Censura da Globo a desenhista é um fiasco dos dois

Só o que o povo pode debater nesse episódio é a seletividade da TV Globo na gestão de marcas e ícones, e a falsa coragem de Gabriel Bá em mostrar-se socialista.

 

A censura à estrela vermelha no boné do quadrinista Gabriel Bá, que o programa de Pedro Bial ofereceu ao país nesta semana, contém lições interessantes sobre a política e a mídia nos tempos correntes.

Gabriel Bá costuma compor a sua figura pública sempre com um boné, frequentemente dotado do símbolo universal do socialismo.

Ele mesmo conta que, antes de ir à TV Globo para gravar o programa, já estava orientado a evitar trajes e adereços que produzissem associação a marcas ou partidos políticos.

Desconsiderou, mas, ao chegar, foi advertido pela produção de que o boné com estrela não seria admitido no ar. E topou que ele fosse coberto, parcialmente, com tiras de fita isolante preta.

No Facebook, o artista explicou que faria a escolha novamente, porque “se fosse um tucaninho azul e amarelo ou um número 45, o logo da Adidas ou o escudo do Palmeiras, seria coberto da mesma maneira”.

Ele disse que prefere “ver agora esse debate todo e o povo refletindo, do que simplesmente ter entrado sem boné”.

Que a Globo se negue a exibir marcas comerciais graciosamente, sem o devido faturamento, é compreensível numa emissora comercial.

Mas, proibir símbolos políticos, ou partidários? Qual o sentido?

Acaso a Globo imagina que seus telespectadores correrão a votar na esquerda em 2018, apenas porque a estrela vermelha foi exposta a eles no boné de um desenhista?

É curioso que já cansamos de ver imagens de Lula e Dilma em macacões da Petrobrás, ou de Alckmin com bonés da Caixa e do Banco do Brasil.

Foram, ao mesmo tempo, manifestações políticas de apreço – sincero ou não – às maiores empresas estatais do país, e publicidade delas.

Figurões da política podem e Gabriel Bá não pode? Qual o critério para distinguir os dois casos?

E se a ideia da censura é impedir que algo seja exposto, qual o sentido de fazê-la de forma tão tosca e torná-la assunto das redes sociais?

O quadrinista diz que quer o debate.

Talvez possa argumentar, então, por que carregou a estrela vermelha na cabeça até a tela da Globo, se toparia que ela não fosse vista pelos telespectadores.

Por que admitiu a censura, em vez de pegar o boné e cair fora, ou de repudiá-la no ar, como fez o ator Pedro Cardoso na TV Brasil, por outros motivos.

Só o que o povo pode debater nesse episódio é a seletividade da TV Globo na gestão de marcas e ícones, e a falsa coragem de Gabriel Bá em mostrar-se socialista.

Não há fita isolante que tape o duplo fiasco.

Um comentário

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02/12/2017 - 11h54

Aqui no meu beco temos uma definição pra caras que arregam como esse tal de Gabriel; Cuzão!

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