Brasil mia para Trump e rosna para Maduro.

Governo de Michel Temer autorizou pela primeira vez exercícios militares com tropas estrangeiras e aproximou as tropas dos Estados Unidos da Venezuela

Pela primeira vez na história, o Brasil abre as portas da Amazônia para tropas internacionais. E dá mais um passo na sua consolidação como um dos principais instrumentos dos Estados Unidos nos ataques contra a Venezuela. Segundo o Observatório Latino Americano de Geopolítica, o exercício consiste na instalação de “apetrechos de guerra que facilitem incursões territoriais discretas, operações de resposta rápida e que contemplem a intervenção de forças especiais, sejam elas órgãos americanos, locais ou privados” ou que permitam operações maciças em caso de uma “crise humanitária grave”.

Não deixa de chamar a atenção a execução deste exercício pelos EUA, e pelo Peru e pelos países que fazem fronteira com a Venezuela precisamente quando a matriz de opinião que prevalece nos principais meios de comunicação é a existência de uma crise humanitária no país. Também é importante lembrar que, ao mesmo tempo em que a Venezuela se torna um dos pontos focais da política de segurança dos EUA para a região, a Comissão das Forças Armadas do Congresso dos Estados Unidos recomendou, na sua proposta orçamentária, que o Departamento de Defesa apresentasse um plano de contingência em caso de uma potencial crise humanitária e migratória na Venezuela, o que incluiria o papel do Departamento de Defesa e os e recursos necessários para a execução desses planos.

A participação dos Estados Unidos nesse exercício faz parte de um acordo firmado em março, e que marca uma nova fase de reaproximação dos exércitos brasileiro e estadunidense. E, aparentemente, Temer está disposto a deixar bem claro quem é que manda: não só condecorou o chefe do Comando Sul com a medalha Duque de Caxias, a mais alta honraria concedida pelo exército brasileiro a oficiais estrangeiros, como também o convidou a conhecer o Sistema de Monitoramento de Fronteiras, as tarefas da 3ª. Companhia e as formas de operação do exército na região, o Centro de Instrução de Guerra na Selva, bem como a principal sede de treinamento de ações militares na Amazônia.

Os Estados Unidos já reiteraram em mais de uma ocasião que descartam uma intervenção direta na Venezuela, e que essa intervenção seria feita, muito provavelmente, por seus aliados na região, como o Brasil. A abertura de bases estratégicas revela que o Brasil está disposto a imitar o triste papel que vem sendo desempenhado pela Colômbia na região. Mais uma vez, os fatos evidenciam o que já estamos falando há algum tempo, que o intervencionismo na Venezuela será terceirizado.
O exercício militar em curso na Amazônia é mais uma peça na crescente presença militar dos Estados Unidos na região. Essa presença não só mina as soberanias nacionais, mas também põe em cheque a ideia da América Latina unida sem imposições imperialistas. É desolador ver o Brasil passar de um dos atores mais importantes na região para mero peão no jogo dos interesses geoestratégicos dos Estados Unidos.

3 Comentários

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daniel murad ramos

11/11/2017 - 13h57

Parabéns Aline, pela perfeita análise. A presença estadunidense na Amazônia agora, ainda que com poucos soldados, é a cabeça de ponte para retomar o esforço militar do império que tem claro interesse na região, pela riqueza e pela estratégia. Mas, infelizmente, parte dos brasileiros preferem não enxergar, mesmo com todos os exemplos históricos ( participação dos EUA em todos os golpes militares na região e nos modernos golpes civis), a ameça evidente do império sobre nossos povos.

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Odette Seabraa

10/11/2017 - 20h43

Trinta soldados americanos desarmados!!!Aline propõe refletir primeiro o significado dessa presença norte americana realizando-se neste momento crítico para nosso país e para Venezuela. E, depois, é preciso considerar que o grande sonho de fazer da amazônia um território do mundo foi sempre dos interesses americanos. Nós, os brasileiros, sustentamos que a Amazônia é nossa, do nosso povo, espaço de nossa cultura. As armas dos americanos desarmados (sic) são as estratégias que à luz do dia se realizam nesse território. A base de Alcântara é um escândalo….não vê quem não quer.

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José Eduardo Garcia de Souza

07/11/2017 - 18h08

A articulista segue sendo uma fonte inesgotável de elisões fáticas e de contradições de pensamento. O exercicio a que alude com tamanha verve e temor é puramente logístico, tem caráter humanitário, contará com observadores de 20 países – incluindo a Venezuela – terá 1500 militares brasileiros e apenas 30 norte americanos, além de cerca de 120 peruanos e 150 colombianos. Não bastasse a natureza humanitária, a exiguidade da presença norte-americana e a observação do exercício por membros de 20 países – dentre os quais, novamente, inclui-se a Venezuela – a articulista não toca em momento algum em onde reside ou possa remotamente residir a “ameaça” que 30 soldados norte-americanos desarmados apresentem à integridade territorial da Venezuela, ainda mais observados por militares daquele mesmo país. Caso em algum momento durante este século ela possa estabelecer tal ligação, garanto que lerei o que terá a dizer a respeito com imensa atenção.

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