Com a oposição desunida, Venezuela terá eleições municipais em dezembro

A extrema direita perdeu força na Venezuela, enquanto os setores mais moderados de oposição se dividem.

*Por Pedro Ibañez/De Caracas

Na terça-feira passada o presidente Nicolás Maduro se reuniu no Palácio de Miraflores com os governadores eleitos do partido Acción Democrática, os novos governadores oposicionistas que fizeram juramento diante da Assembleia Nacional Constituinte.

Ramón Guevara, de Mérida, Antonio Barreto, de Anzoátegui, Alfredo Díaz de Nueva Esparta, com exceção de Leidy Gómez, de Táchira, tiveram uma reunião de uma hora sobre temas relacionados aos estados.

Maduro disse a esses governadores que podem contar com todo seu apoio enquanto chefe de Estado. “Eles continuarão sendo de oposição, nós continuaremos na Revolução e trabalharemos como é preciso trabalhar”, e questionou que uma ala do bloco da oposição tenha adotado o caminho da conspiração, alinhados ao lobby Bogotá-Miami-Washington.

“Derrotamos a direita extremista nas ruas e nas urnas”, disse Maduro. Ao vencer o prazo para se apresentar na ANC, o então governador eleito do estado de Zulia, Juan Pablo Guanipa, que assumiu uma postura irredutível e radical característica de seu partido direitista, o Primero Justicia, de não reconhecer o poder plenipotenciário, o Conselho Legislativo da entidade declarou o cargo vago, e então foram convocadas novas eleições, com Guanipa impedido de se candidatar.

Igualmente, diante das propostas dos deputados constituintes, a ANC convocou eleições de prefeitos para dezembro, ou seja, será eleito de novo um governador para Zulia, além dos prefeitos, eleição da qual o partido Ação Democrática vai participar fortalecido, e a extrema direita que sobrevive na Mesa de Unidad Democrática (MUD), participaria incompleta e desorientada, depois de o Voluntad Popular, partido de Leopoldo López, dirigido atualmente por Freddy Guevara, anunciar que não vai participar.

A reação dos diferentes porta-vozes da oposição, como Henrique Capriles Radonsky, ex-governador do estado Miranda, parte da capital da Venezuela, demanda que a MUD se reorganize e afirmou que não fará parte desta aliança enquanto Henry Ramos Allup (AD) esteja nela. Ramos, por sua vez, diz que os governadores foram conversar com o presidente, contradizendo as diretrizes do partido.

As estratégias e decisões adotadas pela MUD recentemente recaem no chamado grupo dos 4 (G4) Acción Democrática e Un Nuevo Tiempo, derivação da AD; junto aos de extrema direita Primero Justicia e Voluntad Popular. Os desacertos que levaram à derrota contundente da coalização em nível nacional são atribuídos a estes partidos pelo resto das organizações menores, que não tiverem poder de decisão por terem poucos deputados e votos.

Avanzada Progresista, partido da MUD que perdeu no estado de Lara, liderado pelo ex-governador Henri Falcón, que militou no chavismo, pronunciou-se para criticar o radicalismo opositor gerador da violência e a atitude contraditória de alguns dirigentes que se recusam a dialogar, como Julio Borges e Luis Florido, mas que estiveram nas negociações realizados semanas antes na República Dominicana. Também qualificou como infantil a decisão de Capriles de se retirar da MUD. Outros, como o vereador do partido Alianza Bravo Pueblo, Héctor Urgelles, disseram que a MUD “já estava moribunda e acabou se suicidando”.

Com este desastre, somada à nova eleição em Zulia e as eleições de prefeitos que acontecerão em dezembro, concretiza-se o enfraquecimento da ala radical da oposição, Primero Justicia e Vontade Popular, que pretendiam dirigir a aliança opositora na frente interna, enquanto tentavam se fortalecer com o lobby internacional da Colômbia, Estados Unidos, Organização dos Estados Americanos e a União Europeia.

Agora os que foram os partidos excluídos pelo G4 na MUD anunciaram sua participação nas eleições municipais para não abandonar a rota eleitoral, como Um Nuevo Tiempo e Avanzada Progressista.

Enquanto isso, a comissão presidencial viajou à República Dominicana na sexta-feira para reativar a mesa de diálogo com a oposição venezuelana, conversas que foram retomadas no dia 13 de setembro, na qual ambas as partes decidiram criar uma comissão de países acompanhantes integradas por México, Chile, Bolívia e Nicarágua.

Estados Unidos e Luis Almagro, por sua vez, querem oxigenar a oposição com seu apoio às recentes declarações do chamado “Grupo de Lima”, reunido na quinta-feira passada no Canadá, para pensar ações ingerencistas na Venezuela.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) iniciará o processo de apresentação de candidatos para as eleições municipais de dezembro, quando serão eleitos 335 prefeitos em todo o país, e para a escolha do governador de Zulia.

Um comentário

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C.Poivre

04/11/2017 - 17h08

“Exercícios militares” dos estadunidenses visam a explorar as fronteiras do Brasil com a Venezuela para depois introduzir nesse país seus mercenários terroristas para implantar o caos político e econômico e a destruí-lo, como fizeram na Iugoslávia, Ucrânia, Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria e Iêmen:

https://noticia-final.blogspot.com.br/2017/11/marcelo-zero-sobre-exercicios-militares.html

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