Venezuela: oposição colhe os frutos da antipolítica

Nas eleições regionais, chavismo perdeu cinco estados, mas conquistou redutos históricos da oposição, como o estado de Miranda, reduto do conservadorismo; a oposição convocou uma nova onda de manifestações, como faz todas as vezes em que não gosta dos resultados.

Os venezuelanos foram mais uma vez às urnas. E, mais uma vez, confirmaram o que já se delineava no voto da Assembleia Constituinte: a escolha pelo processo democrático, em um claro rechaço às táticas que vêm sendo utilizadas pela oposição para aprofundar as crises institucional e econômica no país.

O processo teve participação de 61% do eleitorado, o segundo maior da história para eleições regionais. O chavismo perdeu cinco estados, mas conquistou redutos históricos da oposição, como o estado de Miranda, governado por Henrique Capriles, uma das principais lideranças da oposição, e Lara, que era governado pelo ex-chavista Henry Falcón.

Como era de se esperar, a oposição (que ironicamente havia dito no dia anterior que reconheceria o resultado das eleições) se apressou em deslegitimar o resultado, e convocou uma nova onda de manifestações – como faz todas as vezes em que não gosta dos resultados das eleições. Nicolás Maduro, por sua vez, respondeu com um pedido de auditoria em 100% das urnas.

Os resultados dessas eleições deixam claro que queimar cidades e pessoas e depois sair pedindo votos é a própria definição da antipolítica. O que vimos ontem foi um voto de rechaço às sanções, ao Grupo de Lima, ao intervencionismo da OEA. A oposição colhe agora os frutos que plantou em mais de cem dias de protestos violentos. E o chavismo mostra, mais uma vez, seu compromisso com a alternância de poder.

Já podemos esperar o óbvio: que a MUD volte a pedir ainda mais sanções e siga instigando os ataques internacionais contra Maduro e contra o povo venezuelano. Mas agora ficou mais claro do que nunca que eles são mais queridos aqui em Washington do que na própria Venezuela.

3 Comentários

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C.Poivre

16/10/2017 - 19h57

Com vitórias consagradoras na Constituinte e nas eleições regionais (tudo em 2017) , “ditador” Maduro dá uma lição de democracia ao mundo:

https://www.telesurtv.net/news/Presidente-Maduro-Ha-triunfado-la-paz-y-la-democracia-en-Venezuela–20171015-0083.html

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José Eduardo Garcia de Souza

16/10/2017 - 16h45

A articulista – como invariavelmente o faz – deixou de lado na sua “análise” alguns pontos importantes a serem tidos em consideração neste processo, tais como: 1) A diferença das projeções feitas por analistas locais, como a ORC Consultores e os resultados. Com uma participação em torno de 60%, a MUD deveria eleger os governadores dos estados de maior peso em termos econômicos e de população, entre eles Miranda, o que não ocorreu. No caso específico de Miranda, os eleitores doaquele estado foram alguns dos mais prejudicados pela mudança de centros de votação, uma armadilha do CNE que afetou cerca de um milhão de pessoas. Para minimizar o impacto da medida, a MUD colocou dezenas de ônibus à disposição dos eleitores para levá-los aos centros onde deviam votar. 2) Em Miranda , assim como em outros estados também houve demora no início da votação, e a ação dos chamados coletivos (grupos armados do chavismo) foi intensa. 3) A lista de armadilhas do órgão eleitoral venezuelano no pleito regional de ontem foi enorme. Pela primeira vez, não foram eleitos, também, os integrantes das Assembleias Legislativas de cada estado. Esse Poder local também continuará em mãos, na grande maioria dos casos, do chavismo.

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    Alex Lanz

    20/10/2017 - 13h30

    “No caso específico de Miranda, os eleitores doaquele estado foram alguns dos mais prejudicados pela mudança de centros de votação, uma armadilha do CNE que afetou cerca de um milhão de pessoas.” Isso é uma mentira mais na vontade de explicar uma derrota. So a o 1% dos centros eletorias do pais enteiro (Nao do estado Miranda) foram mudados. Centros eletorais do municipio Baruta (opositor em uma proporcinalidade de 80% a 20%) nao tive mudanças, os centro onde a oposiçao tem maior % de votantes em a parroquia El Cafetal simplesmente nao votaram (nessa parroquia nao tive mudanças de centros eletorais). Alem disso, a mudança dos centros eletorais (alem de ter uma justificaçao) so “poderia afetar” quase 300.000 votos em tudo o pais (de 18 milhoes de votates convidados). O problema sempre (nas ultimas 21 vezes) é que a oposiçao quando perde diz que “foi fraude” “foi o satelite ruso” etc porque assim acha que nao vai perder pessoas que “acreditem” nela ou seja, foi fraude so onde perdi mas onde ganhei “foi o povo que falou”.

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