FARC suspende campanha presidencial após ameaças e violência

Pablo Catatumbo, candidato ao Senado pelo partido, afirmou que enquanto não se garantirem condições de segurança aos candidatos do partido, não serão realizadas atividades de campanha

Foto: TeleSUR

A Força Alternativa Revolucionária do Comum (FARC) anunciou nesta sexta-feira (9) que decidiu suspender temporariamente sua campanha presidencial por consequência das ameaças e ações violentas cometidas contra integrantes do partido.

Pablo Catatumbo, integrante do Conselho Politico Nacional do movimento e candidato ao Senado, afirmou que enquanto não se garantirem condições de segurança aos candidatos do partido, não serão realizadas atividades de campanha: “A Colômbia não pode se converter em um estado falido. Decidimos suspender temporariamente a campanha até que se assegurem as condições de segurança necessárias”.

O candidato reinterou que o partido segue firme com o compromisso da consolidação da paz com justiça social e que “existe um plano coordenado que impede a ação política de um partido legalmente constituído”, e que um país que se pretende democrático deve dar as garantias a todos os partidos.

As informações são da TeleSUR.

Relembre a entrevista que Fernando Morais fez com Timochenko em 2016:

Um comentário

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do NOCAUTE. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

José Eduardo Garcia de Souza

10/02/2018 - 09h58

Não há dúvida que, depois do acordo com o governo, as FARC se desarmaram e a sua candidatura é legítima e, portanto, não pode e nem deve ser impedida, e o próprio presidente Juan Manuel Santos afirmou que iria garantir a segurança aos políticos da FARC e instou os colombianos a protestarem pacificamente: “Eu peço que sejamos tolerantes e generosos entre nós. Não penso que isto seja do interesse da democracia e todos devemos rejeitar estas agressões que alguns candidatos estão a sofrer, especialmente os candidatos da FARC”.
Não obstante o acima, há dois pontos que não podem ser ignorados:
1. A herança do historial de violência das FARC, comprovado por mais de cinco décadas, que faz com que uma grande fatia da população esteja contra a transformação da organização em partido político e exige que os seus membros sejam presos. Tal herança demorará a ser superada, particularmente à luz das tragédias causadas por ela: mais de 260.000 mortos, dezenas de milhares de desaparecidos, quase sete milhões de pessoas que tiveram de deixar suas casas à força, estupros, seqüestros, evidente envolvimento com a produção e tráfico de drogas e, portanto, inúmeras vidas marcadas para sempre.
2. Com as mais recentes pesquisas dando cerca de 2% das intenções de voto a Rodrigo Londono, mais conhecido como “Timochenko” esta suspensão da campanha por parte das FARC assume tintas de desculpa conveniente para derrota inevitável e fragorosa na eleição, bem como um claro alerta de que o seu projeto político em geral está longe de ser abraçado por parte substancial da população, é tisnado pela violência do passado e encontra-se, assim, em estado bastante frágil.

Responder

Deixe uma resposta

Recomendadas