O desmonte de Michel Temer na economia do petróleo.

O comentário de João Sicsú, professor do Instituto de Economia da UFRJ, chama atenção para os efeitos negativos que as novas regras impostas a Petrobras causam aos brasileiros.

Com novas medidas a serem seguidas a Petrobras perde sua autonomia para regular o preço do petróleo no mercado interno gerando inflação e retração na atividade econômica. O governo de Michel Temer segue inviabilizando possibilidades de reação contra a depressão vivida pelo país.

 

Amigos do Blog Nocaute;

 

estou aqui para comentar com vocês o aumento de quase 10% que a gasolina sofreu durante o mês de setembro autorizado pela Petrobras. Isso o que está acontecendo na nossa economia é gravíssimo e é mais uma das grande dificuldades que temos a enfrentar.

 

A questão é a seguinte, houve problemas causados pelo furacão Harvey e os seus impactos dificultaram a operação das refinarias no Golfo do México, isso fez subir o preço internacional do petróleo e, imediatamente, a Petrobras passa para o nosso mercado interno esse impacto de variação do preço internacional do petróleo. Isso é um problema, primeiro, porque isso vai causar inflação. Isso reduzirá a renda disponível do trabalhador para  consumo. O resultado é que nós estamos fechando mais um canal de possibilidade de reação contra a depressão que estamos vivendo, ou seja, o caminho é óbvio e inadequado.

 

O preço do petróleo internacional sobe, esse preço é repassado para o preço do combustível internamente no país, isso tem impacto sobre a inflação, a inflação reduz o consumo e portanto mais um canal possível de recuperação da economia brasileira está sendo fechado.

 

Bom, mas isso tem outro aspecto importante que vale a pena ser mencionado. Essa regra que a Petrobras adotou também uma forma de perda da soberania nacional. Nos governos Lula e Dilma nós tentávamos amenizar essa volatilidade internacional, essa variação de preço internacional no nosso mercado doméstico. Ou seja, quando o preço internacional do petróleo caia no mercado internacional nós reduzíamos pouco o preço da gasolina aqui. Mas o inverso também acontecia, quando o preço internacional subia nós também subíamos muito pouco, ou até não subíamos, o preço da gasolina aqui.

 

Então, a Petrobras na verdade, com sua capacidade econômica, amenizava essas variações de preço internacional o que é absolutamente correto. Isso é item de segurança de soberania nacional, nós decidirmos o preço da nossa gasolina em termo de volatilidade internacional.

 

Nós podemos acompanhar tendências internacionais mas impactos pontuais como esse, de um furacão, nós não deveríamos acompanhar. Deveríamos ter capacidade de absorver e quando o preço caísse nós também amenizaríamos essa queda de preço internacional para dentro da nossa economia.

 

Mas a Petrobras será mais um instrumento para colocar a economia brasileira ao sabor de fatos e eventos internacionais que ocorrem independentemente das decisões internas do nosso país. A partir de agora nós perdemos mais essa barreira de soberania nacional, de defesa da soberania nacional. Nós estamos ao sabor de problemas que possam ocorrer nos Estados Unidos, na Arábia Saudita ou seja problemas de volatilidade, problemas de variações serão transportados para dentro da nossa economia. Isso é inaceitável, ou seja, o que o governo Temer acaba de fazer (no mês de setembro) é fechar mais um canal de possibilidade de recuperação da nossa economia, reduzindo a renda disponível do consumidor, do trabalhador, e apresentando mais uma regra de perda de soberania nacional.

 

Essa é a situação de dificuldade em que vivemos e temos que enfrentar, devemos buscar caminhos para a reconstrução do Brasil.  

2 Comentários

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Vitória

12/09/2017 - 07h31

A maioria, nem lê, sobre a matéria; estamos acostumados a (vendar) os olhos para o ‘arrocho’ ao qual estamos, diariamente, envolvidos. Mesmo assim, ainda é possível ver consumos exagerados de coisas ‘irrelevantes’ para o bem estar, próprio e coletivo. Diante disso, essa, é só mais uma notícia! Lamentável; pois vai chegar a hora em que NADA poderá ser feito. Bom dia, apesar disso.

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Clá

11/09/2017 - 08h53

A venda dos ativos nacionais, nesta intensidade e velocidade, nos desnuda; aos poucos nos tornamos apenas um torrão de terra com fronteiras meramente geográficas. As pessoas que habitam esta terra (no caso, nós, brasileiros) não têm a menor importância para o capital. As forças armadas estão sucateadas. Não é difícil prever as conseqüências de tal situação: as portas estão abertas, para quem quiser. E há quem queira; e são da pior espécie. A História já mostrou isso. E nós continuamos lotando os campos de futebol, bebendo cerveja, olhando para o celular, sorrindo e babando… como se nada estivesse acontecendo.

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