Michel Temer e companhia: estamos de olho em vocês

Fernando Morais, ao vivo pelo Nocaute, comenta a decisão de Michel Temer de extinguir a Renca (Reserva Nacional de Cobre e Associados)

 

 

Eu queria compartilhar com você meu espanto – mais que isso, minha estupefação – diante da decisão do presidente Postiço Michel Temer.

 

Por meio de um decreto, Temer extinguiu a Renca (Reserva Nacional de Cobre e Associados), que agora está liberada para a exploração de minérios pela iniciativa privada.

 

Criada em 1984, ainda durante o regime militar, a reserva natural tem quase quatro milhões de hectares – o equivalente ao estado do Espírito Santo – e fica na divisa entre o Amapá e o Pará. É rica sobretudo em ouro, mas também em minérios como tântalo, minério de ferro, níquel e manganês, cujas jazidas ficam próximas a áreas indígenas.

 

A mineração de ouro, seja mecânica ou manual, utiliza abundantemente o mercúrio como catalisador, no processo de identificação do metal precioso. Sabidamente uma substância cancerígena, o mercúrio é responsável por causar graves danos ao meio ambiente e aos seres humanos que a ele ficam expostos .

 

Por crimes dessa natureza, anos atrás indígenas equatorianos ganharam na justiça de seu país uma indenização monumental. As tribos acusavam a norte-americana Chevron de contaminar vastas áreas da Amazônia equatoriana ocupadas por reservas indígenas e pediam, como ressarcimento pelos danos, nada menos que US$ 20 bilhões. Isso mesmo que você ouviu: US$ 20 bilhões.

 

Essa história dá um filme. O processo rodou por tribunais durante anos, com denúncias de pagamentos de propinas estratosféricas a juízes, procuradores e advogados. Quando finalmente a Suprema Corte bateu o martelo a favor dos índios, a Chevron fechou as portas no Equador e evaporou do país.

 

A fuga da multinacional não desanimou os indígenas, que decidiram processar a Chevron em busca do dinheiro em três países em que a petroleira mantinha ativos suficientes para pagar a indenização: Argentina, Canadá e Brasil.

 

Quando o processo das tribos indígenas foi aberto no Superior Tribunal de Justiça do Brasil, pedindo que o STJ homologasse a sentença equatoriana e obrigasse a multinacional a pagar os US$ 20 bilhões no Brasil, a Chevron brasileira – que opera dezenas de poços na bacia de Campos – apressou-se a contratar, para defendê-la, o escritório paulista Pinheiro Neto Associados, um dos maiores do país. Os índios não se amedrontaram e contrataram outro gigante da área do Direito, o escritório Sérgio Bermudes, do Rio de Janeiro.

 

O Canadá deverá ser o primeiro país a reconhecer a sentença equatoriana e no Brasil acredita-se que a decisão do STJ seja semelhante – já que se trata apenas de homologar uma decisão da Suprema Corte do Equador.

 

Eu me lembrei desta história para deixar claro ao presidente Postiço Michel Temer e a quem mais venha a se beneficiar dessa decisão do governo brasileiro sobre as reservas da Amazônia: vamos fazer como os índios equatorianos. Vamos atrás de vocês até o fim do mundo para que vocês paguem pelo crime que estão cometendo.

Leia também:

Temer extingue reserva no Amapá e Pará e libera mineração próxima a tribos indígenas

 

4 Comentários

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Edurdo costa

24/08/2017 - 17h59

I nfelismente não temos na presidencia alguém que tenha conpromisso com o Brasil e sim com seus compadres.
Haha visto a forma como entrega toda soberania nacional, é realmente algo grotesco de se ver.
Até quando este (GIGANTE) vai dormir acorda GIGANTE..

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Tulio

24/08/2017 - 08h15

Fernando, não sabe o susto que levei de manhã. O desrespeito com nosso meio ambiente por dinheiro rápido, querem aprovar tudo enquanto estão lá para receber, estão fazendo isso nas grandes metrópoles, imagina onde não têm acesso, a leis estão cada vez mais abertas para a exploração e não é para o avanço do Brasil. Estes lucro como você sabe são para empresas de fora, e quando por brasileiros acabam levando o dinheiro para fora também. Não saímos do período colonial, apenas não somos mais colônia de Portugal e sim de quem paga mais. Brasil está sempre a venda, país mais rico (em vários aspectos) do mundo com uma das populações mais pobres :\.

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Clá

24/08/2017 - 06h47

Fernando, bom dia: a população é conivente com tudo o que está acontecendo. Lotam estádios de futebol, mas não mexem uma palha no sentido de se contrapor ao genocídio do campo social.

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Izaias Almada

23/08/2017 - 19h31

Meu caro Fernando,
onde está a coragem do, digamos, povo brasileiro, que não reage a esse banditismo, a mais esse crime?
Sindicatos, movimentos sociais, partidos de centro esquerda, estudantes e, sobretudo, onde estão os tais militares nacionalistas, patriotas?
Estamos nos transformando num país abúlico, covarde, sem sangue nas veias, dócil, entreguista.
Imprensa venal, ausência de consciência política, ascensão do fascismo.
A continuar assim, nem daqui a vinte, trinta anos, nos recuperamos desse terremoto de incompetência, entreguismo e bandidagem, onde os assim chamados poderes constituintes vão se tornando coveiros da democracia e do Estado brasileiro.

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