Argentina condena agentes dos voos da morte em julgamento histórico

"A Argentina teve o maior julgamento, durou cinco anos, com muitas vítimas, 54 repressores, alguns já morreram, mas é a primeira vez na história deste país que se condena os que eram a última peça da engrenagem, que eram os pilotos que atiravam com vida os desaparecidos no mar", declarou Ana María Careaga, filha de uma vítima.

A Argentina concluiu nesta quarta-feira (29) a maior causa jurídica de sua história, condenando pela primeira vez à prisão perpetua agentes da ditadura (1976-1983) que atuaram nos voos da morte – uma das principais estratégias usadas pela repressão para matar, sem precisar esconder os cadáveres das vítimas.

Ao todo, 29 repressores foram condenados à prisão perpetua, houve 19 sentenças entre 8 a 25 anos de detenção e seis absolvições. O julgamento se estendeu por cinco anos, envolveu 789 vítimas e 830 testemunhos.

Este julgamento, chamado de Megacausa ESMA, foi sobre crimes cometidos na ESMA (Escola de Mecânica da Armada), uma das principais prisões do país da última ditadura. Estima-se que ali foram torturadas e mortas pelo menos cinco mil pessoas.

A técnica dos voos da morte consistia em obrigar os presos a tomar um sedativo e depois atirá-los do avião no mar ou no rio. Os pilotos condenados foram Mario Daniel Arru e Alejandro Domingo D’Agostino.

“Acredito que este seja um julgamento histórico”, disse Ana María Careaga, citada pelo jornal Página 12. Ela é filha de Esther Ballestrino de Careaga, uma das mães da Praça de Maio assassinadas nos voos da morte. “Nunca houve um julgamento assim em nenhum lugar do mundo (…) A Argentina teve o maior julgamento, durou cinco anos, com muitas vítimas, 54 repressores, alguns já morreram, mas é a primeira vez na história deste país que se condena os que eram a última peça da engrenagem, que eram os pilotos que atiravam com vida os desaparecidos no mar. Por isso acho que seja importantíssimo”, declarou.

Entre os condenados à perpetua estão nomes de repressores conhecidos, como: Alfredo Astiz, 67 anos, o “anjo da morte”, capitão da Marinha argentina, infiltrou-se em organizações de direitos humanos como espião e pertenceu ao grupo de tarefas que funcionava na ESMA.

Jorge Acosta, 76 anos, conhecido pelo apelido de “El Tigre”, era quem tomava as decisões sobre tortura e morte na ESMA.

Juan Carlos Rolón, 69 anos, também da Marinha, atuava na ESMA e foi instrutor de tortura para outros agentes latino-americanos.

 

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