Trump quer melar os acordos de Obama e Raúl. Vai precisar de mais 50 anos.

Na contramão das políticas de Obama pelo fim do Bloqueio, Trump anuncia restrições comerciais e turísticas para prejudicar Cuba

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está em Miami nesta sexta-feira (16/6), anunciando restrições nas viagens de cidadãos norte-americanos para Cuba, além de uma proibição no comércio com empresas cubanas que tenham vínculo com o Exército da ilha.

Diante de uma animada audiência anticastrista, Trump declarou: “reforçaremos o bloqueio”, conforme havia prometido durante sua campanha. “A política de meu governo se guiará pelos interesses essenciais da segurança nacional dos Estados Unidos e pela solidariedade com o povo cubano”, afirmou.

Com tais medidas, Trump retrocede na política de aproximação com os cubanos, estabelecida por seu antecessor, o democrata Barack Obama.

“Tratarei de promover um país estável, próspero e livre para o povo cubano. Com esse fim, devemos garantir que os recursos dos Estados Unidos não sejam canalizados para um regime que não cumpriu com os requisitos mais básicos de uma sociedade livre e justa”, acrescentou.

Trump firma a nova política em relação a Cuba

Com a mudança, os norte-americanos não poderão fazer nenhuma transação com as empresas pertencentes ao poderoso conglomerado do Exército de Cuba, o Grupo de Administração Empresarial (Gaesa), que controla dois terços do comércio varejista do país.

A ideia de fechar os vínculos comerciais com o Gaesa foi proposta em um projeto de lei de 2015, elaborado pelo senador Marco Rubio, pelo congressista Mario Díaz-Balart e pelo governador da Flórida, Rick Scott, todos republicanos. Mas a proposta não avançou.

Fila para entrar em Havana, no Aeroporto José Martí (Foto: Cubadebate)

Quanto às viagens, Trump pedirá que o Departamento do Tesouro fiscalize os voos das companhias aéreas norte-americanas que já começaram a operar rotas com destino a Cuba.

De acordo com dados oficiais, 284 mil norte-americanos visitaram Cuba ao longo de 2016. O número revela um crescimento de 74% em relação ao ano anterior.

Por conta do bloqueio, o turismo de norte-americanos em Cuba é proibido. O que Obama fez foi flexibilizar as restrições de viagem, autorizando que cidadãos dos EUA se autodeclarassem participantes de uma visita educativa, cultural ou de outro tipo à ilha.

Miami, na Flórida, é a capital cubano-americana nos Estados Unidos. Recebe, desde a Revolução, em 1959, oposicionistas ao governo cubano e concentra políticos que se mobilizaram para criar o bloqueio, em 1960, e para arrochá-lo em 1996.

Em 1996, o então presidente Bill Clinton firmava a Helms Burton, lei que endureceu o bloqueio

Em Miami estão também terroristas como Luis Posada Carriles, autor de um atentado que explodiu um avião cubano em outubro de 1976, com 73 pessoas a bordo – a maioria integrante da equipe juvenil cubana de esgrima, que retornava de um campeonato na Venezuela.

O próprio local onde Trump fará seu discurso, o teatro Manuel Artime, homenageia um cubano que fez parte da invasão da Baía dos Porcos, em 1961, quando um grupo de oposicionistas, organizados pelos EUA e treinados pela CIA, tentaram invadir a ilha. Em 1963, Artime recebeu fundos da Agência de Inteligência norte-americana para, da Nicarágua, organizar um grupo armado de 300 pessoas para invadir Cuba.

Uma das primeiras medidas adotadas por Trump depois de tomar posse, em janeiro, foi ordenar que sua equipe fizesse uma revisão da política em relação a Cuba. E o presidente começou seu discurso agradecendo ao apoio recebido na Flórida durante sua campanha, quando foi recebido pela comunidade cubano-americana.

Na semana passada, sete senadores republicanos e 14 senadores democratas pediram publicamente que o presidente mantivesse e expandisse as políticas de aproximação bilateral.

Atualmente, o voto cubano representa 31 % eleitorado latino da Flórida.

Um comentário

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José Eduardo Garcia de Souza

16/06/2017 - 12h32

Trump é um neanderthal e espero bem que seja logo vítima de impeachment. O bloqueio a Cuba é um anacronismo que só prejudica a ambos os países e, sobretudo coloca freios à liberalização política e econômica da ilha – ambos extremamente necessários.

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