pelo menos os que eu vi. Aqueles a que eu tive acesso. Não são do padrão do sistema do banco. Tem incongruência do sistema de datas. Tem incongruências de referência, de descrição de movimento.

 

Pimenta: O senhor afirma que aqueles extratos apresentados pela Odebrecht e aceitos pelo Ministério Público na delação da Odebrecht…

 

Tacla: São montados.

 

Pimenta: Não são extratos do padrão do Meinl Bank?

 

Tacla: Não.

 

Damous: O que leva o senhor a afirmar isso?

 

Tacla: Porque eu tenho contas no Meinl. As minhas contas no Meinl foram declaradas. Eu tenho os  extratos verdadeiros, como o sistema emitia os extratos. Usei esses extratos em diversas situações legais porque minhas contas, ao contrário do que eles alegam, eram declaradas. E me estranha muito que eles tenham declarado que minhas contas são irregulares porque eles têm perfeito conhecimento de que o dinheiro chegava na minha conta no Meinl Bank Antígua via Banco Central do Brasil. Saía, debitava da minha conta no Banco Itaú, eu enviava o contrato de câmbio fechado com o Banco Itaú e ele sabia muito bem que a conta era de minha propriedade. Inclusive eu sempre documentei isso.

 

Damous: Perfeito. Em relação à sua conta, a seus extratos. Mas, em relação a terceiros, o senhor pôde verificar pelo padrão de emissão de extratos dos bancos que aquele que foi apresentado aos procuradores e os procuradores aceitaram como verdadeiros são planilhas de extratos falsos?

 

Tacla: Sim. Além dos extratos verdadeiros que são os da minha conta, tem outras incongruências, como movimentação na mesma data quando as pessoas já estavam presas e o sistema do banco travado. Ou seja, não era possível ter a movimentação.

 

Damous: O senhor pode apresentar algum caso concreto que o senhor pode constatar ao verificar esses documentos?

 

Tacla: Em um dos inquéritos que estão correndo no Supremo Tribunal Federal, um dos anexos apresenta um extrato que tem uma determinada data que tem saldo positivo. No mesmo anexo, juntado por um delator, no mesmo inquérito, o saldo está negativo. Com a mesma data. Ou seja.

 

Damous: Quem era o delatado?

 

Tacla: Os delatados eram o deputado Pedro Paulo, o ex-prefeito Eduardo Paes e, se não me engano, o senador Humberto Costa. Esse extrato só poderia ser verídico se houvesse movimentação nessa data, no mesmo dia, entre a emissão de um extrato e outro. Entretanto, essa movimentação é impossível. Primeiro porque as contas deveriam estar bloqueadas devido aos crimes, e de fato estão. Segundo porque o beneficiário das contas estava detido em Curitiba.Terceiro porque ninguém mais movimentava conta nesse banco porque o sistema estava totalmente travado. Então era impossível haver movimentação nessa data.

 

Damous – Nós poderíamos chegar à conclusão de que se trata de uma tentativa de comprometer essas pessoas?

 

Tacla Durán – Sim, como com relação a mim próprio.

 

Pimenta – Se fosse fornecida a documentação original do Meinl Bank, ficaria evidente que esses extratos são falsos?

 

Tacla Durán — Correto. Entretanto, o sistema do banco também foi fraudado para impossibilitar o tracking (rastreamento) do dinheiro.

 

Pimenta — Na medida em que sócios do banco são também executivos da Odebrecht.

 

Tacla Durán — Aí havia interesse duplo. Um dos interesses era atender a empresa. Qual o interesse da empresa? Cortar o tracking do dinheiro. O dinheiro, a origem era da Odebrecht e tinha saída para um determinado pack estrangeiro ou o que seja. Com a fraude que foi feita no sistema, é inviável, como é inviável se rastrear o dinheiro, do momento que entrou, por exemplo a Odebrechet, até a saída ilegal. Então não dá para saber que a saída ilegal que aconteceu tem como origem a Odebrecht. Esse tracking foi cortado. E outro interesse que aí existe, é interesse deles próprios, evidente que havia dinheiro nessas contas e ninguém vai lá reclamar. E eles tiveram oito meses entre a delação do Vinícius e a intervenção no banco para movimentar. E mesmo antes da delação, houve um tempo para a movimentação.

 

SUBORNO A AUTORIDADE DE ANTÍGUA

 

Pimenta – O suposto pagamento ao primeiro ministro de Antígua (Gaston Alphanso Browne) teria por objetivo também omitir informações a respeito da movimentação do Meinl Bank?

 

Tacla Durán — A idéia…

 

Pimenta — Aconteceu esse pagamento?

 

Tacla Durán — Sim, aconteceu. A ideia era brecar a resposta à cooperação jurídica formulada pelo Brasil.

 

Pimenta — A respeito da transação do Meinl Bank.

 

Tacla Durán — Correto.

 

NEM TODAS AS CONTAS FORAM REVELADAS PELA OPERAÇÃO LAVA JATO

 

Pimenta — No caso da suspeita de que em determinadas delações são obtidas informações a respeito de contas como uma estratégia de negociação, onde o delator recebe determinados benefícios, entre eles a proteção de contas, envolve também essa movimentação no Meinl Bank?

 

Tacla Durán—Tem contas no Meinl Bank que, por exemplo, eu não vi reveladas na delação do Vinícius. Isso a própria Polícia Federal já constatou.

 

Damous — Por exemplo?

 

Tacla Durán — Por exemplo, de uma pessoa que é vinculada ao presidente do Panamá (Michelle Lasso). Não foi vinculado ali.

 

LAVA JATO ESCONDEU CONTA DE JOÃO SANTANA NAS ILHAS CAYMAN

 

Pimenta — Mas, sobre as delações no Brasil, você já ouviu falar na conta Deltora Company?

 

Tacla Durán— Sim, mas Delatora é uma offshore (Deltora Entrerprise Group) que não tinha conta no Meinl Bank. Tinha conta em outro banco, nas Ilhas Cayman.

 

Pimenta — Chaobin (grafia pode estar incorreta) também operava em banco nas Ilhas Cayman?

 

Tacla Durán — Não, Chaobin era conta, se não me engano, na Suíça.

 

Damous — Deltora é vinculada a quem?

 

Tacla Durán — João Santana.

 

Damous — Publicidade João Santana, e a mulher,  Mônica Moura.

 

Tacla Durán — Sim.

 

Damous — E essa conta, Deltora, ela não aparece na delação da Mônica Moura e João Santana?

 

Tacla Durán — Não que eu tenha tomado conhecimento. Tudo que eu li, no que foi público, não vi nada mencionando.

 

Pimenta — E a conta Alpha Internacional Company, o senhor conhece?

 

Tacla Durán — Não, essa não.

 

Pimenta — E a Shellbill?

 

Tacla Durán — Shellbill faz parte de uma planilha que me pediram para fazer um estudo e buscar os beneficiários finais.

Pimenta — E, além da Shellbill, apareceu outra conta nesse estudo da planilha?

 

Tacla Durán — Sim. A Deltora e mais duas, uma pessoa física e outra pessoa jurídica.

 

Pimenta — Era João Santana…

 

Tacla Durán — Sim, essa conta era de contas vinculadas a pessoa de João Santana.

 

Pimenta — Essa planilha envolveu quatro contas.

 

Tacla Durán — Quatro contas.

 

Pimenta — E na delação aparece só a Shellbill.

 

Tacla Durán — Até hoje eu só vi a Shellbill.

 

ODEBRECHT PEDIU A TACLA DURÁN PARA RASTREAR CONTAS: QUERIA PRESSIONAR DILMA ROUSSEFF

 

Pimenta — As outras duas contas não apareceram?

 

Tacla Durán — Não.

 

Pimenta — Mas, nessa planilha que o senhor elaborou, elas aparecem.

 

Tacla Durán — Não, não fui eu que elaborei. Foi alguém do Departamento de Operações Estruturadas, uma das moças lá, eu não me lembro, acho que a Ângela, não me lembro, eu tenho o arquivo com o original.

 

Pimenta — O senhor tem  arquivo original dessa planilha.

 

Tacla Durán —Sim, tenho.

 

Pimenta — Onde aparecem as outras quatro contas.

 

Tacla Durán — Sim. Quando eu não consegui localizar o beneficiário final das contas e relatei isso ao Hilberto, ele ficou muito chateado, porque, aí sim, ele me colocou que era o pagamento ao João Santana, que era muito importante a gente conseguir isso, porque a ideia da Odebrecht era pressionar a presidente Dilma, através dessa informação, a paralisar as investigações ou coisas nesse sentido.

 

Pimenta — A Odebrecht, de posse das informações de pagamentos a João Santana, usava essas informações para pressionar lideranças de outros países e foi também usada contra a presidenta Dilma? Chegou a ser utilizado?

 

Tacla Durán — Creio que não, porque o Hilberto ficou muito chateado porque eu não consegui ter sucesso naquele estudo.

 

Pimenta — O Hilberto que o senhor fala é?

 

Tacla Durán — Hilberto Silva.

 

Pimenta— O Hilberto Silva foi identificado como responsável pelo sistema Drousys.

 

Tacla Durán — Não, não. O Hilberto era o responsável pelo departamento.

 

Pimenta —De Operações Estruturadas.

 

Tacla Durán —Sim, sim.

 

Pimenta — Ficava na Bahia.

 

Tacla Durán — Ficava em São Paulo porque eu alugava o apartamento a ele.

 

O QUE FAZIA O DEPARTAMENTO DE OPERAÇÕES ESTRUTURADAS

 

Damous – Esse Departamento de Operações Estruturadas era de fato destinado ao pagamento de propinas?

 

Tacla Durán — Quando eu cheguei, já estava criado. Mas havia situações de pagamento também que não se trata de propina, situações estratégicas em que a empresa tinha que fazer pagamentos, em que a pessoa não queria aparecer, por uma questão fiscal. Eram coisas normais de uma empresa. Eu, por exemplo, comecei a trabalhar lá, eu não podia detectar que aquilo era voltado para esse tipo de prática ilícita, até porque, se havia esse tipo de prática ilícita, isso não era disseminado, falado com qualquer pessoa recém chegada. Eu trabalhei cinco anos com pessoas que tinham 30, 35 anos de casa. Claro que, a partir de determinado tempo, você tinha confiança, etc. Agora eu, em dois três anos, dizer que sabia de coisas. Não, o que eu via uma série de operações, procedimentos fiscais, que eram normais do dia a dia de uma empresa.

 

Pimenta — O Hilberto não era o responsável pelo Drousys?

 

Tacla Durán — Não. O Drousys, quem era o responsável era o irmão do Luiz Eduardo.

 

Damous — Explica para nós o que é o Drousys.

 

Tacla Durán — Drousys é o sistema de comunicação. São desk tops virtuais que criavam o login e senha, e você se comunicava.

 

Pimenta — Uma rede interna.

 

Tacla Durán — É, uma rede interna. Só que essa rede interna era controlada pelo Luiz Eduardo.

 

Pimenta — O Luiz Eduardo ficava no Departamento de Operações Estruturadas.

 

Tacla Durán – É. Uma pessoa só poderia falar com a outra e esta autorizasse.

 

Pimenta — Ele era da equipe do Hilberto.

 

Tacla Durán — É.

 

Damous – Mas o Drousys foi concebido com que objetivo?

 

Tacla Durán — A de comunicação segura.

 

Pimenta — Só para a gente entender aqui. O Luiz Eduardo fazia parte do Departamento de Operações Estruturadas, do Hilberto, mas ele era também sócio do banco em Antígua.

 

Tacla Durán — Sim, correto.

 

Pimenta — O Fernando era diretor de que setor da Odebrecht.

 

Tacla Durán — O Luiz Fernando era diretor, tesouraria.

 

Pimenta — Tesouraria.

 

Tacla Durán — Ele sempre trabalhou na área de tesouraria, ele estava na área de Operações Estruturadas e…

 

Pimenta — Os dois faziam operações em nome da Odebrecht no Meinl Bank sem que a Odebrecht soubesse que eles eram também sócios do banco.

 

Tacla Durán — Que a Odebrecht sabia que eles não eram sócios do banco, certeza. Que eles faziam operações que a Odebrecht sabia, não…

 

Pimenta — A Odebrecht não sabia que eles eram sócios.

 

Tacla Durán — Não, a Odebrecht não sabia que eles eram sócios. E eles faziam operações que a Odebrecht sabia e operações que a Odebrecht não sabia. Como eu falei, são sócios. Eles são tão sócios que o imóvel onde o banco se situava em São Paulo é de propriedade dos quatro acionistas banco, e do Fernando e do Luiz Eduardo. O imóvel é de propriedade dos seis.

 

EXECUTIVOS DESVIARAM DINHEIRO DA ODEBRECHT COM PROPINA SIMULADA

 

Damous – Salvo engano meu, o senhor teria declarado nas entrevistas à imprensa que algumas operações de entrega de dinheiro — para políticos ou seja lá para quem for, legais ou ilegais —, o dinheiro não chegava ao destinatário, eram embolsados por aqueles que deveriam entregar o dinheiro.

 

Tacla Durán — Sim, sim.

 

Pimenta — Eles lançavam no sistema como se fosse propina.

 

Tacla Durán — Sim. Havia entrega simulada de dinheiro por pessoas que roubavam dinheiro.

 

Damous — O senhor tem exemplos?

 

Tacla Durán — Dinheiro físico? Dinheiro em espécie?

 

Damous — Uma operação de dinheiro que seria destinado a políticos.

 

Pimenta — Consta no Drousys uma operação de pagamento para alguém, mas, na verdade, isso era uma simulação para que o próprio executivo ficasse com o dinheiro.

 

Tacla Durán — Veja bem, eu não posso assim… Um caso que chamou a atenção é que foi solicitada a entrega de… Houve uma discussão muito grande em relação a Leandro Azevedo.

 

Damos — Quem é Leandro Azevedo?

 

Tacla Durán — Leandro Azevedo era um diretor da Odebrecht responsável pelo Rio de Janeiro. Falar a verdade, eu não sei exatamente a função dele. Ele trabalhava no Rio de Janeiro e era responsável por esse tipo de serviço, obra, etc. Que aconteceu ali é que eu presenciei uma discussão o Álvaro Novis (diretor da empresa), o Luiz Eduardo e o Fernando Migliaccio, num almoço, que o Álvaro reclamou que o pedido de entrega, que ele teve que entregar recursos dentro do escritório da Odebrecht na mão do Leandro Azevedo, e que, eu não sei qual o valor, nada, eu vi a discussão. Não era um assunto meu e eles não foram tão transparentes, justamente por eu estar na mesa do almoço. Ficou claro que eles ficaram muito aborrecidos e transpareceu é que esse dinheiro foi para lá e ficou com uma pessoa, que não foi, e eles acharam que estava acontecendo algum tipo de desvio.

 

A CONTABILIDADE PARALELA DA ODEBRECHT

 

Pimenta — Uma última pergunta sobre esse mesmo assunto. O sistema My Web Day é um sistema que até agora não apareceu de maneira integral. Ocorreram várias solicitações de acesso a esse sistema e, nesse sistema, estão registradas todas as movimentações contábeis legais e ilegais da Odebrecht no mundo inteiro. O senhor tem ciência da existência desse sistema, e como é que ele funcionava.

 

Tacla Durán — Sim. Quando eu estava trabalhando na triagem de informações, na defesa da empresa, porque muitas informações, antes de ser passada aos advogados constituídos, internamente a gente fazia uma triagem — alguns advogados da empresa, no caso eu, dr. Gideon, dr. Marcos Simões e outros advogados, e os próprios funcionários, diretores. Nesse trabalho, eu não conhecia o sistema My Web Day, nesse trabalho que eu estava fazendo, aí me informaram que havia esse sistema e que esse sistema se tratava da contabilidade, era um sistema de contabilidade da empresa. Ficava também em servidores seguros. Na ocasião em que me contaram, me disseram que já estava desativado. Isso foi em 2015. Em 2015, ele já estaria desativado.

 

Pimenta — O My Web Day ficava hospedado onde?

 

Tacla Durán — No exterior também.

 

Pimenta — Sabe onde?

 

Tacla Durán — Que eu saiba, na Suíça.

 

Pimenta — E o Drousys?

 

Tacla Durán — Também.

 

Pimenta — Essas planilhas que têm sido apresentadas extraídas do My Web Day, o senhor acha que, sem o acesso ao sistema original, é possível afirmar que elas sejam verdadeiras, a exemplo do que foi feito com os extratos de Antígua?

 

Tacla Durán — Sem acessar o sistema, afirmar que é verdadeiro é tecnicamente impossível. Acho que nenhum perito faria isso.

 

Pimenta — E esse sistema, na sua opinião, hoje ele já não existe mais?

 

Tacla Durán — Quando eu soube, ele já era desativado, e eles não demonstraram tanta preocupação. Acho que não havia risco.

 

Damous — Ele pode servir de prova contra ou a favor de alguém?

 

Pimenta — Não quer dizer que algo que esteja dentro do sistema seja verdadeiro também.

 

Tacla Durán — Como eu disse, havia coisas que podem ter sido simuladas, sob o próprio interesse de algum dos diretores. É como um sistema normal, você gera uma despesa, e a despesa pode existir ou não. Nesse caso aqui, é uma despesa que não tinha suporte de documento, nota fiscal, nada.

 

Pimenta — Tanto o Drousys como o My Web Day eram alimentados por executivos da empresa.

 

Tacla Durán — O My Web Day 100% certeza, seguro.

 

Pimenta — Que lançavam a contabilidade da empresa, oficial e paralela.

 

Tacla Durán —E executivo de alto nivel.

 

Pimenta — Informações não obrigatoriamente verdadeiras, na medida em que estão surgindo informações de que executivos desviavam dinheiro.

 

Tacla Durán — Sim, com certeza há inconsistências. Seguro. Há inconsistências. Não é 100% verídico. Isso sem nenhum tipo de fraude no sistema. Havia inconsistência por lançamento individual.

 

Pimenta — Deve ter também operações registradas para além das relações da política. O mundo jurídico, grupos de comunicação.

 

Tacla Durán — É um sistema de contabilidade. Então ali consta, acredito, tudo. No My Web Day. O Drousys é um sistema de comunicação.

 

Damous — Uma espécie de whatsapp.

 

Tacla Durán — Tinha o chat, tinha e-mail.

 

Observação: O juiz Sergio Moro negou todos os pedidos da defesa do ex-presidente Lula para ter acesso a esse sistema de contabilidade paralela da Odebrecht.

COMO ZUCOLOTTO, O AMIGO DO JUIZ MORO, ENTROU NA HISTÓRIA

 

Damous — Eu gostaria mais de saber sobre sua situação jurídica.  O senhor foi delatado.

 

Tacla Durán — Fui.

 

Damous — O senhor estava sendo investigado.

 

Tacla Durán — Por três anos.

 

Damous — E preocupado, como qualquer pessoa ficaria, resolveu contratar — e o senhor estava sendo investigado pela Operação Lava Jato — advogado em Curitiba, onde é a sede da Operação, e o senhor escolheu o escritório Zucolotto para…

 

Tacla Durán — Não, foi um um pouco diferente. Eu tomei conhecimento de que havia sido delatado pela UTC, pelo senhor Ricardo Pessoa e pelo diretor da UTC, Valmir Pinheiro. Tomei conhecimento disso por outros advogados que também trabalhavam para a UTC. E, com a desculpa de que queriam me ajudar com a indicação de advogados, talvez os mesmos advogados, poderia até ser. Até com as mesmas referências “a panela de Curitiba”, advogados da panela de Curitiba.

Damous – O que o senhor chama de panela de Curitiba?

 

Tacla Durán — Eles me disseram que eram advogados que tinham capacidade de resolver o assunto melhor, por estarem ali, por conhecerem o mecanismo, as pessoas. Uma proximidade de contato. Eu optei por não contratar ninguém que eles haviam indicado, continuei com meu advogado — na verdade, constituído na frente das negociações que eu travei com o Ministério Público, que foi o Leonardo Pantaleão —, tentei prestar meus esclarecimentos, ter as minhas prerrogativas de advogado respeitadas. Não tive. Vi algumas dificuldades. E o escritório do dr. Zucolotto era meu correspondente.

 

Damous — Que dificuldades?

 

Tacla Durán — Eles queriam me imputar crimes que eu não pratiquei.

 

Damous — Eles quem?

 

Tacla Durán — Os procuradores.

 

Damous — Os procuradores.

Tacla Durán – Me imputar crimes que eu não cometi, converter o trabalho de advogado. Eles queriam criminalizar o trabalho do advogado. Não é porque você tem uma informação que você está protegendo seu cliente ou você está orientando seu cliente, na prática, se ele praticou ou não crime, não é o caso de você ser criminoso. Não é porque você recebeu de um cliente que você está lavando dinheiro. Eles falam que eu saquei 61 milhões em uma entrevista coletiva e, ao mesmo tempo, um informe da Receita Federal mostra que em dez anos eu saquei 435 mil.

 

Pimenta — Quais eram os procuradores com quem o senhor conversava?

 

Tacla Durán — Roberson Pozzobon, Júlio Noronha, Carlos Fernando dos Santos Lima, Diogo Castor de Mattos, Deltan Dallagnol, Sérgio Bruno, Athayde (Athayde Ribeiro Costa) e Marcelo Miller.

 

Observação: Carlos Zucolotto é padrinho de casamento de Sergio e Rosângela Moro.

 

PROCURADORES AMEAÇAVAM ENVOLVER A FAMÍLIA PARA FORÇAR DELAÇÃO

 

Damous — O senhor se sentia constrangido nestas tratativas, nesses interrogatórios?

 

Tacla Durán — Com certeza. Eu sou advogado, Advogado há mais de vinte ano anos e a gente tem um pouco de experiência com essa situação. Para nós advogados chegar ao ponto de se constranger, eu imagino quem não é operador do direito. Constranger no sentido de quererem trazer para dentro da investigação familiares que não tem nada a ver com isso.

 

Damous — Houve essa ameaça?

Tacla Durán — Sim.

 

Damous — De quererem trazer algum familiar seu?

 

Tacla Durán — Sim. Simplesmente por ser sócia no escritório de advocacia.

 

Damous — Quem é?

 

Tacla Durán — A minha irmã.

 

Damous — Sua irmã é advogada também?

 

Tacla Durán — Sócia no meu escritório, ela (Flávia Tacla Durán) nunca trabalhou para empreiteira nenhuma. Até porque ela trabalha em outra área. Ela faz direito de família, direito civil, trabalhista. Não trabalha na área de empreiteira. E eles colocavam: “é melhor fazer, é melhor por para dentro do acordo, que te protege.” Na verdade, é aquela coisa: diz que está ajudando, mas na verdade está te colocando…

 

Observação: Pela lei, as delações devem ser espontâneas, voluntárias.

 

TACLA DURÁN FOTOGRAFOU AS MENSAGENS TROCADAS COM ZUCOLOTTO, DA PANELA DE CURITIBA

 

Damous — Mas, na verdade, essas ameaças objetivavam o quê? O que eles queriam do senhor?

 

Tacla Durán — Que eu celebrasse o acordo. Foram feitas as reuniões, eu acabei procurando o Zucolotto para tentar ajudar nessa questão .

 

Damous – É isso que eu quero saber: por que o escritório do Zucolotto?

 

Tacla Durán — Porque ele já era meu correspondente em Curitiba há tempos. Então é natural que eu procurasse uma pessoa de Curitiba, da comarca, que evidentemente teria mais acesso. E aí nós estamos falando o que não acesso ilegal, nada. Ali é uma negociação, é o direito penal negociado.

 

Pimenta — O Zucolotto não é advogado trabalhista?

 

Tacla Durán — Eu nunca fiz direito penal.

 

Pimenta — O senhor procurou o Zucolotto pela sua capacidade jurídica?

 

Tacla Durán — Ele fazia não só. Ele fazia execução fiscal, cuidava de execuções fiscais, cuidava de assuntos trabalhistas, na questão como correspondente. Essa questão, eu coloquei que era uma questão pessoal/penal, perguntei se ele podia ajudar.

Damous – O senhor sabia que a esposa do juiz Sergio Moro era sócia do escritório do dr. Zucolotto?

 

Tacla Durán — Sim, soube depois.

 

Damous – Depois ou?

 

Tacla Durán — Sim, depois que eu contratei ele. Antes disso aí. Antes de contratar, eu sabia.

 

Damous – Não, se o senhor sabia que a esposa do juiz era sócia do Zucolotto.

 

Tacla Durán — Sim, antes de contratar para ajudar na negociação, eu sabia.

 

Pimenta — O senhor acredita que um escritório de advocacia possa ajudar no processo de acordo de delação? Que tipo de relação é essa que o senhor esperava que ele pudesse ajudar?

 

Tacla Durán — Eu me pautei um pouco no que o pessoal da UTC havia comentado e falado: olha, a gente te arruma advogado, o pessoal da panela de Curitiba,

 

Damous – O Zucolotto faria parte da panela de Curitiba?

 

Tacla Durán — Eu não queria um advogado vinculado à UTC, eu queria um advogado meu. Então, eu não aceitei. Mas aquela questão de que advogado de Curitiba poderia resolver e, como por experiência própria eles já tinham feito o acordo do Ricardo e da própria companhia, eu acreditei que aquilo tinha algum fundamento. E como eu tinha um correspondente em Curitiba, não para assunto penal, mas para outros, eu liguei para perguntar: se ele não fosse, quem poderia indicar para tratar desse assunto para mim.  E ele se prontificou a tentar aconselhar e resolver.

 

Damous — As tratativas com o dr. Zucolotto se deram como? Pessoalmente?

 

Tacla Durán — Não, eu já estava nos Estados Unidos, viajando, eu talvez até estivesse por alguns dias no Brasil. Eu estava viajando bastante porque eu também já estava tratando da colaboração com os Estados Unidos.

 

Damous – Como é que se deram essas tratativas?

 

Tacla Durán — Pelo Wickr, pelo aplicativo Wickr..

 

Damous – Wickr é o que criptografa.

 

Tacla Durán — Criptografa e apaga as mensagens automaticamente nos dois dispositivos.

 

Damous — O senhor se apresentou a ele e disse que precisava dos serviços.

Tacla Durán— Me apresentei não, ele já sabia que eu era correspondente.

 

Damous — Qual era a solicitação — quero contratá-lo para…

 

Tacla Durán — Eu não liguei para contratá-lo. Eu liguei e disse: olha, eu estou com um problema pessoal, ai em Curitiba, a Lava Jato, eu não sei se você tem como ajudar, trabalhar nisso, ou indicar alguém. Aí ele disse que a ia ver como estava o caso.

 

Damous — Ele fixou honorários?

 

Tacla Durán — Depois de algum tempo. A priori, não. Ele ia levantar como estava o caso.

 

Pimenta — Estas tratativas que o senhor teve com ele, o senhor pode comprovar que elas realmente existiram?

 

Tacla Durán — Eu tenho as mensagens, eu fotografei as mensagens.

 

Damous — Qual é o conteúdo dessas tratativas?

 

Tacla Durán — Eu pedi a ele, ele disse que ia verificar se havia possibilidade. Não falamos em honorários.

 

Damous — Verificar o quê?

 

Tacla Durán — Verificar se havia a possibilidade de fazer o acordo.

 

Damous — Como é que ele ia fazer isso?

 

Tacla Durán — Conversando com os contatos dele. Entendi que era o pessoal da Procuradoria. Um tratativa de uma negociação normal.

 

Observação: Essa panela, no que diz respeito aos advogados, já se formou também no caso da Máfia das Falências, revelada nesta série de reportagens. Segundo o ex-deputado Fábio de Souza Camargo, atual conselheiro do Tribunal de Contados do Estado, a Máfia dirige a administração de massas falidas para um restrito grupo de advogados. Marlus Arns e Rosângela Moro já atuaram nesse grupo.

 

ZUCOLOTTO É ADVOGADO DO PROCURADOR CARLOS FERNANDO

 

Damous — Ele tem um cliente procurador, não tem?

 

Tacla Durán  — Eu não sabia, eu soube pela Folha de S. Paulo, Dr. Carlos Fernando.

 

Damous — É cliente dele?

 

Tacla Durán — Eu soube pela Folha. Carlos Fernando dos Santos Lima. Então conversamos sobre isso, ele ficou de verificar. Aí ele verificou, deu o retorno e falou que havia a possibilidade de reduzir a multa que estavam propondo. E que, então, pagaria um terço da multa. No acordo. E pagaria outro terço como honorários para ele. A partir daí a gente faria a minuta, essas coisas.

 

Damous — Formalizaria um contrato de prestação de serviços e honorários?

 

Tacla Durán — Não, isso não. A princípio, deixou claro que não. Eu também não avancei nessa conversa porque, primeiro, eu não fiquei satisfeito com o que estava sendo proposto. Não em questão de valores, mas em questões pessoais, porque eu continuava tendo minha atividade penalizada, de advogado, continuava sendo acusado de coisas que eu não havia cometido. E isso, por princípio, eu não aceitava. Como eu não aceitava essa questão pessoal, eu não me preocupei na questão financeira.

 

Damous — Esse terço que seria pago como honorário dele, como é que isso seria feito? Ele pediu para formalizar?

 

Tacla Durán — Não. Informal. Ele, a princípio, pediu informal.

 

Damous — Informal como? Por fora?

 

Tacla Durán — Por fora.

 

Pimenta — Que valor seria isso?

 

Tacla Durán — Cinco milhões de dólares.

 

Damous — E esses 5 milhões de dólares seriam para quê? Para ele? Para viabilizar o acordo?

 

Tacla Durán — Exato. Como motivo de horários .

 

Damous – Exato. Mas ele precisaria para ele?

 

Tacla Durán — Foi a forma como ele colocou. Se ele iria usar de outra forma, não sei.

 

Pimenta — O senhor poderia nos disponibilizar cópia desse diálogo que o senhor teve com o dr. Zucolotto.

 

Tacla Durán — Sim, eu já submeti à perícia, aqui no exterior.

 

Damous — Está sendo periciado.

 

Tacla Durán — Sim, está sendo periciado.

 

Pimenta — E essas tratativas, feitas no sentido de melhorá-las, foram feitas com qual procurador?

 

Tacla Durán — Com quem ele falou? Para falar a verdade, ele não nominou. O email foi enviado pelos procuradores Roberson Pozzobon, Carlos Fernando Santos Lima e Júlio Noronha.

 

Pimenta — Foram eles que encaminharam para o senhor?

 

Tacla Durán — Enviaram. Enviaram numa sexta-feira e exigiram que eu fosse assinar na segunda.

 

Pimenta — Foi antes ou depois da conversa com o Zucolotto?

 

Tacla Durán — Depois.

 

Zucolotto — Essa minuta é fruto do trabalho do Zucolotto?

 

Tacla Durán — Sim.

 

Damous — Numa dado momento, o dr. Zucolotto disse que traria o procurador para a negociação?

 

Tacla Durán — É.

 

Damous — Isso está nas mensagens?

 

Tacla Durán — Isso está nas mensagens.

2 Comentários

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Marques

05/11/2017 - 16h11

Tacla Duran é pura nitroglicerina. Vamos aguardar o depoimento..mas pelo que fala, Zucolotto ( o primeiro amigo ) e Rosângela Moro tem muito a dizer…
A propósito, Tacla Duran sabe do acidente de Teori ? Que até hj não há um laudo oficial ?

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C.Poivre

04/11/2017 - 19h06

Promotor que se “atreveu” a investigar tucanos é afastado do inquérito:

https://jornalggn.com.br/noticia/promotor-que-mirava-tucano-beto-richa-e-afastado-pelo-mp-do-parana

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