Fraude eleitoral é impossível na Venezuela, diz vice-ministro

William Castillo explica por que na Venezuela é impossível fraudar as urnas como acusa a oposição e como se denuncia em outros países. Fala também sobre democracia participativa e sobre a campanha midiática feita contra o governo de Nicolás Maduro e os caminhos da resistência.

A Venezuela é vítima de uma campanha de mentiras, diz o vice-ministro de Comunicação Internacional, William Castillo. Em entrevista exclusiva ao Nocaute, afirma que os venezuelanos têm “o sistema eleitoral mais perfeito e aperfeiçoado do mundo” e que as acusações de fraude não se sustentam.

Castillo analisa a crise política e econômica e fala sobre democracia e por que o chavismo incomoda. “Damos poder real ao nosso povo para que participe na construção da democracia”.

Assista:

Veja, só precisamos ler nossa Constituição. Nós votamos e escolhemos ter uma Constituição, votada pelo povo pela primeira vez em mais de 200 anos de história republicana, votada por mais de 72% da população.

Nessa Constituição, se ampliaram as garantias sociais, se ampliaram os direitos democráticos, se estabeleceu pela primeira vez o referendo revogatório, que nunca havia existido em nossa Constituição, se estabeleceu pela primeira vez a Assembleia Nacional Constituinte, que é a convocatória do Poder Originário do povo, o que nunca existiu em uma Constituição.

Ou seja, há poucas Constituições no mundo que sejam tão democráticas.

Mas, você pode me dizer: bem, isso é o que está escrito. Mas como se exerce? Bem, a Venezuela vai para o 22º segundo processo eleitoral em 17 anos. Quer dizer, mais de uma eleição por ano.

Já tivemos eleições de presidente, eleições de parlamentares, eleições de prefeitos, de governadores. Tivemos referendos de aprovação, tivemos referendo revogatórios, como o do presidente Chávez em 2004. Ou seja, tivemos todas as formas de expressão democrática que se pode ter na Venezuela.

E temos, ademais, o sistema eleitoral mais perfeito e aperfeiçoado do mundo. Um sistema absolutamente confiável, que passa por 22 mecanismos de auditoria. E é impossível que na Venezuela se cometa fraude, como se denuncia em outros países, com as contagens rápidas, com a manipulação das atas…

Na Venezuela a vontade do povo é respeitada e a melhor demonstração é que, ganhe quem ganhe, esse mandato é respeitado. Então não é que Venezuela é somente uma democracia. A Venezuela fez um aporte significativo ao desenvolvimento democrático da América Latina porque, somada à democracia representativa, nós dizemos que a democracia tem que ser também participativa e protagonista. Quer dizer, nós damos poder real ao nosso povo para que participe na construção da democracia.

A campanha midiática, que não é só midiática, é uma campanha política, é diplomática, é econômica e financeira. Quer dizer, a Venezuela está sendo assediada por duas razões fundamentais. Um, uma razão econômica.

Venezuela possui uma enorme quantidade de recursos econômicos, de recursos materiais. Um patrimônio de biodiversidade, de água, de minerais com os quais se produz os combustíveis fósseis, de ouro, de diamantes, de supercondutores, como o coltan.

Venezuela possui uma quantidade de recursos, e o imperialismo norte-americano e as grandes corporações decidiram voltar a ter o controle sobre esses recursos, como tiveram por cem anos. A Venezuela foi uma neocolônia petroleira por mais de 100 anos, até 1998, quando o comandante Chávez foi eleito, e uma de suas primeiras reformas foi devolver o petróleo verdadeiramente ao povo venezuelano, e que as riquezas do petróleo ficassem na Venezuela.
Mas há uma segunda razão. Que é de caráter político, que é de caráter cultural, que é o que modelo democrático venezuelano obviamente é um mau exemplo.

Porque no mundo se impõem democracias de elites, democracias midiáticas, onde milionários que nunca participaram da política de repente são presidentes da República, onde se dão golpes de Estado sob o nariz do povo, parlamentos derrocam presidentes, como vimos em Honduras, como vimos no Paraguai, como vimos no Brasil. E não acontece nada.

A Venezuela é um modelo de que a democracia pode ser exercida e pode ser enriquecida a partir do povo. Nós estamos construindo o que chamamos de poder comunal. Quer dizer, é entregar capacidades e recursos às comunidades para que resolvam seus problemas. Nós estamos entregando o poder ao povo, compartilhando-o com os partidos, compartilhando-o com os poderes tradicionais.

Ou seja, é uma democracia que se nutre de diversas formas de participação. Esse modelo, que teve conquistas sociais extraordinárias em 17 anos, que tem um modelo de educação gratuita, de saúde gratuita, que tem 92% dos aposentados recebendo aposentadoria, que subsidia os alimentos, que subsidia a cultura… Esse é um modelo perigoso, porque um modelo de privatização, onde se estão tirando os recursos do mundo e se está promovendo um modelo de precarização do trabalho, de baixos salários, e de exploração dos recursos, é obvio que um modelo democrático e participativo é uma ameaça. Então sim, a Venezuela está sob ataque por essas razões.

Nós vamos usar todos os recursos que sejam necessários. Os meios de comunicação, os meios alternativos, os meios independentes, o jornalismo crítico. Nós não temos medo do jornalismo crítico. Nós queremos que os jornalistas vão à Venezuela, vejam e cubram com objetividade e com equilíbrio e nos critiquem, porque obviamente temos muitas falhas.
Nós estamos resistindo a essa guerra. Nós não temos expectativas de ganhá-la, porque estamos lutando contra CNN, contra AP, contra Reuters, contra a indústria de entretenimento.

Hollywood se colocou a favor dessa campanha, fazendo filmes, séries, contra a Venezuela, colocando nossos líderes e nosso presidente como narcotraficantes.
Quer dizer, há toda a indústria de entretenimento e agora a internet, que é controlada por servidores e algoritmos matemáticos, também posiciona as ideias sobre a Venezuela sem que isso seja necessariamente a opinião das pessoas fora [do país].

O presidente Nicolás Maduro, frente, digamos, à arremetida violenta da direita interna venezuelana, e ao apoio internacional que está recebendo, convocou o poder soberano do povo, convocou uma Assembleia Nacional Constituinte.

Essa Assembleia foi votada por 8 milhões e 100 mil venezuelanos. A Assembleia foi eleita em 30 de julho. A partir desse dia, se acabou a violência na Venezuela. Na Venezuela hoje há absoluta paz.

Na realidade, nesses quatro meses, houve violência em menos de 5% do território nacional, mas a [campanha] midiática vendia que era em todo o país. Bem, hoje a Venezuela está em paz.

A crise que a Venezuela sofreu é uma crise multiforme, multifatorial. Tivemos problema pela queda abrupta do preço do petróleo nos últimos três anos, perdemos mais de 70% dos ingressos petroleiros.

Ainda somos um país muito importador, e essa queda dos ingressos gerou um choque nas importações, começou um processo de escassez que foi aproveitado por setores do empresariado venezuelano, com máfias internacionais de contrabando e extração na fronteira.
Tivemos dois anos durante os quais quase 40% dos nossos alimentos, que eram subsidiados para poder chegar com bons preços às pessoas, era desviado para a Colômbia, era desviado para o norte do Brasil, era desviado para o Caribe. Tivemos uma fuga de dinheiro vivo, estavam levando o papel-moeda venezuelano para deixar os venezuelanos sem meios de pagamento.
Quer dizer, é uma campanha muito dura. Isso teve dois efeitos fundamentais. Em primeiro lugar, isso criou nos últimos anos um choque de desabastecimento, o qual estamos superando. Hoje na Venezuela se está normalizando. Ainda temos algumas falhas pontuais, de alguns produtos, mas o abastecimento se normalizou. Para onde se moveu a crise? Para os preços. Porque agora se consegue os produtos, mas muitos estão muito caros.
Então hoje há uma política, que foi o anúncio de preços acordados com o empresariado, não para impor um controle de preços, mas sim para acordar preços, e ir normalizando a situação dos preços, enquanto, ao mesmo tempo, com a recuperação do preço petroleiro, como estamos vendo, vamos normalizando o tema.
Mas o presidente disse que o mais importante é mudar o modelo. Venezuela precisa mudar o modelo de dependência do petróleo, precisa mudar esse modelo exportador, precisa fortalecer sua indústria, precisa exportar mais, precisa que aproveitar melhor seus recursos turísticos para conseguir divisas, quer dizer, nós precisamos aproveitar essa crise para propor uma mudança no modelo econômico que vá superando as coisas. Eu posso te dizer que hoje, na Venezuela, estamos no caminho de superar a crise dos últimos dois anos e meio.
Eu acredito que o mais importante para uma audiência fora da Venezuela é entender que a Venezuela é vítima de uma campanha de mentiras.

O que se diz da Venezuela está absolutamente interessado, enviesado, manipulado. Falsificam-se notícias, publicam-nas com fotos de outros países como se fosse da Venezuela, colocam fotos da crise de fome que existe em algumas zonas da Colômbia como se fosse da Venezuela.
Então essa manipulação tem tido alguns efeitos, e entendemos que muita gente esteja preocupada pela Venezuela.
A Venezuela vai resolver seus problemas. Queremos resolvê-los com diálogo, em paz, através da democracia, e que seja através dos mecanismos democráticos que se decida o destino do país, que seja a maioria do país que decida.
E creio que é isso que é preciso entender quando se fala de Venezuela no exterior, e que lhes pedimos aos povos do mundo que veja além das manchetes, que busquem através dos meios alternativos as versões sobre a Venezuela que dão uma visão equilibrada e justa do que está acontecendo.

Um comentário

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apolinario jose pereira

30/10/2017 - 01h01

Gostei da reportagem sobre o que acontece na Venezuela, e que são verdadeiras, e não as mentiras que a imprensa fascista de fora, fala da venezuela, e ou seja, só mentiras, são os jornalistas fascistas e canalhas dos estados unidos, brasil, argentina e outros mais, são todos golpistas e que querem mandar na venezuela, e como na venezuela tem governantes sérios e fortes, eles tem inveja. Infelizmente a grande maioria dos países latinos americanos, os dirigentes são trouxas e fazem o querem a mando dos estados unidos, e lá na venezuela quem manda é o povo e não os estados unidos e os europeus. Infelizmente no brasil de hoje está cheio de picaretas e golpistas, congresso, ministerio publico e justica e globo e cia, que dão ordem e estão quebrando e destruindo o povo. Somente com a volta de Lula, o brasil voltará a normalidade, e pô todos os canalhas na prisão e fuzila todos, deputados e senadores, procuradores da republica, suprema corte e juizes canalhas, e a imprensa fascista e globo e cia.

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