Como o governo remanejou as cadeiras na CCJ para tentar fugir da investigação

Substituições começaram quando Janot apresentou a denúncia e uma delas foi feita no dia da leitura do relatório do deputado Sergio Zveiter na CCJ

O resultado da votação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados não é o que vai definir o futuro do presidente Michel Temer, mas sim a votação em plenário, com o posicionamento dos 513 parlamentares. Porém, o placar nessa Comissão será um indicativo para o governo.

Na segunda-feira (11/7), quando o relator, deputado federal Sergio Zveiter (PMDB-RJ), entrou na sala, ouviam-se gritos que dificultavam a leitura da ata e o início da sessão. Eram manifestações injuriadas de parlamentares, indignados com a notícia de que haviam sido substituídos na CCJ, sem prévia consulta ou aviso.

Para evitar um desgaste ainda maior com um eventual placar favorável à investigação na CCJ, aliados de Temer fizeram 17 remanejamentos no colegiado desde 26 de junho, dia em que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou a denúncia por corrupção contra o presidente. As movimentações envolveram 13 vagas, das quais 9 de titulares e 4 de suplentes.

Uma das mudanças aconteceu durante a sessão. O PRB colocou o líder da bancada, deputado Cleber Verde (MA), o suplente, como titular no lugar de João Campos (GO), que passou para a suplência.

O PR trocou quatro de seus cinco titulares na CCJ.

“Soube através da imprensa que fui tirado. Me venderam. Fui vendido. Nojento isso. É barganha, é barganha. Sabe o que é barganha para se manter no governo?”, afirmou o deputado Delegado Waldir (PR-GO).

No PSD, o líder da bancada, Marcos Montes (MG), retirou Expedito Neto (RO), que já havia anunciado voto contra Temer, por Evandro Roman (PR), quem votará a favor do governo.

O PMDB trocou José Fogaça (RS) por Carlos Marun (MS), deputado que tem defendido Temer publicamente nas últimas semanas.

O PTB substituiu Arnaldo Faria de Sá (SP) por Nelson Marquezelli (SP), outro que já foi à tribuna questionar a legitimidade da denúncia.

O Solidariedade tirou Major Olímpio (SD-SP) por Laércio Oliveira (SD-SE).

Major Olímpio já sabia da substituição, anunciada em junho, mas protestou na sessão e foi vaiado por integrantes da base aliada. “Quem está vaiando está recebendo carguinho para vaiar”, gritou.

A base aliada nega ter feito qualquer mobilização na CCJ para evitar a cassação de Temer e alega que as substituições foram feitas a pedido dos próprios membros que não estão se sentindo confortáveis em votar.

A discussão será retomada na quarta-feira (12/7).

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