Saiba por que a rejeição a Doria disparou nas pesquisas

Reprovação do prefeito triplicou no seu primeiro ano de gestão: estava em 13% e passou para 39%, segundo Datafolha. E coincide com a disputa entre Doria e Alckmin pela pré-candidatura tucana à presidência do Brasil em 2018.

Em menos de um ano depois de chegar à Prefeitura de São Paulo, João Doria (PSDB) viu sua popularidade cair e o número de pessoas que considera sua gestão péssima ou ruim chegou a 39%.

Os números são do Datafolha, de pesquisa feita na última semana de novembro e divulgada na terça-feira (4).

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Reprovação de Doria triplica em um ano e chega a 39%, mostra Datafolha

Nocaute selecionou onze momentos de crise que explicam a alta reprovação de João Doria. Veja abaixo.

Farinata

O prefeito viveu uma dos maiores desgastes de sua gestão ao anunciar que distribuiria como alimento à população de rua e às crianças das escolas municipais a farinata, granulado de composto de farinha que é considerado uma ração humana por nutricionistas. A rejeição foi tamanha que Doria discretamente abandonou a ideia após uma série de protestos.

Remédios jogados no lixo

Uma das medidas mais propagandeadas por Doria, as doações da iniciativa privada à Prefeitura também foram alvo de polêmica. A atual gestão precisou jogar fora até um terço de remédios doados por laboratórios farmacêuticos em 90 dias, segundo reportagem da CBN. Os medicamentos, que por lei não poderiam ser comercializados, foram doados com data próxima dos vencimentos. Dessa forma, as empresas se livraram do ônus do descarte dos produtos e ainda receberam isenção fiscal.

Governo à distância

Doria em Veneza com o prefeito Luigi Brugnaro (Foto @Jdoriajr)

Convencido a se lançar como candidato à presidência da República em 2018, Doria passou a viajar Brasil e mundo afora. Diante das críticas de quem o elegeu para prefeito de São Paulo, o tucano respondeu que os avanços tecnológicos permitem que ele governe à distância.

Desde fevereiro, Doria fez 43 viagens. De acordo com reportagem da TV Globo, em 11 delas, o tucano participou de eventos do Lide – grupo empresarial fundado pelo próprio prefeito. Foram 40 em dias úteis e 3 em finais de semana.

Cracolândia

Foto: Alan White/Fotos Públicas

Doria anunciou que a chamada Cracolândia tinha acabado, mas a operação policial em conjunto com o Estado apenas violentou e espalhou os usuários. Numa ação para demolir as construções do local, máquinas da Prefeitura chegaram a derrubar uma pensão com pessoas dentro. O prefeito estava lá, mas saiu rapidamente para evitar a imprensa. Diante da ação policial desastrada, a então secretária de Direitos Humanos e vereadora (PSDB), Patricia Bezerra, pediu demissão. O secretário-adjunto também saiu da pasta.

Em relação às políticas para tratar dependentes químicos em situação de rua do centro de São Paulo, o prefeito também precisou retroceder. É que ele chegou a anunciar a internação à força de pessoas que fossem consideradas usuárias de droga e que estivessem na região da Luz.

Perseguição à imprensa

O então chefe de gabinete da Secretaria de Comunicação da Prefeitura, Lucas Tavares, foi gravado durante uma reunião dizendo que dificultava o acesso a dados para jornalistas que recorriam à Lei de Acesso à Informação. Tavares orientava como atrasar as respostas na tentativa de fazer o jornalista desistir da reportagem. O funcionário foi demitido após a divulgação do áudio.

Antes desse episódio, Doria já havia atacado nominalmente nas redes sociais repórteres autores de matérias que denunciavam problemas na gestão.

Cidade cinza


No primeiro mês de gestão, Doria declarou guerra aos pichadores e apagou murais da avenida 23 de maio que tornaram São Paulo uma das capitais mundiais do grafite. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, 61% da população na época reprovou a medida do prefeito.

Fraude em contratação para o Carnaval

 

O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação e a suspensão dos direitos políticos do vice-prefeito, Bruno Covas (PSDB), do secretário de Cultura, Andre Sturm, e do secretário de governo, Julio Semeghini, por improbidade administrativa. Os três são acusados de direcionar a licitação para a escolha da Dream Factory como patrocinadora do Carnaval de rua da cidade em 2017.

Merenda limitada

Alunos de uma escola municipal foram marcados com uma bolinha ou um risco na mão para não repetirem o lanche da merenda. A Prefeitura disse que a medida fazia parte de uma reformulação nutricional para os alunos e que os alimentos industrializados deveriam ser consumidos “com moderação”.

Cidade Linda e abandonada

Desfile das escolas de samba do grupo especial do carnaval de São Paulo 2017
Foto: Leon Rodrigues /SECOM

Anunciada como uma das prioridades da gestão Doria, o prefeito se vestiu de gari diante das câmeras para uma série de ações de zeladoria pela cidade. Mas as áreas que foram visitadas pelo tucano já estão com lixo e mato novamente.

Aumento do número de acidentes no trânsito

Contrariando a recomendação de especialistas em segurança no trânsito, Doria cumpriu sua promessa eleitoral e aumentou os limites de velocidade nas marginais Pinheiros e Tietê. Até outubro deste ano, foram 27 mortes nesses locais, o que indica o final de uma tendência de queda verificada em anos anteriores. A prefeitura tem repetido que a velocidade não teve influência em nenhuma dessas mortes, causadas em sua maior parte por imprudência dos motoristas.

O número de ciclistas mortos em São Paulo também cresceu 55% entre janeiro e outubro deste ano, comparado ao mesmo período de 2016. Foram 31 mortes, ante 20 no ano passado, segundo dados do Infosiga.

Semáforos

Semáforos apagados foram um dos marcos do trânsito paulistano na gestão Doria. Os contratos para manutenção e reparo dos equipamentos foram suspensos no começo do ano e retomados em agosto, mas voltaram a ser interrompidos em setembro por ordem judicial.

O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito civil para apurar suspeita de irregularidades na contratação de duas empresas para a prestação de serviços dos semáforos após denúncia de suspeita de irregularidades no pregão eletrônico realizado para escolher a empresa responsável.

3 Comentários

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Reaça

08/12/2017 - 16h08

Não sabem nem fazer um fake news. Vai se fuder!

Responder

Vicente

05/12/2017 - 21h35

E lá se foi o anti-Lula. É a prova de que marketing só com embalagem não vira nada.

Responder

Vicente

05/12/2017 - 21h32

E lá se foi o anti-Lula. Marketing só com embalagem não vira nada.

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