Sangue novo no ringue: Camila Kfouri estreia no Nocaute

A psicóloga, psicanalista e ativista social inicia hoje sua colaboração regular para o Nocaute. E fala da luta para denunciar o golpe e o desmonte do Brasil civilizado.

 

Olá;

meu nome é Camila Kfouri, estou chegando agora no Nocaute, então, vou me apresentar.

Eu sou psicóloga, faço especialização em psicanálise e milito pelos direitos humanos. Aliás, você sabia que o Brasil é o país que mais mata defensores de direitos humanos no mundo? Essa é uma das razões para eu estar aqui.

 

Não foi uma decisão fácil aceitar o convite do mestre Fernando Morais. Só que nesse momento me parece obrigatório que quem se posiciona na luta a esquerda, quem defende os direitos humanos, tem que falar, tem que mostrar a cara. E se eu acho que isso é uma obrigação, eu não vou fugir da responsabilidade.     

 

Falar e repetir certas coisas nunca pareceu, ao mesmo tempo, tão necessário e tão inútil. Porque as bolhas, as tais bolhas de comunicação, estão sem qualquer possibilidade de diálogo entre sí.

 

Eu sempre acreditei que a luta é pedagógica, e que a gente tem que explicar com muita paciência o que a gente defende e porque a gente defende o que defende. Mas como eu vou conseguir conversar com alguém que acha que preto, mulher, gay, pobre, não são nem gente?

 

O tanto que essas bolhas estão sem furos ficou muito claro em uma  pesquisa que saiu  para o Governo de São Paulo, que aponta o derretimento do prefeito João Doria mas, aponta também, como primeiro colocado o Celso Russomano.

 

Quer dizer, a gente não conseguiu mostrar, nem para as pessoas que viveram as duas cidades, a diferença gritante entre a cidade do Haddad e a cidade do João Doria Junior. As pessoas percebem que foi um erro terem votado no Doria mas acham que o erro está em não terem votado no Celso Russomano.

 

Se nem isso a gente está conseguindo deixar claro é porque a comunicação realmente anda impossível. A tal ponto que um ministro do STJ pode dizer que quer seus privilégios porque no Brasil só minorias tem privilégios e ele é uma minoria, por ser um macho adulto branco no comando.

 

Ao mesmo tempo que ele dizia isso, um centro de cidadania LGBT, no Largo do Arouche, era invadido e destruído com requintes de crueldade e de escatologia – que eu vou te poupar – mas o centro não foi poupado. Ao mesmo tempo, a faculdade de ciências humanas da USP, a FFLCH, amanhecia fechada porque recebeu um e-mail de um auto denominado grupo integralista dizendo que ia entrar no campos armado, atirando em todas as feministas, esquerdistas e viados que vissem pela frente. Quer dizer, a vida das minorias está bem tranquila  a do ministro que está difícil.

 

Como está difícil a vida do ex-ministro do governo golpista, Romero Jucá, que está com medo de andar de avião porque outro dia ele encontrou em um vôo uma mulher que o questionou sobre coisas que são públicas, notórias e comprovada. Mas antes de se declarar com medo, ele disse para ela, que gente como ela, não deveria nem andar de avião. Quer dizer, quem sempre disse que os golpistas se incomodam profundamente que pobres e minorias andem de avião, sempre teve razão.

 

Mas eles podem tomar o avião da gente, a gente cria asas e a gente sabe voar.

7 Comentários

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Wagner Martos

11/12/2017 - 09h18

Bravo, Nocaute !!!!
Bravíssimo.
Quanta serenidade pra tratar assuntos tão difíceis.
Parabéns Camila

PS: Tenho sentido falta do Pastor Ariovaldo

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Henrique De. Luna

10/12/2017 - 15h39

Bravo!
Bem pontuada, antenada, direta e fácil de gostar! Bem vinda ao ringue e nada de luva, bata com Lula,!

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Antonio

09/12/2017 - 11h24

Parabéns!
É uma rapaziada atingida por um torpor absoluto!
Por isso, tem que ser um trabalho de formiguinha. Mas que seja um trabalho muito rápido.

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Rogério de Freitas

09/12/2017 - 09h58

Hoje na minha opinião os grandes formadores de opinião pública é a grande mídia que de uma certa forma apagou o PT do debate na eleição de 2016. Apontava a pesquisa que quem venceria a eleição era Celso Russomanno a princípio e que Haddad estaria em 4 lugar. Assim no debate na Haddad foi excluído politicamente. Apesar esta ignorada pela mídia golpista Haddad conseguiu terminar em 2ª lugar. O fato é que Haddad nunca esteve abaixo nas pesquisa sempre ocupou o 2ª lugar.
Outro fato em que a mídia teve projeção decisiva foi que Dória e Russomanno vieram a se destacar e tornarem conhecido fazendo programas para tv. A diferença entre os dois é que Russomonno representa o consumidor com pouco poder aquisitivo para contratar advogado e Dória sempre representou na tv a classe mais rica aonde destacava seus méritos Como teve decepção com Dória o povo então esta focando no outro candidato da mídia.

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José Eduardo Garcia de Souza

09/12/2017 - 08h23

É sempre bom e necessário ter gente nova chegando em defesa dos direitos humanos, e o aparecimento de Camila Kfouri nesta liça deve ser saudado como tal.
Mas a conquista de corações e mentes para tal causa não pode passar pelo caminho da arrogância, e quando Camila diz que “As pessoas percebem que foi um erro terem votado no Doria mas acham que o erro está em não terem votado no Celso Russomano”, isto denota um brado de superioridade moral do seu campo não percebido pelo eleitorado ou, pior, uma inferência de pequenez perceptual e intelectual do eleitorado por não haver compreendido algo tão presumivelmente “óbvio” quanto a diferença entre Russomano e Haddad. Ocorre que numa democracia quem manda é o eleitor, e quem o quiser convencer não poderá superestimar as suas virtudes e nem subestimar a sua capacidade. Antes e acima de tudo, terá de transmitir-lhe a mensagem certa, da forma certa, pelos meios certos e nas horas certas.
Em vez de criticar a suposta inabilidade do eleitorado de distinguir entre o que se presume certo e o que se afirma como errado do seu ponto de vista, Camila e a esquerda fariam bem em analisar mais a fundo os porquês da preferência avassaladora dada a Dória nas eleições do ano passado e da opção maioritária por Russomano agora – e verem, baseados nas lições apreendidas por tal análise, como, quando, onde e por que poderão e deverão se encontrar com o eleitorado no meio do caminho e convencê-lo. Boa sorte a ela.

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mirabou oliveira

08/12/2017 - 20h44

Precisamos de guerreiros (as) para peitar os ilegítimos.

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Cristiano Bastos

08/12/2017 - 20h26

Tão perfeito quanto o timbre de voz do Nelson Gonçalves.

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