Compra de votos na Câmara por Temer chega a R$ 300 bilhões, afirma deputado

Segundo Paulo Pimenta (PT-RS), emenda parlamentar, Refis e Funrural se tornaram moeda de troca para Michel Temer conseguir apoio dos indecisos e evitar investigação

A votação da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) pode acontecer na próxima quarta-feira (2), se houver quórum. Depois de conseguir vitória na Comissão de Constituição e Justiça graças ao remanejamento de deputados, Temer está comprando votos para vencer no plenário, diz o deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

“A compra de votos já acontece à luz do dia. Nós estimamos que a compra de votos gira em R$ 300 bilhões”, afirma, em entrevista ao site do Partido dos Trabalhadores.

Segundo Paulo Pimenta, é possível estabelecer uma ordem cronológica entre a mudança de votos e a concessão de benefícios por parte do governo.

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Deputado Paulo Pimenta (Foto: Kamilla Ferreira/PT)

“O parlamentar se declara indeciso, diz que ainda não definiu o voto. Se você acompanhar o Diário Oficial, a liberação de emendas de recursos segue uma ordem cronológica de mudança de votos. Ele é chamado ao Palácio do Planalto, submetido a conversas e agendas, ele adquire aquilo que ele quer e muda o voto”, argumenta.

“E só a liberação de emendas dos últimos dias já ultrapassou R$ 2 bilhões. Ao todo, são R$ 300 bilhões de dinheiro para comprar votos para salvar uma quadrilha que tomou de assalto o nosso país”, diz.

Pelas contas do deputado, serão R$ 220 bilhões no Refis, programa de perdão de dívidas tributárias. O projeto de lei já teve pedido de veto pela Receita Federal e pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Segundo Pimenta, o projeto vai beneficiar parlamentares e, sobretudo, as empresas que financiaram suas campanhas.

O Funrural é outro projeto que entra como moeda de troca, pois vai anistiar dívidas previdenciárias de grandes produtores rurais que podem chegar a R$ 49 bilhões.

“A bancada ruralista apresenta uma conta: se vocês anistiarem essa dívida, nós votaremos contra a denúncia. Isso está acontecendo de maneira declarada, é um crime assumido publicamente, com absoluta complacência por parte da mídia e do próprio poder judiciário”, afirma.

Junto de Paulo Teixeira (PT-SP), Wadih Damous (PT-RJ), Pimenta formalizou uma denúncia contra Temer por compra de votos com emenda parlamentar em 5 de junho, antes da votação na CCJ. Isto porque o Poder Executivo liberou R$ 4,2 bilhões em emendas no mês de junho de 2017, número quatro vezes maior do que a soma do valor liberado entre janeiro e maio de 2017, cerca de R$ 1 bilhão.

Em sua coluna na Folha de S.Paulo, Mônica Bergamo contou nesta quarta-feira (26) que “na maratona de ligações para convencer deputados indecisos, Temer ouviu diversas vezes a mensagem ‘sua chamada está sendo encaminhada para a caixa postal'”.

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A atuação da base aliada na CCJ foi criticada. Por 41 votos a 24, Temer conseguiu que fosse aprovado o parecer do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que sugere ao Plenário o indeferimento da Solicitação para Instauração de Processo (SIP) 1/27, encaminhada pelo Supremo Tribunal Federal após denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Na avaliação de Paulo Pimenta, esse resultado só foi possível graças à substituição de 17 membros da Comissão. “Algo que nunca aconteceu nesse estágio de análise de qualquer matéria, ainda mais em uma solicitação de investigação da Presidência da República.”

Terras indígenas ameaçadas

Outra iniciativa para beneficiar os ruralistas é a modificação na demarcação de terras indígenas, que vai retirar das mãos dos povos tradicionais um patrimônio de R$ 19 bilhões em terras públicas. O projeto entende que apenas as terras indígenas demarcadas à época da Constituição de 1988 serão reconhecidas. Todas as outras delimitadas posteriormente serão desconsideradas.

“Isso trará um enorme conflito no campo. Nós temos comunidades que estão há mais de dez anos em áreas que já foram demarcadas em situações absolutamente estabilizadas e que agora vão se tornar foco de conflito graças ao presidente ilegítimo”, avalia.

Para começar a votação em plenário, pelo menos 342 deputados precisam estar presentes, dois terços do total de 513. Para a sessão começar, bastam 51. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirma que esses números serão alcançados, mesmo sem acordo.

4 Comentários

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Denise

26/07/2017 - 22h40

Se o Paulo Pimenta é delirante, José Eduardo Garcia de Souza o que será? Lunático? Abestado? Viajandão? Está-se falando do maior corrupto da história recente deste sofrido País. Ele já deixou claro que não tem limites. Bilhões de reais para quem trata com o donos dos dólares, são só um investimento. Vender o Brasil vai lhe render muito mais.

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    José Eduardo Garcia de Souza

    27/07/2017 - 14h38

    O que eu sou, eu sei, e não toca a você julgar ou presumir. E Paulo Pimenta é delirante. Basta comparar os números relativos das emendas concedidas por Temer com o absurdo que ele menciona – cerca de 250 vezes mais. E, novamente, assista ao vídeo de Paulo Pimenta que menciono – é coisa de doidos, mesmo. Obrigado e passe bem.

José Eduardo Garcia de Souza

26/07/2017 - 08h58

O Deputado Paulo Pimenta é um delirante, cujas palavras não merecem a menor credibilidade. Para comprovar o que digo, basta que se veja o hilariante e desmoralizante vídeo em que ele posa de “inspetor de forças de segurança” numa tentativa impagável de fazer uma avaliação dos equipamentos da Força Nacional e PM do DF.

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    Luis Alberto

    26/07/2017 - 13h41

    José Garcia. Defendendo governo corrupto? Vc não tem vergonha na cara? Vcs são uns cara de pau. Pq não pergunta a opinião pública o q pensamos de Temer? Seu cara de pau. Vergonha e eu não sou pt viu. Cambada de ladrões.

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