Estamos diante de ofensiva para destruir Lula e o PT, diz Gleisi no Foro de São Paulo

"Fatos reais demonstram a dimensão da perseguição e da calúnia que querem imputar ao Lula", afirmou a senadora e presidente do PT, na Nicarágua

Gleisi Hoffmann no Foro de São Paulo (Foto: PT)

Na Nicarágua, a senadora e presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, denunciou uma perseguição contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ela argumentou que a condenação anunciada pelo juiz Sergio Moro em primeira instância não tem provas, nem fundamentos. Faz parte de uma estratégia para enfraquecer o PT e impedir que o ex-presidente volte ao cargo.

“Estamos frente a ofensiva de judicialização da política em todo o continente, e no Brasil a intenção é destruir o PT e impedir que o maior líder popular brasileiro, Lula, seja nosso candidato nas eleições presidenciais de 2018, pois sabem que a possibilidade de sua vitória é enorme”, discursou Gleisi.

Junto de uma delegação do PT, a senadora participa da 23º encontro do Foro de São Paulo, na capital nicaraguense, Manágua.

O encontro começou no sábado (15), com as principais lideranças de esquerda da América Latina e do Caribe e acontece até a próxima quarta-feira (19).

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“Mais do que nunca necessitamos de um governo de esquerda de volta ao nosso país para retomar o desenvolvimento nacional, a política externa altiva e ativa e reverter as consequências do ajuste neoliberal imposto pela quadrilha golpista que se instalou no nosso governo”, disse Gleisi.

A senadora comentou a situação na Venezuela, condenando o ataque terrorista contra a Suprema Corte de Justiça. “Temos a expectativa que a Assembleia Constituinte possa contribuir para uma consolidação cada vez maior da revolução bolivariana e que as divergências políticas se resolvam de forma pacífica”, completou.

Veja abaixo a íntegra da fala de Gleisi Hoffmann:

Companheiras e companheiros, delegados, delegadas e convidados a este 23º Encontro do Foro de São Paulo. Em nome do Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil nossas calorosas e fraternais saudações. Me chamo Gleisi Hoffmann, sou Senadora da República e há um mês no nosso 6º Congresso Nacional fui eleita presidente do nosso Partido. Sou a primeira mulher a ocupar este honroso cargo.

Agradeço aos companheiros da Frente Sandinista de Libertação Nacional por auspiciar este Encontro e saudamos os triunfos eleitorais mais recentes de Daniel Ortega na Nicarágua e Lenin Moreno no Equador que demonstraram claramente que é possível enfrentar e derrotar as novas táticas eleitorais e golpistas da direita. Também queremos mencionar a importante vitória que foi a libertação do companheiro Oscar Rivera, este grande lutador pela independência porto-riquenha assim como também consideramos vitorioso o que foi alcançado até aqui no processo de paz na Colômbia, um processo que devemos acompanhar e apoiar até sua aplicação.

No entanto, a direita reacionária e golpista não descansa. Na semana passada um juiz de Primeira Instância no Brasil condenou o Presidente de Honra do PT e ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos de prisão com base em delações sem fundamento e sem provas. A acusação era a de ter recebido um apartamento de presente de uma Construtora. Porém, os fatos reais demonstram a dimensão da perseguição e da calúnia que querem imputar ao Lula, pois o dito apartamento na verdade pertence a um banco e não à Construtora e, portanto, não poderia ser doado a quem quer que fosse.

Nosso ex-tesoureiro, João Vaccari Neto, acabou de ser absolvido da primeira condenação imposta pelo mesmo juiz, pois contra ele apenas pesavam delações e não provas conforme instrui o Código Penal do Brasil, seguido corretamente pelos juízes de segunda instância.

Estamos frente a ofensiva de judicialização da política em todo o continente, e no Brasil a intenção é destruir o PT e impedir que o maior líder popular brasileiro, Lula, seja nosso candidato nas eleições presidenciais de 2018, pois sabem que a possibilidade de sua vitória é enorme. E mais do que nunca necessitamos de um governo de esquerda de volta ao nosso país para retomar o desenvolvimento nacional, a política externa altiva e ativa e reverter as consequências do ajuste neoliberal imposto pela quadrilha golpista que se instalou no nosso governo.

Apesar do revés eleitoral que sofremos na Argentina e o golpe parlamentar no Brasil, os principais partidos membros do Foro de São Paulo estão retomando a ofensiva política diante dos atuais governantes da direita nestes dois países com a perspectiva de voltar a governa-los no curto prazo.

O PT manifesta seu apoio e solidariedade ao governo do PSUV, seus aliados e ao Presidente Nicolás Maduro frente à violenta ofensiva da direita contra o governo da Venezuela e condenamos o recente ataque terrorista contra a Corte Suprema. Temos a expectativa que a Assembleia Constituinte possa contribuir para uma consolidação cada vez maior da revolução bolivariana e que as divergências políticas se resolvam de forma pacífica.

As análises que vimos fazendo ao longo dos últimos Encontros ratificam o fato de que estamos enfrentando uma nova fase do capitalismo neoliberal, o que confirma cada vez mais claramente ao constatarmos a concentração das cadeias produtivas globais em torno de um número cada vez menor de empresas monopolistas em cada setor, que por sua vez são controlados por um grupo cada vez mais concentrado de megabancos e fundos de investimento. Estes grupos econômicos pressionam e ampliam suas exigências por favorecimentos dos Estados Nacionais para ampliar seus lucros.

Em momentos de crise econômica como a que estamos enfrentando desde 2008, um fenômeno que sempre se apresenta é o protecionismo nacional, principalmente, nos países imperialistas. Estes fecham suas economias ao mesmo tempo em que exigem a abertura dos demais países. Prova disto, o Presidente dos EUA, Donald Trump, elegeu-se no ano passado sustentado por uma plataforma protecionista na economia, xenófoba e reacionária no social e fascista na política. Suas medidas mais recentes na economia e no comércio, a rejeição ao Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, as medidas anti–imigração, a revisão do acordo de normalização das relações com Cuba e a ingerência direta no conflito sírio são uma prova disso.

Por outro lado, enfraquecem-se as instituições políticas, econômicas e sociais nacionais e internacionais herdadas do liberalismo do século XIX. Elas não respondem mais com eficácia às necessidades das sociedades nos dias de hoje, pois a corrupção, o tráfico de influências, o desvio de recursos e enriquecimento ilícito de setores políticos e a submissão da política aos ditames da economia não respondem, não solucionam e não convencem nossos povos diante dos problemas e necessidades que enfrentam em sua vida cotidiana.

Tenho certeza que as discussões realizadas neste 23º Encontro pelos partidos membros do Foro de São Paulo contribuirão para a implementação de uma política de desenvolvimento para a América Latina e Caribe com amplitude na sua visão e com uma proposta econômica de menor dependência das commodities, maior valor agregado, integração regional mais forte e transformações estruturais fundamentais. Para isto chegamos a um grande acordo que se traduziu na concretização de uma ampla plataforma programática e de ação: o “Consenso de Nossa América”.

Nós do PT defendemos que é necessário enfatizar a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, os direitos dos trabalhadores imigrantes, o rechaço à xenofobia e ao racismo, a agenda do trabalho decente, a democratização dos meios de comunicação e a valorização da economia social e solidária.

Devemos valorizar e aprofundar as propostas políticas já definidas como os princípios que norteiam o “Consenso de Nossa América”, a resolução da CELAC que considera a América Latina e o Caribe uma Zona de Paz e os princípios do Direito Internacional, particularmente, da autodeterminação dos povos e a não ingerência externa.

Aproveitamos para manifestar nosso irrestrito apoio e solidariedade aos companheiros do Partido Comunista Cubano e ao povo de Cuba diante do retrocesso imposto pela nova administração do governo estadunidense em relação aos acordos alcançados com a administração Obama e a manutenção do criminoso bloqueio econômico.

Este ano comemoramos o centenário da Revolução Russa de 1917 e também o cinquencentenário da queda em combate e o assassinato posterior do guerrilheiro heróico, o comandante Ernesto Che Guevara, a quem recordamos para que tenhamos sempre presente a necessidade da transformação social de nossos países.

Aproveito para reforçar o convite para que voltemos a nos encontrar em Montevidéu no mês de novembro para uma nova edição da Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo.

Um comentário

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Giordano

18/07/2017 - 08h30

O maior problema do Brasil não eh político, eh jurídico.

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