O abandono de Tiririca é metáfora da velha mídia

Na hora da despedida, Tiririca diz que sai com vergonha dos colegas, mas não quer generalizar. "Eu jamais vou falar mal de vocês e não vou falar tudo que vi e  vivi aqui", ele garante. É o farisaísmo clássico, igualzinho ao da velha imprensa. Aponta mazelas, fomenta a vergonha alheia, mas nunca se inclui no que está errado.

 

“O afastamento de Tiririca é uma metáfora”, escreve um colega. Eu concordo inteiramente com a conclusão, mas não com o seu diagnóstico.

 

Para ele, é a metáfora de uma agonia, a da política senhorial brasileira, cruel e atrasada. Quando o deputado-palhaço se recusa a participar dela, seria a voz do povo dizendo que não suporta mais.

 

Para mim, é metáfora sim, mas do exato contrário: a perpetuação do engodo e do cinismo da política senhorial, que tem na mídia a sua bíblia, o seu terço e a sua bússola.

 

Tiririca é a imprensa do Brasil. Cara de um, focinho do outro.

 

Em 2010, ele pedia: “Você não sabe o que faz um deputado-federal? Vote em mim que eu te conto”.

 

É exatamente o que faz a mídia tradicional. Você quer saber o que é a política? O que é o Brasil? O que é o mundo? Vote nela que ela te conta.

 

Não apenas compre a sua informação, mas vote nela. Simpatize, confie, escolha. Deixe que ela conduza a sua opinião. Ela contará o mundo como você gosta e fará política por você.

 

Tiririca está há sete anos no Congresso e é assíduo ao trabalho. Mas fez apenas um discurso nesse tempo todo, o de despedida, e aprovou apenas um projeto, em causa própria.

 

“Não fiz muita coisa”, ele reconhece, “mas pelo menos fiz o que sou pago para fazer: estar aqui e votar de acordo com o povo”.

 

Essa concordância significou votar pelo impeachment ilegítimo e manipulado, apoiar os cortes nos gastos sociais, aprovar a reforma trabalhista, nada que o povo indicou desejar e tudo que favorece os donos do circo.

 

Exatamente como faz qualquer jornalão: a defesa dos privilégios dos ricos, em nome do interesse do povo.

 

Tão assiduamente que trabalha inclusive nos sábados, domingos e feriados. Sempre com um discurso único. Sempre com um único projeto, em causa própria.

 

Na hora da despedida, Tiririca diz que sai com vergonha dos colegas, mas não quer generalizar. “Eu jamais vou falar mal de vocês e não vou falar tudo que vi e  vivi aqui”, ele garante.

 

É o farisaísmo clássico, igualzinho ao da velha imprensa.

 

Aponta mazelas, fomenta a vergonha alheia, mas nunca se inclui no que está errado, sempre poupa os colegas de malfeitos e jamais fala tudo que vê, sabe e vive.

 

Tiririca ainda tem um ano de mandato pela frente e só confirmará a sua disposição de encerrar a carreira quando as listas eleitorais forem fechadas.

 

Mas a imprensa não sabe se trata o seu último episódio como um desabafo ou uma renúncia. Na dúvida, noticiou as duas coisas.

 

Já quanto ao palhaço nessa história, não resta dúvida nenhuma de quem seja. Não é Tiririca, nem os políticos, muito menos a mídia.

Um comentário

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apolinario josé pereira

08/12/2017 - 22h25

Esse louco Tiririca não passa mesmo de uma palhaço golpista, deveria ter saído quietinho e não faladando bobagem e bestereira, usufruiu do bem bom e agora sai jogando pedra nos outros, quando na realidadade é igual aos picaretas golpista, ladrões e bandidos que estão no congresso e ele é um deles, 367 deputados e 60 senadores desonestos e bandidos.Prisão já nesses bandidos congressistas.

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