Venezuela responde com eleições presidenciais às sanções intervencionistas

Recentemente, a agência EFE publicou que Mike Pompeo, diretor da CIA, confessou que algumas das sanções contra Venezuela foram feitas por recomendações da organização

Após numerosos pedidos de diálogo para a convivência política feito pelo presidente Nicolás Maduro, partidos de oposição, sob pressão do intervencionismo internacional, tentaram sabotar a mesa de diálogo, uma manobra conjunta com as sanções contra funcionários do Governo Revolucionário, como as mais recentes emitidas pela União Europeia. Mas como afirmou o constituinte Diosdado Cabello, “se o mundo quiser aplicar sanções, aplicaremos as eleições”. Ele propôs para Assembleia Nacional Constituinte convocar eleições presidenciais no primeiro trimestre de 2018, antes de 30 de abril e corresponde ao Poder Eleitoral para fixar a data das eleições.

A convocatória confundiu a oposição, que se divide entre a opção de um candidato de consenso e a realização de eleições. Tem aqueles que preferem se medir e aqueles que agora pedem a abstenção, os mesmos que anteriormente insistiam em adiantar as eleições.

Henry Ramos, secretário-geral do Ação Democrática, partido membro da chamada “Mesa da Unidade Democrática”, sustenta que a coalizão está com a capacidade de realizar eleições primárias em um mês. Por outro lado, Henri Falcón, ex governador e ex chavista do estado Lara, anunciou sua candidatura da Unidade Nacional, posição compartilhada por Claudio Fermín, que também anunciou sua candidatura.

A proposta de eleições, aprovada por unanimidade na Assembleia Nacional Constituinte, se realiza logo que o processo de diálogo se reprograma para uma seguinte reunião, assim a oposição assume uma posição hesitante diante dos acordos alcançados na República Dominicana, em duas reuniões realizadas em janeiro, entre os quais se discutiu a realização de eleições presidenciais para o primeiro trimestre de 2018.

Dirigentes do chavismo, como Diosdado Cabello, denunciaram que a oposição tem outra agenda, imposta pelo estrangeiro, e que coloca em evidência suas contradições, quando por um momento afirmam ir as eleições, e por outro, sustentam que não. Sem embargo, a oposição cumprirá com o início do calendário eleitoral a partir do final de janeiro, quando é feito o registro das assinaturas para validar o cartão eleitoral.

O governo venezuelano insiste na continuação do processo de diálogo, reafirma sua vontade em mantê-lo, e no final de janeiro, haverá outra reunião na República Dominicana, embora as respostas tenham sido agressivas, como as sanções da União Europeia, as quais o governo venezuelano enviou notas de protesto. A mesma coisa com o Grupo de Lima, cujas declarações procuram propiciar o ódio para impedir as eleições, e o pronunciamento dos Estados Unidos, que exige contraditoriamente um “retorno a democracia” na Venezuela, mas rejeita o apoio as eleições.

Recentemente, a agência EFE publicou que Mike Pompeo, diretor da CIA, confessou que algumas das sanções contra Venezuela foram feitas por recomendações da organização, o que reflete nossa dupla oposição.

O presidente Nicolás Maduro, convocou para o dia 4 de fevereiro todas as forças sociais para eleger um candidato presidencial da Revolução, e que nem Donald Trump, nem Juan Manuel Santos, nem Mariano Rajoy, decidirão pelo povo venezuelano. Resta esperar a data estabelecida pelo Conselho Nacional Eleitoral para a próxima eleição.

4 Comentários

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Eduardo Noguchi

31/01/2018 - 11h53

Nesses países onde tem petróleo, a oposição aos governos populares é feito pela CIA americana. Acredito que as medidas tomadas pelos dirigentes populares são uma resposta à tentativa de domínio por parte do capital , portanto até amenas demais frente à capacidade do explorador. Cuba, a meu ver tem 2 opções: ser pobre e ser colonizado pelos EUA ou ser pobre e manter sua autonomia. Entre as duas possibilidades, a população cubana está sendo melhor atendida no regime atual.

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miguel

29/01/2018 - 14h32

Vai acabar virando uma Cuba.

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miguel

29/01/2018 - 14h31

Venezuela a passos largos para virar uma Cuba, onde só pode existir o Partido Comunista.

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José Eduardo Garcia de Souza

28/01/2018 - 16h58

O articulista discorreu largamente sobre várias coisas mas “esqueceu” de mencionar que:

1) O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela – órgão “de cabresto” de Maduro, e conhecido no Parlamento como “Las cuatro comadres” – ordenou, na passada quinta-feira que o Conselho Nacional Eleitoral exclua a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) do processo de validação das cédulas eleitorais, que será realizado no próximo fim de semana. Isto significa que a MUD não poderá se inscrever nas eleições como coalizão, ou seja, os partidos políticos que integram a aliança deverão apresentar candidatos separados para a corrida. Tal medida nada mais é do que mais um golpe contra a oposição, visando a fragmentar os adversários de Maduro, e já foi aplicado para impedir que a oposição usasse seu cartão unitário na eleição de governadores, em outubro do ano passado, nos sete estados onde foram interpostos recursos judiciais.
2) Alguns dos líderes mais populares da oposição, como Leopoldo López e Henrique Capriles, também estão proibidos de participar da eleição, que deve acontecer antes do dia 30 de abril. Alguns estão presos, outros estão no exílio ou banidos da política.
3) A “Assembleia Constituinte”, composta exclusivamente por apoiadores de Maduro, aprovou a Lei contra o Ódio e por uma Convivência Pacífica e a Tolerância, que na prática limita qualquer acção da oposição contra o regime. Ela criminaliza a dissidência e estabelece penas de dez a 20 anos de prisão, adotando definições muito abrangentes que podem incluir o corte de estradas (seria interessante ver o que Guilherme Boulos diz a respeito de tal restrição…), manifestações políticas, a publicação de imagens em jornais, publciações em redes sociais e outras práticas.
4) Maduro anunciou que a Comissão da Verdade, criada pela “Assembleia Constituinte”, prepara um expediente histórico, jurídico e legal, sobre as manifestações ocorridas entre Abril e Agosto de 2017, durante as quais mais de 120 pessoas foram assassinadas, maioritariamente opositores. “Vou fazê-lo] para que a Venezuela conheça a verdade pura, transparente e completa do que aconteceu”, disse Maduro. Estou certo de que houve gargalhadas das boas…

Ou seja, Maduro prega a democracia mas faz exatamente o oposto para manter-se, seja como for, no poder – pelo tempo que lhe resta, claro.

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